ABORDAGENS ANESTÉSICAS EM MASTECTOMIA TOTAL UNILATERAL DE CADELAS GERIÁTRICAS: ANALGESIA TUMESCENTE E INFUSÃO CONTÍNUA INTRAVENOSA
Resumo
Introdução: Os neoplasmas mamários correspondem a 50% dos casos de neoplasias em fêmeas caninas não castradas. O tratamento preconizado para a afecção é a remoção cirúrgica, sendo a mastectomia total unilateral (MTU) o procedimento de escolha em casos de neoplasias malignas. Por se tratar de um procedimento invasivo e doloroso, a escolha do protocolo anestésico é fundamental para garantir a analgesia adequada, estabilidade hemodinâmica e recuperação satisfatória. Objetivo: O objetivo do presente relato é discutir duas abordagens de anestesia para MTU realizada em fêmeas caninas, geriátricas, comparar a estabilidade cardiovascular transoperatória e qualidade de recuperação. Método: Paciente I, fêmea de 10 anos, não castrada, foi adotada a anestesia inalatória e infusão contínua de analgésicos. A medicação pré-anestésica (MPA) incluiu metadona (0,25 mg/kg, via intramuscular - IM), indução anestésica com lidocaína (1 mg/kg, via intravenosa - IV), cetamina (1 mg/kg, IV), fentanil (2 μg/kg IV) e propofol (dose-efeito) e manutenção com isofluorano associado à infusão contínua de lidocaína (2 mg/kg/h), fentanil (4 μg/kg/h) e cetamina (0,6 mg/kg/h). Paciente II, fêmea, 13 anos, sopro grau IV, castrada, episódios de síncope relatados, endocardiose grau B2. Optou-se pela analgesia tumescente. O protocolo incluiu como MPA tramadol (2 mg/kg IM) e prometazina (0,4 mg/kg IM), seguido de indução com midazolam (0,1 mg/kg IV) associado ao propofol (4 mg/kg IV) e manutenção com isofluorano pela via inalatória. A técnica tumescente foi realizada com uma solução de lidocaína (40 ml) e epinefrina (0,29 ml) diluídas em ringer lactato (250ml), infiltrado pela via subcutânea ao longo da cadeia mamária (15 mL/kg). Essa técnica reduz a necessidade de fármacos sistêmicos e favorece estabilidade hemodinâmica e rápida recuperação, porém pode distorcer marcos anatômicos, especialmente em áreas delicadas ou com pouco tecido visualmente referenciável. Ambas as pacientes receberam anti-inflamatórios e analgésicos adicionais no período pós-operatório. Resultados: As duas modalidades promoveram analgesia trans e pós-operatória eficazes, com manutenção dos parâmetros fisiológicos dentro da normalidade da espécie e proporcionaram uma recuperação anestésica tranquila. A técnica de analgesia tumescente se destaca como uma alternativa segura e indicada para animais com comprometimento cardiovascular e a analgesia intravenosa se mostrou ideal para casos que a anestesia tumescente não é recomendada. Conclusão: A escolha da modalidade anestésica deve considerar as condições clínicas do paciente, os recursos disponíveis e a experiência da equipe veterinária, visto que ambas as técnicas são seguras e eficazes no manejo da dor em mastectomias.
Palavras-chave: Anestesia pot Tumescência; Neoplasias mamárias caninas; Protocolo multimodal; Anestesia por Infusão Contínua.
