APRENDENDO MICROBIOLOGIA DO SOLO: DESCRIÇÃO DE AULA PRÁTICA
Resumo
Introdução: Os microrganismos do solo são vitais para a fertilidade, decomposição de matéria orgânica e ciclagem de nutrientes. A composição e a atividade microbiana variam conforme a disponibilidade de nutrientes no solo, destacando a relevância de entender esse sistema complexo e de dominar práticas básicas de manuseio, isolamento e manipulação de microrganismos. Aulas práticas de microbiologia do solo são essenciais para compreender diversidade, atividade e funções desses microrganismos. Essas atividades permitem observação direta, além de testes de isolamento, quantificação e identificação de diferentes grupos microbianos. Objetivo: Desenvolver práticas de laboratório que integrem teoria e aplicação, permitindo o isolamento, a quantificação e a identificação parcial de microrganismos do solo, enfatizando sua importância. Método: A atividade foi desenvolvida no componente de Microbiologia Agropecuária, do 1º semestre do curso de Agronomia – Unoesc/Videira. Os alunos desenvolveram práticas que aplicam conceitos teóricos e fortalecem habilidades laboratoriais. O trabalho ocorreu em três aulas práticas, com alunos divididos em seis grupos. As etapas incluíram produção e esterilização de meios de cultura, coleta e preparação de amostras de solo, técnicas de isolamento e contagem de microrganismos, e identificação parcial por coloração de Gram. Dois tipos de solo (pobre e rico em nutrientes) foram analisados, com meios para isolamento de bactérias e fungos. As contagens foram expressas em UFC (Unidades Formadoras de Colônias), calculadas como médias dos grupos. Técnicas como streaking, diluição decimal seriada, meios AN (agar nutriente) e PDA (agar batata-dextrose), esterilização por autoclavagem, uso de Bunsen e fluxo laminar foram empregadas. Resultados: As contagens de microrganismos por diluições seriadas mostraram maior abundância em solo rico do que em solo pobre. No solo pobre, foram observados 4 x 10^3 UFC/g de fungos e 1,06 x 10^6 UFC/g de bactérias; no solo rico, 1,02 x 10^4 UFC/g de fungos e 2,64 x 10^7 UFC/g de bactérias. A coloração de Gram permitiu distinguir bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, além de fungos filamentosos e leveduras, indicando maior diversidade de microrganismos no solo mais rico. Observou-se, conforme a literatura, que solos com maior disponibilidade de nutrientes apresentam maior diversidade e abundância microbiana. Conclusão: Conclusivamente, solos ricos em nutrientes apresentam maior quantidade e diversidade de microrganismos (fungos e bactérias) do que solos pobres. As aulas práticas mostraram ser ferramentas fundamentais para o desenvolvimento dos estudantes, proporcionando compreensão prática dos conceitos teóricos e o desenvolvimento de habilidades laboratoriais essenciais, muitas das quais não são plenamente alcançadas apenas na teoria.
