PERFIL CLÍNICO E SOCIODEMOGRÁFICO DE INDIVÍDUOS COM DOENÇA DE PARKINSON PARTICIPANTES DE UM PROJETO DE PESQUISA NO RIO GRANDE DO SUL
Resumo
Introdução:
A Doença de Parkinson (DP) é uma condição neurodegenerativa crônica e progressiva, caracterizada por sintomas motores, como bradicinesia, rigidez e instabilidade postural, além de manifestações não motoras, como distúrbios cognitivos, autonômicos e do humor. Esses comprometimentos impactam a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida. A evolução clínica da DP é heterogênea e modulada por fatores como idade de início, sexo, tempo de diagnóstico, comorbidades e estágio clínico. Nesse contexto, a caracterização do perfil sociodemográfico e clínico de pessoas com DP é fundamental para subsidiar a interpretação de achados científicos e orientar estratégias de reabilitação mais direcionadas.
Objetivo:
Caracterizar o perfil sociodemográfico e clínico de indivíduos com DP participantes de um projeto de pesquisa no Rio Grande do Sul, a fim de apoiar a interpretação de resultados clínicos e o planejamento de intervenções personalizadas.
Métodos:
Estudo observacional, transversal, com análise de fichas de avaliações de um projeto de pesquisa conduzido em Porto Alegre/RS. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (CAAE 56760422.2.0000.5345). A amostra incluiu 28 prontuários contendo dados de gênero, idade, estatura, massa corporal, índice de massa corporal (IMC), desempenho cognitivo, tempo de diagnóstico e estadiamento motor da DP. Os dados foram analisados por estatística descritiva, com médias, desvios-padrão e frequências absolutas.
Resultados:
A amostra apresentou predominância do sexo masculino (61%, n = 17). A média de idade foi de 70,0 ± 9,0 anos, com estatura de 1,66 ± 0,1 m, massa corporal de 71,3 ± 10,6 kg e IMC de 26,2 ± 3,2 kg/m², caracterizando sobrepeso leve. O desempenho cognitivo, avaliado pelo Montreal Cognitive Assessment (MoCA), foi de 27,7 ± 1,6 pontos, sugerindo cognição preservada. O tempo médio desde o diagnóstico foi de 3,8 ± 1,9 anos, indicando início relativamente recente da doença. Quanto ao estadiamento clínico, pela escala de Hoehn & Yahr (H&Y), três participantes estavam no estágio 1,5; dez no estágio 2; dez no estágio 2,5; e oito no estágio 3, evidenciando predominância de fases leves a moderadas.
Conclusão:
Os participantes apresentaram perfil homogêneo, com predominância de homens idosos, sobrepeso leve, cognição preservada e tempo de diagnóstico relativamente curto. A maioria encontrava-se em estágios iniciais a moderados da H&Y, caracterizando uma população funcionalmente preservada, mas já com manifestações motoras típicas da DP. Esses achados reforçam a relevância de estratégias de intervenção precoce, voltadas a otimizar a funcionalidade e retardar a progressão das limitações associadas à doença.
