RACISMO COSMÉTICO E O DESAFIO DE ATENDER OS TONS DE PELE
Resumo
Introdução: O tema do racismo cosmético evidencia a grande invisibilidade da pele negra em materiais de ensino
e na indústria da beleza, que frequentemente desconsidera as particularidades dessa população. Nas aulas de
cosmetologia, é comum que livros e materiais apresentem lesões e condições dermatológicas exemplificadas
predominantemente em peles brancas, gerando uma lacuna importante, já que os aspectos clínicos variam entre
diferentes tons de pele. Além disso, tratamentos estéticos que utilizam protocolos ou técnicas padronizadas muitas
vezes não consideram as especificidades da pele negra, podendo causar manchas, irritações e até danos
irreversíveis. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo discutir o racismo cosmético e os desafios enfrentados na
cosmetologia para atender especificamente os diferentes tons de pele, com ênfase na invisibilidade da pele negra
nos materiais educativos e nos tratamentos estéticos. Método: Foram cruzados os unitermos “racismo AND estética
OR pele OR cor OR desafios” nas bases SciELO, Google Acadêmico e PubMed, pesquisando artigos publicados em
português e inglês no período de 2014 a 2025. Resultados: Foram realizadas a seleção de 5 artigos envolvendo os
termos da seleção. A ausência de representatividade e de conteúdo específico sobre dermatologia em pele negra
dificulta o diagnóstico, o reconhecimento clínico e o tratamento adequado, reforçando o racismo cosmético, que
não se resume à falta de conhecimento técnico, mas também à escassez de produtos cosméticos para tons
escuros. Embora mais da metade da população brasileira seja negra, o mercado de cosméticos ainda falha em
desenvolver e disponibilizar uma gama suficiente de tonalidades que contemplem subtons, texturas e necessidades
específicas. Conclusão: Superar esse cenário exige ampliar a representatividade nos testes clínicos, diversificar os
portfólios de cosméticos e revisar conteúdos acadêmicos para incluir discussões aprofundadas sobre a pele negra.
