CIÊNCIA CIDADÃ E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO ALCANCE DAS METAS DO ODS 11
Resumo
Introdução: O crescimento urbano impõe desafios ao desenvolvimento sustentável e limita a eficácia de abordagens tradicionais de planejamento. Nesse cenário, a inteligência artificial (IA) surge como ferramenta estratégica para tornar as cidades mais inteligentes e eficientes, enquanto a ciência cidadã (CC) fortalece a participação da população na produção de dados e desenho de soluções. A integração dessas abordagens amplia a capacidade de processar informações, democratiza o conhecimento e contribui para o ODS 11, Cidades e Comunidades Sustentáveis. Contudo, seu uso levanta dilemas éticos e sociais, como a exclusão digital, os riscos de vieses algorítmicos e a necessidade de transparência e equidade. Objetivo: Analisar a convergência entre IA e CC na gestão de projetos interdisciplinares voltados ao ODS 11, discutindo fundamentos técnicos, dilemas éticos e impactos na governança urbana e na inclusão social. Método: Se constitui em revisão de literatura, nas bases Web of Science, Scopus e Google Scholar, utilizando termos como “citizen science”, “artificial intelligence”, “urban sustainability”, “SDG 11” e “public administration”. O levantamento permitiu identificar experiências, metodologias e debates contemporâneos sobre a aplicação conjunta da IA e da CC em contextos urbanos. Resultados: A análise revelou que a CC amplia a participação comunitária em processos de planejamento urbano, por meio da coleta colaborativa de dados, enquanto a IA agrega valor ao automatizar a classificação, validação e análise das informações. Modelos de aprendizado de máquina e visão computacional, mostraram potencial para diagnósticos efetivos em áreas vulneráveis. A integração das duas ferramentas favorece a inclusão social, fortalece a diversidade de colaboradores e contribui para metas específicas do ODS 11, como transporte seguro, preservação do patrimônio e redução do impacto ambiental urbano. Experiências educacionais demonstram que projetos apoiados por IA e CC podem funcionar como laboratórios vivos, estimulando inovação social e empoderamento comunitário. Também, destacam-se riscos relacionados à privacidade, à falta de marcos éticos e ao perigo de centralização do poder decisório em sistemas opacos. Conclusão: A integração entre IA e CC apresenta potencial para transformar a governança urbana para cidades mais sustentáveis, participativas e resilientes. Ao unir inovação tecnológica, ciência colaborativa e inclusão social, contribui para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e para o fortalecimento da cidadania ativa. Entretanto, sua eficácia depende da construção de políticas éticas, inclusivas e transparentes, que assegurem a participação democrática e evitem o aprofundamento de desigualdades. Assim, IA e CC devem ser vistas como ferramentas de eficiência e instrumentos estratégicos para consolidar modelos urbanos alinhados ao ODS 11.
