Responsabilidade ambiental nas pesquisas em educação: a difícil conjugação de saber, poder, fazer e dever
DOI:
https://doi.org/10.18593/r.v49.34689Palavras-chave:
Hans Jonas, educação, tecnologia, responsabilidade, responsabilidade ambientalResumo
O objetivo do presente artigo é analisar, a partir do pensamento do filósofo alemão Hans Jonas, como a responsabilidade ambiental se apresenta como um desafio para as pesquisas e as práticas em educação no mundo contemporâneo. Para tanto, começaremos por analisar como, segundo o filósofo, o “novo” se tornou uma espécie de epíteto recomendatório e uma marca central da modernidade, mobilizando os esforços da educação a serviço do estado permanente de revolução fundado pela ciência e pela tecnologia. Demonstraremos como tal revolução começa com uma mudança no status do saber, que foi sequestrado pela lógica do poder e do fazer, em detrimento do dever – de forma que a tecnologia se desvencilha da ética. Explicaremos, a seguir, como esse processo desfigurou o papel da educação na medida em que rompeu com os ideias e valores da tradição, em função da ascensão do ideal da inovação, cujas consequências se revelam, em nossos dias, no esgotamento dos recursos naturais, na extinção das espécies e no risco de desaparecimento da própria espécie humana. Nesse cenário, cabe à educação uma tarefa cósmica: educar para o sentimento de pertença à humanidade, resgatando valores como a frugalidade e ensinando a fidelidade à Terra.
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