Civis e militares: a vigilância e a repressão nas universidades na ditadura empresarial-militar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18593/r.v50.36657

Palavras-chave:

Ditadura Civil-Militar, Universidades, Educação

Resumo

Este trabalho apresenta como objetivo a análise da aproximação entre as Forças Armadas e empresários, banqueiros e representantes do capital internacional no golpe de 1964, na consolidação da ditadura. A partir de uma pesquisa bibliográfica e documental, é possível identificar a construção de um inimigo comum que seria responsável por todas as nossas mazelas: o comunismo. A partir do materialismo histórico-dialético, a compreensão do tema em tela requer a análise do contexto marcado pelo crescimento urbano e industrial, da crescente organização dos trabalhadores do campo e das cidades, além do movimento estudantil em um momento histórico marcado pelo acirramento Guerra Fria e da Revolução Cubana (1959). Com a materialização do golpe, a ditadura se consolidou por meio de ações arbitrárias e da repressão contra as lideranças mais combativas, os sindicatos e o movimento estudantil. Cumpre assinalar que as universidades expressaram todas as contradições da ditadura. Por fim, a reforma do ensino superior se fez com o expurgo de docentes e discentes em diferentes instituições de ensino com objetivo de torná-las instituições geridas segundo os parâmetros do capital.

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Biografia do Autor

Marco Antônio de Oliveira Gomes, Universidade Estadual de Maringá

Possui licenciatura plena em História pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1988); Pedagogia pela Faculdade de Ciências e Letras Plínio Augusto do Amaral (1997); Mestrado (2001), Doutorado (2008) e Pós Doutorado em História e Filosofia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é Professor Associado da Universidade Estadual de Maringá. Líder do Grupo de Pesquisa "Fundamentos Históricos da Educação" - UEM/CNPq". Participa do Grupo de Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil - Histedbr/UNIR e do Grupo de Estudos e Pesquisa em História da Educação, Intelectuais e Instituições Escolares (Universidade Estadual de Maringá)

Maria Cristina Gomes Machado , Universidade Estadual de Maringá

Maria Cristina Gomes Machado é Doutora em Filosofia e História da Educação (1999), pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Possui Graduação em Pedagogia (1987) e Mestrado em Fundamentos da Educação (1993), ambos pela Universidade Estadual de Maringá - UEM. Realizou estágio de Pós-doutorado na área de Educação (2010), na Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. É Professora Titular da Universidade Estadual de Maringá - UEM.  Participa como líder no Grupo de Estudos e Pesquisas História da Educação, Intelectuais e Instituições Escolares (GEPHEIINSE) - GT HISTEDBR MARINGÁ

Crislaine Aparecida Pita, Universidade Estadual de Maringá

Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) na linha de pesquisa de História e historiografia da educação. Mestra em Educação pela Universidade Estadual de Maringá-UEM (2021). Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá-UEM (2018). É membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Fundamentos Históricos da Educação (GEPFHE). É professora da rede municipal de educação de Maringá-PR e Bolsista CAPES.

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Publicado

16-12-2025

Como Citar

GOMES, Marco Antônio de Oliveira; MACHADO , Maria Cristina Gomes; PITA, Crislaine Aparecida. Civis e militares: a vigilância e a repressão nas universidades na ditadura empresarial-militar. Roteiro, [S. l.], v. 50, p. e36657, 2025. DOI: 10.18593/r.v50.36657. Disponível em: https://periodicos.unoesc.edu.br/roteiro/article/view/36657. Acesso em: 8 fev. 2026.

Edição

Seção

Artigos de demanda contínua