AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO DOS PORTADORES DE DIABETES SOBRE SUA DOENÇA, NÍVEL DE LITERACIA EM SAÚDE E DE ADESÃO AO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
Resumo
Introdução: Em todo o mundo, a prevalência de Diabetes Mellitus (DM) tem aumentado de forma alarmante. O
diagnóstico da doença crônica não transmissível (DCNT) se dá a partir de dois testes laboratoriais alterados, sendo
os principais a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada (HbA1c), também utilizados posteriormente para
acompanhar o controle da doença. O tratamento envolve a aceitação da condição e adesão ao plano de
cuidado, que deve ser assertivo e eficaz, visando o controle glicêmico. A consequência do mau controle
metabólico está relacionada à falta de benefícios esperados, favorecendo complicações e aumentando a
mortalidade. Assim, é importante que o paciente siga em acompanhamento e que seja analisado o conhecimento
dos portadores de DM sobre sua doença, a adesão ao tratamento medicamentoso e seus níveis de literacia em
saúde (LS), fatores que influenciam diretamente no prognóstico, relacionando também com os níveis de HbA1c e
glicose de jejum. Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi avaliar o conhecimento dos portadores de Diabetes sobre
sua doença, a adesão ao tratamento medicamentoso e o nível de literacia em saúde, e relacionar com os níveis
de hemoglobina glicada. Método: Estudo transversal, quantitativo, com portadores de Diabetes tipo I ou II
atendimentos por um laboratório biomédico em Campos Novos- SC. Resultados: Participaram do estudo 79
indivíduos, a maioria mulheres, acima de 61 anos e portadores de DM tipo II. A amostra apresentou variadas
escolaridades, situações econômicas, estado civil, diferentes percepções de saúde e frequências de
hospitalizações. Uma parcela significativa referiu ser tabagista e/ou consumir bebida alcóolica. Os participantes
têm adequado conhecimento da doença (82,3%), apresentaram provável adesão ao tratamento (53,2%) e um
pouco mais da metade da amostra (54,4%) obteve LS inadequada. Houve relação (p<0,05) do conhecimento,
adesão e LS com as variáveis de escolaridade, situação econômica, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool
e autopercepção da saúde, influenciando diretamente no número de hospitalizações. Pacientes que
apresentaram piores resultados nos exames de Hba1c e glicemia de jejum foram também os com menor
conhecimento da doença, baixa adesão ao tratamento e déficit no grau de LS. Conclusão: O conhecimento da
doença, adesão ao tratamento e LS interferem nos resultados laboratoriais de controle do DM. São fatores de risco
condições socioeconômicas e hábitos de vida. Confirma-se a necessidade de análise subjetiva do paciente sob
abordagem holística e associada a visão objetiva através de seus exames, possibilitando o planejamento de ações
mais efetivas para o controle da doença.
