Políticas de formação inicial: demandas pela estabilização de consensos no contexto da complexidade da docência
DOI:
https://doi.org/10.18593/r.v50.37661Palavras-chave:
políticas de currículo, formação inicial, consenso, Teoria Política do Discurso, différanceResumo
Esse artigo propõe uma reflexão sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial em Nível Superior de Profissional do Magistério da Educação Escolar Básica (Brasil, 2024a, 2024b) e a demanda pela constituição de consenso nacional na formação dos futuros professores para o enfrentamento dos desafios da educação contemporânea. Problematiza sentidos endereçados à formação de professores, articulando demandas pela docência na complexidade para alcançar a plenitude ausente – a falta de qualidade social da educação básica –, bloqueada pela fragmentação do conhecimento, pela relação dicotômica entre teoria e prática, pela ausência de programas especiais de formação pedagógica e de processos de formação centrados nas escolas e seus contextos, para que o desenvolvimento profissional ganhe em qualidade. Essas demandas são bloqueadas pela falta de consenso nacional na formação de professores pela diversidade de visões e abordagens, pela dispersão das políticas educacionais, por baixos investimentos e recursos limitados na formação e pela resistência a mudanças por diversos grupos de interesse envolvidos na formulação e implementação das políticas. Partindo das noções de demanda, política curricular como produção discursiva e différance como compromisso ético-político, as análises sustentam-se nas contribuições dos estudos pós-estruturais de políticas de currículo (Lopes, 2017), alinhados à Teoria Política do Discurso (Laclau; Mouffe, 2015), e na filosofia derridiana (Derrida, 2014), defendendo uma perspectiva de política curricular numa abertura à diferença, em que seja considerado o diferir como condição infinita da alteridade radical, como também a impossibilidade de cumprir a promessa de um consenso harmônico, visto a indecidibilidade habitar os momentos da decisão.
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