RUÍDO OCUPACIONAL ALÉM DA AUDIÇÃO: IMPACTOS MULTISSISTÊMICOS NO ESTRESSE OXIDATIVO, SAÚDE MENTAL E RISCOS CARDIOMETABÓLICOS EM TRABALHADORES DE INDUSTRIAS
Resumo
Introdução: O ruído ocupacional é uma ameaça negligenciada à saúde do trabalhador, com efeitos que vão
além da perda auditiva. Estudos recentes (2015-2024) mostram que a exposição prolongada ao ruído industrial
causa danos consideravelmente graves á saúde do trabalhador, incluindo problemas cardiovasculares,
imunológicos, celulares e psicossociais. Objetivo: Este estudo visa revisar evidências e destacar a urgência da
atualização de políticas públicas e práticas preventivas na Saúde do Trabalhador. Método: A revisão foi realizada
nas bases de dados SciELO, MEDLINE, LILACS e PubMed, analisou 27 estudos de 2015 a 2024 que abordavam os
efeitos do ruído. Resultados: Os resultados revelam que a exposição a mais de 85 dB está associada a diversos
problemas de saúde. Cerca de 72% dos trabalhadores expostos a ruído alto por até cinco anos apresentaram
perda auditiva. O ruído também eleva o risco de hipertensão arterial em 15% e afeta a variabilidade da frequência
cardíaca, sugerindo que ele é um risco tanto auditivo quanto cardiovascular. No sistema imunológico e endócrino,
o ruído pode reduzir a atividade das células de defesa em 30% e aumentar o cortisol em 40% dos casos, indicando
estresse crônico. A exposição a mais de 80 dB aumenta em até 50% a produção de espécies reativas de oxigênio,
causando estresse oxidativo e danos genéticos. Isso aumenta a suscetibilidade a doenças autoimunes e, em
exposição combinada com agentes químicos, o risco de neoplasias. Em termos psicossociais, cerca de 60% dos
trabalhadores brasileiros expostos a ruído relatam sintomas de ansiedade e depressão. Além disso, déficits
cognitivos foram observados após 10 anos de exposição contínua. Conclusão: Em conclusão, o ruído ocupacional
é um risco que afeta a saúde do trabalhador de forma ampla, indo muito além da audição. É essencial atualizar
normas como a NR-15 para incluir biomarcadores de estresse e investir em tecnologias de proteção ativa, como
abafadores inteligentes. É preciso, ainda, reforçar a integração de exames de audição, saúde mental e
laboratoriais no Sistema Único de Saúde.
Palavras-chave: Saúde Ocupacional; Saúde do Trabalhador; Biomarcadores; Estresse Oxidativo; Saúde Mental.
