Colonialismo digital e educação: entrelaçamentos de pedagogias decoloniais para a promoção da democracia cognitivo-digital

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18593/r.v49.35527

Palavras-chave:

Colonialismo Digital, Pedagogia Decolonial, Tecnologia e Educação

Resumo

O artigo configura-se como um estudo teórico-conceitual cujo objetivo consiste em analisar a relação entre o colonialismo digital e o discurso tecnológico no campo da educação, apostando no diálogo entre propostas pedagógicas decoloniais para o enfrentamento da colonialidade. Entende-se que o colonialismo digital não apenas reforça, como também reconfigura e recrudesce a colonialidade, na medida em que produz um discurso tecnológico supostamente universal, pautado na lógica da inclusão digital, da inovação e do grafocentrismo digital. Defendemos que se coloquem em diálogo as proposições pedagógicas decoloniais de Catherine Walsh, de Luiz Rufino e de Karina Menezes. O enlace destas três propostas é potencialmente transgressor, pois produz um caminho de esperança e de luta antirracista, anticolonial e anticapitalista, servindo de alternativa para abrir frestas e viabilizar o diálogo intercultural transmoderno no campo da educação. Reivindicamos uma democracia cognitivo-digital, em substituição ao império da colonialidade que produz e reproduz diferenças abissais, desumanizações e universalidades abstratas.

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Biografia do Autor

Bruno Joaquim, Universidade Federal de São Paulo - Unifesp

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP). Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Educação pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atualmente desenvolve um pós-doutorado na Universidade do Algarve (UALG-Portugal). Membro do Grupo de Pesquisa LEC: Linguagem, Educação e Cibercultura (UNIFESP). Membro do Grupo de Estudos "Letramentos e Decolonialidade" (UNIFESP e UdeA - Colômbia).

Lucila Pesce, Universidade Federal de São Paulo - Unifesp

Doutora (2003) e mestre (1999) em Educação: Currículo, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), com pós-doutorado (2007) em Filosofia e História da Educação, pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); bacharel e licenciada em Letras - Português e Inglês (1985), pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Professora Associada do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); professora do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNIFESP. Vice coordenadora do curso de Pedagogia da UNIFESP (julho de 2017 a julho de 2019). Líder do Grupo de Pesquisa LEC: Linguagem, Educação e Cibercultura. Consultora ad hoc do GT 16 (Educação e Comunicação) da ANPED - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação de 2007 a 2017, foi membro da equipe gestora do GT 16 da ANPEd (gestão 2017-2019; gestão 2019-2021). Atualmente é membro titular do comitê científico do GT 16 da ANPEd. Membro das seguintes redes internacionais de pesquisa: REPEM (Rede de Pesquisas em Educação e Mídia, Unirio), Red Estrado (Rede Latino-Americana de Estudos sobre Trabalho Docente), COLEARN (Collaborative Open Learning, The Open University, vinculada à Responsible Research and Innovation - RRI). Membro do Comitê Gestor do LIFE - Unifesp: Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores (CAPES), de agosto de 2012 a maio de 2019. Assessora científica da FAPESP e do CNPq (PIBIC/AF/PIBITI). Tem investigado nas seguintes áreas: Linguagem Hipermídia e Processos Formativos; Linguagem Hipermídia e Educação Básica; Linguagem Hipermídia e Formação Inicial de Professores; Linguagem Hipermídia e Formação Continuada de Professores. site: http://sites.google.com/site/lucilapesce/ (Fonte: Currículo Lattes)

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Publicado

08-04-2025

Como Citar

JOAQUIM, Bruno; PESCE, Lucila. Colonialismo digital e educação: entrelaçamentos de pedagogias decoloniais para a promoção da democracia cognitivo-digital. Roteiro, [S. l.], v. 49, p. e35527, 2025. DOI: 10.18593/r.v49.35527. Disponível em: https://periodicos.unoesc.edu.br/roteiro/article/view/35527. Acesso em: 9 mar. 2026.

Edição

Seção

Artigos de demanda contínua