ALFABETIZAÇÃO DE SURDOS NA EDUCAÇÃO BILÍNGUE: FORMAÇÃO EM SERVIÇO E PERCEPÇÕES DE DOCENTES EM CHAPECÓ

Autores

  • Marines Aparecida Mello Marques UNOESC Joaçaba
  • Marineiva Moro

Resumo

Introdução: A alfabetização de alunos surdos exige práticas pedagógicas que considerem a Libras como primeira
língua e o português escrito como segunda, garantindo mediação para o desenvolvimento linguístico e cognitivo.
Com base na perspectiva histórico-cultural de Vigotski, que entende a aprendizagem como processo social,
mediado e situado culturalmente, o estudo analisou a construção do conhecimento por meio das interações entre
sujeitos, instrumentos culturais e linguagem. Investigaram-se as percepções de professores bilíngues das séries iniciais
em Chapecó sobre as formações em serviço oferecidas pela rede pública estadual, considerando a influência
dessas experiências na prática pedagógica. Este resumo integra a pesquisa de dissertação já defendida,
correspondendo ao Capítulo 4 sobre as vozes dos professores bilíngues. Objetivo: Analisar as percepções de
professores bilíngues das séries iniciais em Chapecó sobre as formações em serviço oferecidas pela rede pública
estadual e sua influência na prática pedagógica voltada à alfabetização de alunos surdos. Compreender a
importância atribuída pelos docentes à formação em serviço para o aprimoramento das práticas de alfabetização
de alunos surdos. Método: A pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou entrevistas semiestruturadas com dez
professores bilíngues da rede estadual, contemplando tanto profissionais surdos quanto ouvintes, o que reforça o
compromisso com a valorização da Libras como língua materna da comunidade surda. Para viabilizar as
entrevistas, foi necessário que a pesquisadora dominasse Libras, uma vez que não foi disponibilizado
tradutor-intérprete. A análise dos dados seguiu a técnica de análise de conteúdo proposta por Minayo,
organizando as falas em três categorias: (l) concepções sobre formação em serviço, (ll) importância da formação
para a prática alfabetizadora e (lll) desafios enfrentados no contexto formativo. Resultados: Os resultados indicam
que os participantes compreendem a formação em serviço como um processo contínuo, necessário para a
melhoria das práticas pedagógicas e para a articulação entre Libras, português escrito e estratégias visuais no
ensino da leitura e escrita. As trocas entre pares e a reflexão coletiva foram apontadas como elementos que
potencializam o desenvolvimento profissional, alinhando-se à concepção vigotskiana de aprendizagem
colaborativa. No entanto, emergiram fragilidades, como ausência de formadores surdos, falta de materiais em
Libras e descontinuidade das formações, fatores que dificultam a efetivação da política de educação bilíngue e
limitam o avanço das práticas alfabetizadoras. Conclusão: Conclui-se que é indispensável garantir formações
acessíveis, contínuas e culturalmente sensíveis, de modo a fortalecer a atuação dos professores bilíngues, assegurar
o direito linguístico dos alunos surdos e promover uma educação inclusiva que valorize a diversidade.

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Publicado

19-11-2025

Como Citar

Mello Marques, M. A., & Moro, M. (2025). ALFABETIZAÇÃO DE SURDOS NA EDUCAÇÃO BILÍNGUE: FORMAÇÃO EM SERVIÇO E PERCEPÇÕES DE DOCENTES EM CHAPECÓ. Seminário De Iniciação Científica E Seminário Integrado De Ensino, Pesquisa E Extensão (SIEPE), e37866 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/siepe/article/view/37866

Edição

Seção

Campus Joaçaba