O QUERER, O DESEJAR E A RESISTÊNCIA
Um estudo de caso
Resumo
Introdução: O presente estudo discute a relevância do desejo do paciente para o êxito da psicoterapia de orientação psicanalítica. Para isso, apresenta-se o caso de Carla (nome fictício), uma jovem que buscou atendimento psicoterapêutico como forma de lidar com crises de ansiedade. O objetivo central deste estudo de caso é analisar sua trajetória no processo terapêutico, com ênfase na resistência manifestada ao longo das sessões, buscando aprofundar a compreensão da dinâmica entre o querer consciente e o desejo inconsciente na psicoterapia. Método: Os dados deste estudo foram obtidos a partir de registros documentais, elaborados sistematicamente ao final de cada uma das 21 sessões de psicoterapia, em conformidade com os parâmetros da Resolução n.º 6 do Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2019). As sessões foram conduzidas por uma discente do curso de Psicologia na Clínica de Psicologia da UNOESC, no âmbito das práticas de estágio curricular supervisionado, sob orientação de um docente responsável. A análise do caso foi fundamentada na perspectiva da psicanálise freudiana. Resultados: Desde o início, Carla apresentou forte resistência, compreendida como a força psíquica que impede a emergência de conteúdos inconscientes (Zimmermann, 2008). Carla iniciou o processo buscando corresponder ao papel de “boa paciente”, mas, após a pergunta “O que você deseja?”, sua resistência se intensificou, manifestando-se em faltas e evasivas como forma de evitar o contato com seu desejo reprimido. Essa postura funcionava como estratégia para evitar o contato com seu desejo reprimido. Essa postura funcionava como estratégia para evitar o contato com seu desejo reprimido. É importante destacar a diferença entre desejo, uma vontade inconsciente, distante e, muitas vezes, inconcebível, e querer, entendido como a ação consciente de tentar aplacar uma falta (Zimmermann, 2008). Nesse sentido, a intensificação da resistência de Carla estava diretamente vinculada ao medo de reconhecer ou conceber seu verdadeiro desejo. Conclusão: O estudo evidencia que resistência e transferência não devem ser vistas como obstáculos, mas como elementos centrais e dinâmicos da psicanálise. A intensidade e o próprio estabelecimento da transferência constituem, na verdade, expressões diretas da resistência do paciente (Freud, 1912). Em outras palavras, é a transferência que faz a resistência emergir. Assim, a análise se configura como um processo artesanal e colaborativo, no qual o papel ético do analista consiste em sustentar a escuta, possibilitando que o paciente, de forma gradual, se aproxime de seus desejos mais profundos e autênticos (Fink, 2008).Downloads
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Publicado
19-11-2025
Como Citar
Waldow, K., & de Andrade Bervian, N. G. (2025). O QUERER, O DESEJAR E A RESISTÊNCIA: Um estudo de caso. Seminário De Iniciação Científica E Seminário Integrado De Ensino, Pesquisa E Extensão (SIEPE), e37794 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/siepe/article/view/37794
Edição
Seção
Campus São Miguel do Oeste
