A crise silenciosa na formação de professores no Brasil: análise do Censo da Educação Superior
DOI:
https://doi.org/10.18593/r.v50.37673Palavras-chave:
Formação de professores, educação a distância, Políticas educacionais.Resumo
Este estudo examina a crise estrutural que compromete a formação de professores no Brasil, com base no Censo da Educação Superior 2024 e no Censo Escolar 2024. A maioria dos licenciandos está matriculada em cursos a distância, modalidade com elevadas taxas de desistência, especialmente nas áreas de maior déficit docente na Educação Básica. A precarização profissional manifesta-se na predominância de contratos temporários nas redes estaduais e na remuneração inferior à de profissionais com escolaridade equivalente, meta do Plano Nacional de Educação (2014-2024) (Brasil, 2014) que permanece sem equacionamento. Indaga-se: o que esses dados revelam sobre a crise na formação inicial de professores e quais implicações têm para as políticas de valorização da carreira docente? Identificam-se três fatores críticos: mercantilização da formação, desvalorização da carreira e insuficiência das políticas públicas. A partir desses fatores, o estudo caracteriza dimensões da crise e aponta orientações de política pública sustentadas por essa análise. Programas como Pibid e Residência Pedagógica apresentam impactos positivos, porém de alcance limitado. Propõe-se um conjunto integrado de políticas que articule valorização da carreira, regulação dos cursos a distância, expansão da formação presencial e ampliação das políticas de permanência estudantil. Superar essa crise é condição estratégica para o futuro da educação brasileira.
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