AVALIAÇÃO COGNITIVA EM IDOSOS DE UMA CIDADE DO MEIO OESTE CATARINENSE
Resumo
Introdução: O crescimento da população idosa no Brasil evidencia o desafio de garantir um envelhecimento
saudável diante do surgimento de limitações cognitivas que afetam a autonomia. Embora programas de
estimulação cognitiva sejam benéficos, a pesquisa nacional carece de instrumentos de avaliação consistentes. Este
estudo busca identificar déficits cognitivos e emocionais em idosos que frequentam grupos de estimulação. A
pesquisa justifica-se pela importância da avaliação cognitiva precoce para diferenciar o envelhecimento normal
de patologias, permitindo intervenções que melhorem a qualidade de vida e reduzam custos em saúde. Objetivo:
O estudo teve como finalidade investigar possíveis déficits cognitivos em idosos que participam de grupos de um
ambulatório no meio-oeste de Santa Catarina. Método: Este estudo descritivo combinou abordagens qualitativas e
quantitativas. A coleta de dados ocorreu em um Ambulatório Médico Universitário no meio-oeste catarinense com
13 idosos com mais de 60 anos, participantes de um grupo de estimulação cognitiva. Foram utilizados como
instrumentos uma anamnese neuropsicológica, o Teste de Avaliação Cognitiva Montreal (MoCA) para rastreio de
comprometimento cognitivo leve, e a versão reduzida da Escala de Depressão Geriátrica (EDG-15) para sintomas
depressivos. A análise dos dados foi realizada de forma estatística e estruturada. Resultados: A amostra foi
composta majoritariamente por mulheres (9 de 13), com idades entre 62 e 79 anos, todas aposentadas. A
avaliação cognitiva revelou boa capacidade de resolução de problemas, mas com dificuldades em
planejamento, linguagem e, principalmente, memória. O achado mais significativo foi a alta incidência de sintomas
de ansiedade (12 participantes) e depressão (9 participantes) relatados na anamnese, o que contrasta com a
pontuação média "Normal" de 2,13 na EDG-15. A pontuação média no MoCA foi de 20,076, com as maiores
dificuldades observadas na Função Executiva. Conclusão: Concluiu-se que a maioria dos idosos possui função
cognitiva relativamente preservada, apesar de limitações específicas. Foi observada uma notável discrepância
entre os sintomas de ansiedade e depressão relatados na anamnese e os resultados "normais" da escala EDG-15,
sugerindo que a escala isoladamente pode ser insuficiente. O MoCA mostrou-se útil para identificar sinais de
Comprometimento Cognitivo Leve. O estudo evidencia que a avaliação de idosos deve utilizar múltiplas
ferramentas para um diagnóstico precoce, visando intervenções que preservem a autonomia e a qualidade de
vida.
Palavras-chave: Cognição; Envelhecimento; Idosos; déficits cognitivos.
