EXPOSIÇÃO A FAKE NEWS EM SAÚDE ENTRE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM QUIMIOTERAPIA NO MEIO-OESTE CATARINENSE
Resumo
Introdução: A disseminação de notícias falsas (fake news) sobre câncer e tratamentos oncológicos tem crescido
com o uso das redes sociais, podendo comprometer a adesão às terapias convencionais, gerar insegurança e
impactar negativamente a saúde dos pacientes. Objetivo: Investigar a exposição de pacientes oncológicos em
tratamento quimioterápico no Meio-Oeste Catarinense a fake news relacionadas à saúde, identificar as principais
temáticas envolvidas, fontes de disseminação e possíveis impactos na adesão ao tratamento médico. Método:
Estudo transversal realizado no setor de oncologia do Hospital Universitário Santa Terezinha, Joaçaba-SC, entre
outubro de 2024 e julho de 2025. A amostra foi composta por 363 pacientes em tratamento quimioterápico, maiores
de 18 anos, de ambos os sexos. A coleta ocorreu por entrevistas presenciais durante as sessões de quimioterapia,
utilizando questionário estruturado. Foram investigados o recebimento de informações falsas, temas mais
frequentes, fontes de disseminação e se tais informações influenciaram a adesão ao tratamento. Os dados foram
analisados por estatística descritiva. Resultados: A amostra foi composta majoritariamente por mulheres (65,6%),
com média de idade de 58 anos (DP = 13,2); 43,0% possuíam ensino fundamental incompleto, enquanto apenas
13,5% tinham ensino superior completo ou incompleto. Entre os participantes, 35,3% relataram já ter recebido
informações falsas sobre saúde. Os principais temas identificados foram vacinas (25,3%), COVID-19 (25,2%),
tratamento para câncer (19,2%), medicamentos (18,7%), alimentação e dietas (16,2%) e terapias alternativas
(11,6%). As fontes mais citadas foram redes sociais (28,1%) e familiares/amigos (11,3%), enquanto sites de internet
(6,1%), jornais/televisão (2,2%) e profissionais de saúde (1,1%) foram menos mencionados. Chama atenção a
elevada proporção da categoria “outros” (51,2%), que pode refletir dificuldade de especificar ou múltiplas fontes
não contempladas nas opções. Quanto ao impacto, apenas 2,7% dos pacientes afirmaram ter deixado de seguir
uma recomendação médica devido a informações encontradas na internet ou redes sociais. Conclusão: O estudo
evidenciou que mais de um terço dos pacientes oncológicos em tratamento quimioterápico já esteve exposto a
fake news sobre saúde, sobretudo em redes sociais e no convívio com familiares e amigos. Embora a maioria não
tenha alterado sua adesão às recomendações médicas, o contato frequente com informações falsas representa
um risco potencial, sobretudo em temas críticos como vacinas e terapias para câncer. Os achados reforçam a
necessidade de estratégias de educação em saúde, fortalecimento da comunicação médico-paciente e
combate sistemático à desinformação para garantir maior segurança e qualidade no cuidado oncológico.
