ENTRE A QUIMIOTERAPIA E AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS: UM ESTUDO SOBRE O USO E A PERCEPÇÃO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS NO MEIO-OESTE CATARINENSE

Autores

  • Kauã Dal Cero Zanatta Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Tatiane Nogueira Gonzalez
  • Ana Júlia Peccin Sartori
  • Juliana Fernandes Areal Carrizo
  • Luana Patrícia Marmitt

Resumo

Introdução: No Brasil, o câncer é a segunda causa de morte mais frequente, representando aproximadamente 232 mil novos óbitos anuais, sendo o sucesso no tratamento resultado da soma entre intervenções médicas e fatores sociais/ambientais. Nessa linha, visando diminuir os efeitos colaterais e aumentar a qualidade de vida, muitos pacientes optam por utilizar terapias complementares, concomitantemente à quimioterapia. Contudo, essas práticas ainda carecem de maior investigação sobre prevalência, motivações e implicações clínicas. Objetivo: Avaliar o uso de práticas integrativas e complementares por pacientes oncológicos em tratamento quimioterápico no Meio-Oeste Catarinense, investigando sua prevalência, motivações e possíveis implicações no cuidado e adesão ao tratamento convencional. Métodos: Estudo quantitativo transversal realizado no setor de oncologia do Hospital Universitário Santa Terezinha (Joaçaba-SC), entre outubro de 2024 e julho de 2025. Foram incluídos pacientes com idade ≥18 anos, de ambos os sexos, em tratamento quimioterápico para neoplasias malignas. A coleta de dados foi feita mediante entrevista e questionário estruturado, contemplando variáveis sociodemográficas, hábitos de vida, práticas complementares, motivações, fontes de informação, percepções de segurança e comunicação com a equipe médica. Os dados foram analisados por estatística descritiva. Resultados: Participaram 363 pacientes, a maioria do sexo feminino (65,6%) e com média de idade de 58 anos (DP = 13,2). O uso de práticas complementares após o diagnóstico foi relatado por 75,2% dos entrevistados. As mais utilizadas foram chás e plantas medicinais (60,9%), suplementos vitamínicos/minerais (24,8%) e dietas especiais (12,4%). A frequência de uso foi predominantemente diária (40,4%) e 88,9% relataram sensação de bem-estar associada. As principais motivações foram melhorar a saúde geral (50,5%), obter suporte emocional e bem-estar (15,5%) e tratar efeitos colaterais da quimioterapia (13,7%). Apesar disso, 59,3% não comunicavam o uso das terapias complementares/alternativas ao médico. Quanto à percepção, 40,5% acreditavam que poderiam auxiliar no tratamento, 31,4% que não interferiam e 9,4% que poderiam prejudicar. Conclusão: O estudo evidenciou elevada prevalência de uso de práticas complementares/alternativas entre pacientes oncológicos, especialmente voltada ao bem-estar e alívio de efeitos adversos da quimioterapia. Entretanto, a baixa comunicação com a equipe médica representa um desafio para a segurança do tratamento. Os achados reforçam a necessidade de maior diálogo entre profissionais de saúde e pacientes, além de estratégias de educação em saúde que favoreçam uma abordagem integrativa, consciente e segura no cuidado oncológico.

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Publicado

19-11-2025

Como Citar

Zanatta, K. D. C., Gonzalez, T. N., Sartori, A. J. P., Carrizo, J. F. A., & Marmitt, L. P. (2025). ENTRE A QUIMIOTERAPIA E AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS: UM ESTUDO SOBRE O USO E A PERCEPÇÃO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS NO MEIO-OESTE CATARINENSE. Seminário De Iniciação Científica E Seminário Integrado De Ensino, Pesquisa E Extensão (SIEPE), e38136. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/siepe/article/view/38136

Edição

Seção

PIBIC - CNPq