SAÚDE DO TRABALHADOR E APTIDÃO FÍSICA EM MILITARES E POLICIAIS: REVISÃO SISTEMÁTICA (2015–2025)
Resumo
Introdução: Profissionais da segurança pública, como policiais, militares e agentes penitenciários, estão expostos a condições ocupacionais adversas que envolvem alta demanda física, carga horária irregular, estresse psicológico e privação de sono. Esses fatores contribuem para o surgimento de doenças crônicas, distúrbios metabólicos e redução da aptidão física, comprometendo a saúde e a eficiência em tarefas operacionais. Apesar da relevância do tema, a produção científica carece de revisões sistemáticas que integrem, de forma crítica, os aspectos fisiológicos, funcionais e epidemiológicos da saúde desses trabalhadores. Objetivo: O objetivo deste estudo foi revisar sistematicamente as evidências sobre saúde ocupacional e aptidão física de profissionais da segurança pública entre 2015 e 2025. Método: A revisão foi conduzida de acordo com as recomendações do PRISMA, com buscas realizadas em junho de 2025 nas bases PubMed, Scopus, SciELO, OasisBR e Scispace. Foram incluídos estudos observacionais originais, em português ou inglês, que avaliaram quantitativamente profissionais da segurança pública adultos, abordando pelo menos duas dimensões entre saúde, aptidão física e condição funcional. Excluíram-se artigos de revisão, relatos de caso, estudos qualitativos puros e textos sem acesso ao conteúdo integral. A triagem inicial identificou 2001 registros, dos quais 23 atenderam plenamente aos critérios e foram incluídos na análise. O risco de viés foi avaliado segundo os instrumentos do Joanna Briggs Institute. Resultados: Os resultados revelaram predominância de delineamentos transversais (74%) e grande heterogeneidade metodológica. A maioria dos estudos avaliou composição corporal, aptidão cardiorrespiratória, força muscular e indicadores clínicos relacionados à saúde ocupacional. Mais da metade das amostras apresentou composição corporal inadequada, frequentemente associada à redução de força e desempenho físico. Identificou-se correlação entre baixos níveis de aptidão cardiorrespiratória e maior risco de hipertensão, obesidade e dislipidemias. Além disso, policiais e militares com menor condição física apresentaram maior absenteísmo e desempenho reduzido em atividades críticas, como perseguições, contenções e manuseio de equipamentos. Apenas três estudos mencionaram programas institucionais estruturados de treinamento, geralmente restritos à fase de formação inicial. Quando presentes, as intervenções supervisionadas demonstraram eficácia na melhora de força e VO₂máx, indicando potencial de mitigação dos efeitos do estresse ocupacional e da inatividade. Conclusão: Conclui-se que profissionais da segurança pública apresentam vulnerabilidade elevada a doenças crônicas e redução da funcionalidade decorrentes da baixa aptidão física e do estresse ocupacional. Há necessidade de políticas institucionais que priorizem programas permanentes de avaliação, treinamento supervisionado e promoção da saúde, a fim de preservar a integridade física e otimizar a capacidade operacional dessa população.
