AGENTES INFECCIOSOS ASSOCIADOS A FALHAS REPRODUTIVAS EM FÊMEAS SUÍNAS DE DESCARTE EM ABATEDOURO
Resumo
Introdução: A suinocultura é uma importante cadeia produtiva no Brasil, liderada por Santa Catarina, sendo as falhas reprodutivas, como anestro, aborto e retorno ao estro, as principais causas de descarte de fêmeas e de impacto econômico nas granjas. Diversos agentes infecciosos, PCV2, PCV3 e Toxoplasma gondii, têm sido associados a essas alterações, mas a investigação laboratorial ainda é limitada, fazendo com que muitas fêmeas sejam descartadas sem diagnóstico, representando risco à saúde pública. Objetivo: O objetivo desse trabalho é descrever achados epidemiológicos e análises laboratoriais e exames histopatológicos sobre possíveis agentes infecciosos e suas lesões associadas em órgãos reprodutivos de fêmeas suínas de descarte. Método: Neste estudo, foram coletadas amostras de sangue, útero e ovários de 156 fêmeas de descarte oriundas de produtores da Cooperalfa, classificadas em grupos controle e falha reprodutiva com base no histórico clínico. As amostras passaram por avaliação macroscópica e histopatológica, análises moleculares (qPCR para PCV2 e PCV3) e teste de imunofluorescência indireta para detecção de anticorpos anti-T. gondii. Resultados: As falhas reprodutivas corresponderam a 24,7% dos descartes, com aborto como principal causa (39,7%), seguido por retorno ao estro (32,1%), anestro (12,8%), falsa prenhez (11,5%) e metrite (3,8%). A ordem média de parto das fêmeas descartadas foi de 2 paridades, sendo 62,5% eliminadas ainda em paridades precoces (0-2). Macroscopicamente, cistos infundibulares foram a alteração mais frequente. Entre 32 animais positivos para PCV3, 25 apresentaram lesões microscópicas compatíveis com infecção, e o aborto foi a principal causa de descarte dessas fêmeas. Duas amostras de soro testaram positivas para T. gondii. Conclusão: O estudo evidencia que falhas reprodutivas são causa importante de descarte em fêmeas jovens, destacando a importância de diagnósticos precoces, avaliação do aparelho reprodutivo e capacitação contínua de profissionais. A associação da infecção por PCV3 com lesões microscópicas no aparelho reprodutor das fêmeas reforça a necessidade de pesquisas adicionais, enquanto que o monitoramento de biosseguridade é essencial para prevenir a disseminação de agentes infecciosos de relevância animal e zoonótica.
