ABORDAGEM CLÍNICA E CIRÚRGICA DE HEMANGIOSSARCOMA ESPLÊNICO CANINO - RELATO DE CASO
Resumo
Introdução: O hemangiossarcoma é uma neoplasia maligna de origem endotelial, caracterizada por
comportamento agressivo e elevada taxa metastática. Em cães, o baço é um órgão frequentemente acometido,
sendo comum manifestações clínicas inespecíficas, como síncope, hiporexia, dor abdominal e letargia. O
diagnóstico definitivo baseia-se na associação entre exames complementares e análise histopatológica. Objetivo:
O objetivo do presente relato foi descrever um caso de hemangiossarcoma esplênico em um cão idoso, atendido
na Clínica Veterinária SOS dos Bichos, em Maravilha-SC, enfatizando a conduta terapêutica adotada e evolução
clínica. O relato foi autorizado pelo responsável do paciente. Método: Foi atendido um canino Pastor Alemão,
macho, 10 anos de idade, pesando 42 kg, apresentando hipofagia, êmese e episódio de síncope. No exame físico,
observou-se apatia, taquicardia, taquipneia, hipertermia (40 °C) e dor à palpação abdominal, estando os demais
parâmetros dentro da normalidade para a espécie. Foram solicitados exames laboratoriais (hemograma e
bioquímica sérica: ALT, AST, FA, glicemia, colesterol, triglicerídeos e proteínas totais), além de ultrassonografia
abdominal. Diante dos achados, foi indicada esplenectomia. O procedimento cirúrgico foi realizado sob anestesia
geral balanceada, utilizando acepromazina (0,05 mg/kg, IM) e metadona (0,2 mg/kg, IM) como pré-medicação,
propofol (2 mg/kg, IV) para indução e isoflurano em oxigênio para manutenção. No pós-operatório, o paciente foi
monitorado quanto a parâmetros vitais, perfusão e dor, recebendo suporte intensivo. Para analgesia multimodal,
administraram-se tramadol (2,8 mg/kg, SC, a cada 12h), meloxicam (0,1 mg/kg, SC, SID) e dipirona (25 mg/kg, SC, a
cada 8h), além de ondansetrona (0,1 mg/kg, SC, a cada 12h). Considerando a drenagem de conteúdo purulento
para a cavidade abdominal, instituiu-se antibioticoterapia com metronidazol (15 mg/kg, IV, a cada 12h) e
ceftriaxona (35 mg/kg, IV, a cada 12h). Resultados: Os exames laboratoriais não apresentaram alterações
significativas. A ultrassonografia abdominal evidenciou uma massa esplênica de aproximadamente 10 cm
associada a sinais de peritonite. O transoperatório ocorreu sem intercorrências, e o paciente permaneceu
internado por 13 dias, apresentando evolução satisfatória até a alta. O exame histopatológico confirmou
hemangiossarcoma esplênico, com áreas de necrose, hemorragia e intensa atividade mitótica. Foi recomendado
tratamento quimioterápico adjuvante, porém o responsável optou por tratamento paliativo. Conclusão: Conclui-se
que o hemangiossarcoma esplênico em cães representa um desafio clínico e cirúrgico, uma vez que, apesar da
esplenectomia permitir estabilização do paciente e confirmação diagnóstica, o prognóstico permanece reservado
devido ao seu comportamento metastático. Ressalta-se a importância da adoção de protocolos adjuvantes e do
acompanhamento contínuo para manutenção da qualidade de vida
