ADAPTAÇÕES DA FAUNA E RESILIÊNCIA ECOLÓGICA NA ZONA DE EXCLUSÃO DE CHERNOBYL

Autores

  • Kauane Maria Bittencourt Discente do curso de graduação em Ciências biológicas, Unoesc, Joaçaba, SC
  • Pâmela Fagundes Serena Discente do curso de graduação em Ciências biológicas, Unoesc, Joaçaba, SC
  • Alana Hanauer Pereira
  • Alan Savariz Docente do curso de graduação em Ciências biológicas, Unoesc, Joaçaba, SC

Resumo

Introdução: O acidente nuclear de Chernobyl, ocorrido em 26 de abril de 1986 na Ucrânia, é considerado o maior
desastre tecnológico e ambiental do século XX. A explosão do reator liberou material radioativo que contaminou
extensas áreas do Leste Europeu, criando uma zona de exclusão permanente. Embora os impactos imediatos
tenham sido devastadores para a saúde humana, as consequências ecológicas de longo prazo transformaram esta
região em um laboratório único para o estudo da resiliência ambiental e das adaptações da fauna em condições
extremas. Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar as transformações ecológicas e as adaptações da
fauna na região de Chernobyl após o acidente nuclear. Método: A metodologia consiste em uma revisão narrativa
da literatura, utilizando artigos científicos, relatórios técnicos e fontes jornalísticas especializadas publicadas entre
1986 e 2024, selecionadas por sua relevância temática. Resultados: Os resultados revelam uma trajetória temporal
paradoxal. Imediatamente após o desastre, observou-se um drástico declínio na biodiversidade, caracterizado por
elevadas taxas de mortalidade, mutações genéticas e redução da fertilidade em diversas espécies. Árvores, aves e
pequenos mamíferos exibiram deformações morfológicas, enquanto a radiação comprometia a estabilidade do
ecossistema. Contudo, num segundo momento, verificou-se um fenômeno paradoxal: a retirada da população
humana desencadeou um processo de regeneração ecológica que permitiu a recolonização e expansão de
diversas espécies. Um caso emblemático é o dos cães descendentes de animais abandonados durante a
evacuação. Relatos históricos documentam cães perseguindo os ônibus de evacuação, impedidos por soldados
soviéticos. Muitos foram eliminados para conter contaminação, mas alguns sobreviveram, adaptando-se às
florestas da região. Atualmente, formam populações semisselvagens que, apesar de demonstrarem notável
resiliência, apresentam vida média de apenas três anos devido a mutações genéticas, doenças e condições
ambientais adversas. Surpreendentemente, múltiplas espécies reapareceram na região. Ursos-pardos, considerados
extintos localmente há um século, retornaram à zona de exclusão. Populações de lobos, javalis, bisões-europeus,
cavalos-de-Przewalski e aves de rapina não apenas persistiram como expandiram suas populações, ocupando
nichos ecológicos deixados vagos pela ausência humana. Conclusão: Conclui-se que Chernobyl, apesar de seu
legado trágico, oferece lições profundas para a ecologia e conservação. O contraste entre a contaminação
radioativa persistente e o florescimento da biodiversidade evidencia um paradoxo crucial: a natureza demonstra
extraordinária capacidade de recuperação mesmo em condições extremas, quando a pressão antrópica é
removida. Esta zona de exclusão transformou-se num experimento natural único, ilustrando a complexa interação
entre perturbações radiológicas e recuperação ecológica, oferecendo subsídios valiosos para políticas de
preservação ambiental em cenários de degradação extrema.

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Publicado

19-11-2025

Como Citar

Bittencourt, K. M., Fagundes Serena, P., Hanauer Pereira, A., & Savariz , A. (2025). ADAPTAÇÕES DA FAUNA E RESILIÊNCIA ECOLÓGICA NA ZONA DE EXCLUSÃO DE CHERNOBYL. Seminário De Iniciação Científica E Seminário Integrado De Ensino, Pesquisa E Extensão (SIEPE), e38207. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/siepe/article/view/38207

Edição

Seção

Campus Joaçaba