QUANDO O AMOR É RESISTÊNCIA PARA ENFRENTAR O RACISMO: UM ESTUDO DE CASO CLÍNICO NA GESTALT-TERAPIA
Resumo
Introdução: Nesse processo terapêutico conduzido com um casal durante o período de estagio na Clínica Escola,
sob a abordagem da Gestalt-Terapia, um casal buscou atendimento após vivenciar episódios de racismo, foi través
da escuta fenomenológica, acolhimento das emoções e do favorecimento da tomada de consciência, foi possível
ampliar o contato consigo e com o outro. Objetivo: Uma proposta terapêutica com base na criação de um
espaço seguro para que ambos pudessem elaborar suas dores e ressignificar suas vivências como casal, bem como
ampliar a compreensão sobre os desafios das relações amorosas marcadas por sofrimento emocional e exclusão
social. Método: Durante as sessões, ampliou-se a consciência de cada parceiro sobre a forma de se relacionar e
criar espaço para novos ajustes criativos apos sofrem racismo. A escuta ativa e a nomeação das emoções
auxiliaram no resgate da presença e do cuidado mútuo. Focou-se no acolhimento das emoções, auxiliando e
permitindo a elaboração da dor e favorecendo o empoderamento como casal. A escuta clínica é um espaço vivo
de construção mútua, onde a consciência das fronteiras, o respeito às individualidades são fundamentais para criar
novos significados, sustentar a intimidade e promover um encontro verdadeiro com o outro e consigo mesmo
diante do ocorrido. Resultados: Foi possível observar que o casal compartilha as dores do racismo e das
experiências de exclusão, também apresentavam dificuldades em reconhecer o lado afetivo um do outro e
expectativas não comunicadas impediam o diálogo afetivo. A awareness, compreendida como o processo de
tomada de consciência, foi gradualmente favorecida ao longo do acompanhamento e a atuação no campo
relacional possibilitou que esses bloqueios fossem reconhecidos com mais clareza, abrindo espaço para novas
formas de ajustes na relação. Conclusão: A vivência do racismo e os conflitos conjugais, gerou sofrimento
significativo ao casal. O processo terapêutico possibilitou a ampliação da consciência, a expressão emocional e o
fortalecimento do vínculo. A Gestalt-Terapia é uma abordagem potente no acolhimento da dor, na escuta mútua,
empática e transformadora. O acompanhamento do casal sustentou o crescimento mútuo, a expressão de
necessidades e o ajustamento criativo diante dos desafios, o casal caminha rumo a relações mais conscientes e
respeitosas, reafirmando a possibilidade de transformação mesmo em contextos marcados por dor e exclusão.
Palavras-chave: Gestalt-Terapia; Racismo; Relacionamento; Casal; Saúde Mental.
