PRESENÇA DAS MULHERES EM UMA DELEGACIA DE POLÍCIA NO MEIO-OESTE DE SANTA CATARINA
Resumo
Introdução: No Brasil, as mulheres representam apenas 13% do efetivo da Polícia Militar e 27% da Polícia Civil. Em
Santa Catarina, essa porcentagem sobe para 34% na Polícia Civil, mas mulheres ocupam menos de 30% dos cargos
de gestão. A legislação brasileira tem avançado, com a Constituição de 1988 reconhecendo a igualdade entre
homens e mulheres e a Lei no 14.611 de 2023 dispondo sobre a igualdade salarial e de critérios remuneratórios.
Apesar disso, as diferenças de gênero no mercado de trabalho, incluindo longas jornadas, salários inferiores e
discriminação por maternidade, ainda são uma realidade no ambiente policial, muitas vezes moldado por uma
cultura masculina Objetivo: O estudo busca compreender os seguintes elementos. A presença feminina no
ambiente policial. Os maiores obstáculos encontrados pelas mulheres no desempenho da profissão. As visões das
mulheres sobre as oportunidades de evolução profissional dentro da instituição. Método: O artigo propõe uma
metodologia quali-quantitativa para entender as percepções de mulheres policiais e estagiárias em uma delegacia
civil no meio-oeste catarinense. Um questionário de cinco perguntas (três de múltipla escolha e duas abertas) foi
aplicado a uma amostra de cinco participantes do sexo feminino: três policiais (escrivãs e agentes) e duas
estagiárias. O objetivo era compreender a presença feminina, os obstáculos profissionais e as visões sobre
oportunidades de evolução. Resultados: Os resultados revelaram percepções variadas: Sobre a conciliação da
vida profissional e pessoal, 80% das participantes relataram nenhuma dificuldade (nível 1), enquanto 20% indicaram
muita dificuldade (nível 4), mostrando casos significativos de sobrecarga. Em relação à igualdade de
oportunidades de ascensão profissional, as respostas foram divididas: 40% concordaram ("sim"), 40% discordaram
("não") e 20% responderam "talvez". Isso demonstra que, embora algumas mulheres percebam progresso, outras
ainda enfrentam barreiras estruturais, como a tendência de designar certas funções operacionais ao público
masculino ("trabalho de campo"). Quanto ao treinamento e desenvolvimento profissional, 80% concordaram
plenamente que as necessidades específicas das mulheres são atendidas, e 20% concordaram parcialmente.
Contudo, essa avaliação positiva contrasta com o dado de que mulheres ocupam menos de 30% dos cargos de
chefia em Santa Catarina, indicando que o acesso a postos superiores ainda é limitado. Conclusão: Em conclusão,
a presença feminina na Polícia Civil do Meio-Oeste Catarinense continua a enfrentar barreiras estruturais e culturais,
apesar de avanços notáveis. O estudo reforça a necessidade de fomentar debates e ações que visem à equidade
de gênero, garantindo melhores condições de trabalho e valorizando a presença feminina no ambiente policial.
