SAÚDE BUCAL DE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM QUIMIOTERAPIA NO MEIO-OESTE-SC: ORIENTAÇÕES RECEBIDAS, ASSISTÊNCIA PRESTADA E AUTOPERCEPÇÃO

Autores

  • Marcela Nardi UNOESC JOAÇABA
  • Kauã Dal Cero Zanatta
  • Anderson Belotto Angeli
  • Bruna Letícia Breciani
  • Tatiane Nogueira Gonzalez
  • Luana Patrícia Marmitt

Resumo

Introdução: Pacientes oncológicos em quimioterapia frequentemente apresentam complicações orais, como mucosite, xerostomia, dor, dificuldade alimentar e infecções, que afetam a qualidade de vida e a adesão terapêutica. Apesar da relevância da saúde bucal nesse contexto, orientações preventivas e acompanhamento odontológico ainda são limitados em muitos serviços, sobretudo fora dos grandes centros. Objetivo: Descrever a saúde bucal de pacientes oncológicos em tratamento quimioterápico no Meio-Oeste Catarinense, considerando orientações recebidas, assistência prestada e autopercepção das necessidades odontológicas. Metodologia: Estudo transversal realizado no setor de oncologia do Hospital Universitário Santa Terezinha, em Joaçaba-SC, referência para 55 municípios. A coleta ocorreu entre outubro de 2024 e julho de 2025, por entrevistas presenciais durante as sessões de quimioterapia. Foram incluídos pacientes maiores de 18 anos, de ambos os sexos. Utilizou-se questionário estruturado, que contemplou variáveis sociodemográficas, orientações recebidas, realização de exames orais, percepção de necessidade de atendimento odontológico, surgimento de problemas bucais após o início da quimioterapia e autoavaliação da saúde bucal. Os dados foram analisados no Stata 18, por estatística descritiva. Resultados: A amostra incluiu 363 pacientes, em sua maioria mulheres (65,6%), com média de idade de 58 anos (DP = 13,2), baixa escolaridade (43,0% com ensino fundamental incompleto) e residentes em área urbana (74,9%). O tempo médio desde a última consulta odontológica foi de 23,9 meses (DP = 46,2).  Mais da metade dos pacientes (51,2%) não recebeu informações sobre possíveis alterações bucais relacionadas à quimioterapia, enquanto 36,9% receberam orientações sobre prevenção de problemas e 28,1% foram orientados pela equipe do hospital. Em relação à prática assistencial, 78,5% não tiveram a boca examinada durante o tratamento, apenas 10,2% relataram exame em algumas ocasiões e 4,7% com frequência. Apesar disso, 42,1% relataram o surgimento de problemas bucais novos desde o início da quimioterapia. Quanto à percepção de necessidade odontológica, 17,4% consideraram necessitar muito de tratamento, 15,4% mais ou menos, 19,6% pouco, enquanto 42,4% afirmaram não necessitar. Na autoavaliação da saúde bucal, 46,6% a classificaram como boa, 7,4% como muito boa, 37,7% regular e 8,3% como ruim ou muito ruim.Conclusão: Observou-se lacuna significativa no acompanhamento odontológico de pacientes oncológicos, caracterizada pela baixa oferta de orientações e exames orais, apesar da frequência de problemas relatados. Embora muitos avaliem sua saúde bucal como boa ou regular, uma parcela importante reconhece necessidade de atendimento. Os achados reforçam a importância de integrar ações odontológicas ao cuidado oncológico, com foco em prevenção, diagnóstico precoce e qualidade de vida.

Palavras-chave: Saúde Bucal; Neoplasias; Quimioterapia; Qualidade de Vida

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Publicado

19-11-2025

Como Citar

Nardi, M., Dal Cero Zanatta, K., Belotto Angeli, A., Letícia Breciani, B., Nogueira Gonzalez, T., & Marmitt, L. P. (2025). SAÚDE BUCAL DE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM QUIMIOTERAPIA NO MEIO-OESTE-SC: ORIENTAÇÕES RECEBIDAS, ASSISTÊNCIA PRESTADA E AUTOPERCEPÇÃO. Seminário De Iniciação Científica E Seminário Integrado De Ensino, Pesquisa E Extensão (SIEPE), e38153. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/siepe/article/view/38153

Edição

Seção

Campus Joaçaba