A escrita na redação do ENEM: a tragédia da instrumentalização do pensamento
DOI:
https://doi.org/10.18593/r.v50.37097Palavras-chave:
ensino médio, escrita, redação do ENEM, formação humanaResumo
Neste ensaio teórico, problematizam-se as relações entre a escrita no presente e o esmaecimento de sua dimensão formativa em uma racionalidade neoliberal. O recorte adotado é o das redações do Exame Nacional do Ensino Médio, marcadas pela Base Nacional Comum Curricular e pela reforma do Novo Ensino Médio. O objetivo é estabelecer um diálogo entre o conceito de desbarbarização em Adorno e a escrita como prática de subjetivação em Foucault, a partir de pontos de convergência em suas críticas à racionalidade instrumental que se consolidou desde a modernidade e que se transforma na contemporaneidade. Nesse sentido, é preciso criar espaços de fuga da racionalidade instrumental, que se atualiza no presente por intermédio do neoliberalismo, que reduz a escrita a uma mera função de registro e comunicação, com base em uma forma previamente estabelecida. O exercício do texto escrito, conclui-se, mais do que um simples registro ou concretização do processo de pensamento, pode ser uma prática que exerce o pensamento em ação, ao refletir sobre a própria vida e suas manifestações no mundo.
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