CONTAMINAÇÃO MICROBIANA EM ÁREAS DE RISCO DE INUNDAÇÕES EM SÃO MIGUEL DO OESTE (SC): ANÁLISE INTEGRADA DA RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA E DA PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO VULNERÁVEL
Resumo
Introdução: A intensificação de eventos climáticos extremos, decorrente das mudanças climáticas e da degradação ambiental, tem ampliado a ocorrência de inundações no Brasil, acarretando impactos diretos sobre a saúde pública e o meio ambiente. Objetivo: Este estudo avaliou a influência das inundações na qualidade microbiológica da água em áreas urbanas de São Miguel do Oeste (SC), com ênfase na presença e nos perfis de resistência antimicrobiana de Escherichia coli, bem como na percepção da população local sobre os riscos associados. Método: As coletas foram realizadas em dois períodos sazonais distintos, verão (novembro 2024, fevereiro e março de 2025) e inverno (junho, julho e agosto de 2025), em três pontos urbanos críticos para inundações, totalizando 54 amostras. Resultados: Do total, 66,7% apresentaram positividade para E. coli, sendo a frequência significativamente maior no inverno (p = 0,0011), em associação com a pluviosidade mensal acumulada (R2 = 0,896; p = 0,004). Não foram observadas diferenças estatísticas entre os pontos de amostragem (p > 0,05), indicando distribuição relativamente uniforme da contaminação. A análise de resistência antimicrobiana revelou cepas multirresistentes, incluindo resistência a antibióticos de relevância clínica, como gentamicina (85,2%), meropenem (63%) e ampicilina (40,7%). A percepção ambiental da comunidade indicou elevado reconhecimento do risco de contaminação da água após enchentes (93,3%). Entretanto, verificaram-se lacunas de conhecimento técnico sobre métodos de detecção microbiológica e divergências quanto à adoção de medidas preventivas, reforçando a vulnerabilidade socioambiental. Conclusão: Os resultados evidenciam que, em contextos de mudanças climáticas, as inundações podem transcender sua natureza hidrológica, atuando como vetores de dispersão de contaminantes e ampliando a exposição a microrganismos resistentes. Nesse contexto, torna-se imprescindível a formulação de políticas públicas integradas, que articulem ações de saneamento básico, monitoramento microbiológico contínuo e programas de educação ambiental. Tais medidas são fundamentais para mitigar os riscos à saúde coletiva e fortalecer a resiliência das comunidades em áreas vulneráveis às inundações.
