SERVIÇOS DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL NO EXTREMO OESTE DE SANTA CATARINA
Resumo
Introdução: A saúde mental no Brasil passou por mudanças significativas desde a Reforma Psiquiátrica e a Lei nº
10.216/2001, que priorizaram o cuidado em liberdade e em serviços substitutivos ao modelo hospitalocêntrico. Nesse
cenário, os leitos de saúde mental em hospitais gerais tornaram-se estratégicos, favorecendo a integralidade do
cuidado e a articulação com outras áreas clínicas. A criação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), pautada
nos princípios do SUS, fortaleceu essa integração ao garantir acesso às tecnologias hospitalares e suporte em
intercorrências clínicas. Na Região de Saúde do Extremo Oeste de Santa Catarina, caracterizada por municípios
pequenos, distantes de centros urbanos e com recursos limitados, os desafios são ainda maiores. Assim, torna-se
essencial compreender como os serviços disponíveis respondem às demandas em saúde mental. O estudo
justifica-se pela necessidade de fortalecer políticas públicas e estratégias de cuidado integral, reconhecendo os
transtornos mentais como problemas coletivos influenciados por fatores sociais, econômicos e culturais. Objetivo:
Conhecer atividades realizadas por profissionais que compõem a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de hospitais
gerais, com leitos em saúde mental na Região de Saúde do Extremo Oeste de Santa Catarina. Método: Pesquisa
qualitativa, utilizando-se como instrumento, um roteiro de questões e como técnica uma entrevista, com
profissionais de saúde que compõem equipes multidisciplinares. As entrevistas ocorreram entre os meses de janeiro
e maio de 2025 nas dependências hospitalares. Resultados: Participaram da pesquisa 08 profissionais, dentre os
quais, psicólogos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, com tempo médio de atuação nos locais de 4,5 anos. A
demanda atendida nos locais caracteriza-se por pessoas com transtornos relacionados ao uso de substâncias
psicoativas, esquizofrenia, transtornos de humor e personalidade, além de situações de crise com ideação e
tentativa de suicídio. O cuidado é prestado com ênfase em práticas integradas e humanizadas, as atividades
desenvolvidas buscam manter rotinas estruturadas e promover a autonomia funcional dos pacientes, durante o
período de internação. Incluindo avaliações clínicas, atendimentos psicológicos, atividades terapêuticas e
ocupacionais. Conclusão: Como facilidades, destacou-se o envolvimento das equipes e a estrutura física dos
serviços. Como dificuldades, resistência dos pacientes em aderir o tratamento, muitas reinternações e
precariedade da Rede de Atenção Psicossocial. Apesar de variações na estrutura e práticas entre os locais
pesquisados, observou-se um esforço concreto na implementação de ações terapêuticas humanizadas, no
fortalecimento das equipes multidisciplinares e na garantia da continuidade do cuidado.
