DERRETIMENTO DO PERMAFROST: UMA REVISÃO PALEOMICROBIÓLOGICA DOS RISCOS RECRUDESCENTES
Resumo
Introdução: O permafrost, encontrado sobretudo no Hemisfério Norte, com condições climáticas específicas
favorece a preservação de diversas formas de vida e DNA antigo (aDNA) armazenadas por criogenia, tornando-se
um recurso essencial para a paleomicrobiologia. Por meio de técnicas avançadas e análises, essa ciência
consegue compreender adaptações evolutivas e avaliar os riscos de reemergência de patógenos diante das
consequências do aquecimento global. Objetivo: Analisar o papel da paleomicrobiologia na reconstrução de
epidemias passadas e na previsão de impactos futuros associados ao degelo do permafrost. Método: Foi realizada
uma revisão narrativa da literatura em artigos científicos disponíveis nas bases PubMed, SciELO e Web of Science,
publicados entre 2015 e 2025. Para a busca, utilizaram-se os descritores “PALEOMICROBIOLOGY” e “PERMAFROST”,
combinadas com o operador booleano “AND”, dos quais foram selecionados sete trabalhos. Resultados: Os
estudos relacionados ao permafrost demonstram que há um armazenamento extenso de biodiversidade ainda
viável quanto DNA fragmentado, incluindo bactérias, fungos e vírus, informação que inevitavelmente causa
preocupações com a possível liberação destes patógenos, tal como o risco da propagação de genes de alta
resistência antimicrobiana, visto que tais formas de vida têm demonstrado fácil readaptação. Análises de amostras
com mais de 30.000 anos revelam a presença de genes capazes de promover maior resistência à condições como
mudanças de temperatura bruscas, esporulação e à escassez de água e nutrientes. Com o intuito de rastrear e
compreender as espécies conservadas no permafrost, foram realizados estudos aprofundados utilizando análises
moleculares de sequenciamento genômico, os quais têm o objetivo de reconhecer esses organismos, além de
investigar suas potenciais ameaças à biodiversidade perante ao aquecimento global. Neste contexto, destaca-se a
bactéria Bacillus anthracis (agente do antraz), cujos genomas foram recuperados e analisados devido a suspeitas
de seu envolvimento em um surto de antraz na Sibéria ocorrido em Julho de 2016, decorrente do degelo do
permafrost. Conclusão: Conclui-se que as informações obtidas através da paleomicrobiologia contribuem
profundamente para o conhecimento do processo evolutivo e adaptativo magnífico destes organismos, ao mesmo
tempo em que nos alerta sobre como os impactos ambientais, como o aquecimento global, expõe o mundo a
riscos biológicos diretamente ligados ao derretimento do permafrost e, consequentemente, o reaparecimento de
formas de vida que achávamos estarem perdidas há muito tempo. Palavras-chave: Permafrost; Paleomicrobiologia; Patógenos emergentes; DNA antigo; Estratégias adaptativas;
