A escrita na redação do ENEM: a tragédia da instrumentalização do pensamento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18593/r.v50.37097

Palavras-chave:

ensino médio, escrita, redação do ENEM, formação humana

Resumo

Neste ensaio teórico, problematizam-se as relações entre a escrita no presente e o esmaecimento de sua dimensão formativa em uma racionalidade neoliberal. O recorte adotado é o das redações do Exame Nacional do Ensino Médio, marcadas pela Base Nacional Comum Curricular e pela reforma do Novo Ensino Médio. O objetivo é estabelecer um diálogo entre o conceito de desbarbarização em Adorno e a escrita como prática de subjetivação em Foucault, a partir de pontos de convergência em suas críticas à racionalidade instrumental que se consolidou desde a modernidade e que se transforma na contemporaneidade. Nesse sentido, é preciso criar espaços de fuga da racionalidade instrumental, que se atualiza no presente por intermédio do neoliberalismo, que reduz a escrita a uma mera função de registro e comunicação, com base em uma forma previamente estabelecida. O exercício do texto escrito, conclui-se, mais do que um simples registro ou concretização do processo de pensamento, pode ser uma prática que exerce o pensamento em ação, ao refletir sobre a própria vida e suas manifestações no mundo.

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Biografia do Autor

Alexandre Ricardo Marins, Escola Anchieta - Rede Jesuíta de Educação

Doutor em Filosofia da Educação, pela Universidade de São Paulo, com pós-doutorado em Educação, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos; mestre em Educação: Currículo, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; pós-graduado em Gestão Educacional, pela Faculdade Cenecista Catanduvas; graduado em Pedagogia, pela Universidade do Vale do Sapucaí. Também é formado em Filosofia, pelo Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre, e em Teologia, pelo Instituto Teológico São José. Tem ampla experiência em Gestão e Planejamento Educacional, atuando principalmente nas seguintes áreas: currículo, educação bilíngue, avaliação e formação de professores. Autor de livros na área da Educação. Atualmente é Diretor Acadêmico da escola Anchieta - Rede Jesuíta de Educação, em Nova Friburgo.

Betina Schuler, (51) 981660043

Pós-Doutorada em Educação pela Universidade de Lisboa, Portugal. Pós-Doutorada em Ciências Humanas pela Griffith University, Austrália. Doutora e Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Graduada em Pedagogia pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Atualmente é Docente na Escola de Humanidades e no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) na Linha de Pesquisa Formação, Pedagogias e Transformação Digital. Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (Avaliação 7 Capes). Líder do Grupo de Pesquisa Carcarás: Grupo de Estudo e Pesquisa entre Educação Filosófica, Escrita e Leitura (CNPq/Unisinos). Integrante da Rede Nacional de Pesquisa em Educação Filosófica e da Rede Internacional de Investigação em Inclusão, Aprendizagem e Tecnologias em Educação (RIIATE). Atua principalmente nos temas: estudos foucaultianos em educação; educação filosófica e práticas de escrita e leitura; infância e subjetivação; literatura; docências. Tem experiência docente na Educação Infantil e nos anos inicias e finais do Ensino Fundamental.

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Publicado

19-12-2025

Como Citar

MARINS, Alexandre Ricardo; SCHULER, Betina. A escrita na redação do ENEM: a tragédia da instrumentalização do pensamento. Roteiro, [S. l.], v. 50, p. e37097, 2025. DOI: 10.18593/r.v50.37097. Disponível em: https://periodicos.unoesc.edu.br/roteiro/article/view/37097. Acesso em: 18 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos de demanda contínua