QUALIDADE DE VIDA E MARCADORES DE ESTRESSE OXIDATIVO, INFLAMAÇÃO E PERMEABILIDADE INTESTINAL EM PACIENTES DIABÉTICOS TIPO 2 PRATICANTES DE EXERCÍCIO FÍSICO E SEDENTÁRIOS
Resumo
Introdução: O envelhecimento populacional associado ao aumento da prevalência do diabetes mellitus tipo 2 representa um importante desafio de saúde pública, especialmente por suas repercussões metabólicas, inflamatórias e funcionais desta doença que é uma epidemia global. Caracterizada, principalmente, pela hiperglicemia e resistência à insulina, é uma doença que pode levar a graves complicações, embora o exercício físico seja uma terapêutica conhecida, seus efeitos em marcadores inflamatórios, oxidativos e na permeabilidade intestinal em idosos diabéticos ainda são pouco elucidados. Esta pesquisa se justifica pela necessidade de aprofundar esse conhecimento. Objetivos: Analisar o efeito do exercício físico como terapêutica não farmacológica sobre o perfil inflamatório, oxidativo, a permeabilidade intestinal e a qualidade de vida de pacientes diabéticos tipo 2, por meio comparação entre grupos de idosos diabéticos fisicamente ativos, idosos diabéticos sedentários e idosos não diabéticos. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, no qual os participantes foram submetidos à aferição de glicemia capilar, hemoglobina glicada e zonulina sérica, bem como à dosagem de seis mediadores inflamatórios (IL-4, IL-6, IL-10, IL-17, TNF-α e IFN-γ) e sete marcadores de estresse oxidativo (vitamina C, tióis proteicos, superóxido dismutase, catalase, mieloperoxidase, malonaldeído e espécies reativas). Também foram aplicados o questionário SF-36, medidas antropométricas e o teste de caminhada de seis minutos. A pesquisa seguiu a resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, garantindo a dignidade e segurança dos participantes. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNOESC antes do início da coleta de dados com o Parecer n. 6.872.704. Resultados: Evidenciou-se que ambos os grupos de diabéticos apresentaram níveis significativamente mais elevados de glicemia e hemoglobina glicada em comparação ao grupo controle, com médias acima dos valores de referência, enquanto o grupo controle manteve-se dentro da normalidade. Entretanto, não foram observadas diferenças significativas entre diabéticos praticantes de exercício e sedentários em tais parâmetros, tampouco nos mediadores inflamatórios, nos marcadores de estresse oxidativo, na zonulina sérica e nos escores do SF-36, da relação cintura-quadril e do teste de caminhada. Conclusão: Conclui-se que os efeitos esperados do exercício físico sobre a inflamação, o estresse oxidativo e a integridade intestinal podem ter sido atenuados por fatores como uso de farmacoterapia, intensidade e aderência ao exercício, além da própria condição do envelhecimento. Portanto, a prática de exercício em idosos diabéticos apresenta benefícios potenciais, mas sua efetividade requer maior padronização, controle de variáveis e acompanhamento longitudinal para elucidar plenamente seu impacto biológico e funcional.
