BEM-ESTAR SUBJETIVO, ESTRESSORES DA DOCÊNCIA E MOTIVAÇÃO PARA O TRABALHO EM PROFESSORES DE ENSINO FUNDAMENTAL DE JOAÇABA (SC)
Resumo
Introdução: O trabalho docente é exigente, mobilizando recursos físicos, emocionais e cognitivos, e está associado a múltiplos estressores capazes de comprometer a saúde e a motivação profissional. No Brasil, dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação revelam alta prevalência de doenças relacionadas ao estresse, agravadas por sobrecarga, falta de recursos e condições adversas. Compreender como motivação, bem-estar e estresse interagem pode subsidiar políticas e intervenções voltadas à saúde docente. Objetivo: Analisar a relação entre o bem-estar subjetivo, os estressores da docência, as estratégias de enfrentamento e a motivação para o trabalho de professores do ensino fundamental do município de Joaçaba (SC). Método: Estudo transversal com 107 docentes da rede municipal de ensino de Joaçaba (SC), que responderam a questionário sociodemográfico e às seguintes escalas validadas: Escala de Bem-Estar Subjetivo, Escala de Coping Ocupacional, Escala de Necessidades Psicológicas Básicas (NPB), Escala de Motivação do Professor para o Ensino e Questionário de Estresse nos Professores. Foram realizadas análises descritivas, correlações de Pearson, análise de clusters (Ward e k-means) para perfis motivacionais e MANOVA para comparação entre grupos. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da Unoesc/HUST. Resultados: A amostra foi predominantemente feminina (90,7%), média de 42 anos, 86,9% com carga horária de 40 horas e 71% com especialização. Identificou-se correlação positiva entre afetos positivos e as NPB de autonomia (r=0,30) e pertencimento (r=0,34), e entre estas e a motivação autônoma (r=0,51). Afetos negativos correlacionaram-se negativamente com autonomia (r=-0,35) e pertencimento (r=-0,31), e positivamente com todas as dimensões de estressores. A análise de clusters revelou dois perfis: Cluster 1 (n=58), com maior motivação autodeterminada, NPB atendidas, maiores níveis de afetos positivos e uso mais frequente de estratégias de enfrentamento; e Cluster 2 (n=49), com menor motivação, maior vulnerabilidade ao estresse e menor uso das estratégias de enfrentamento. Diferenças significativas entre grupos favoreceram o Cluster 1 (com maior motivação autodeterminada) nas variáveis afetos positivos (p=0,010), manejo de sintomas (p=0,004), controle (p=0,001) e esquiva (p=0,037). Conclusão: A motivação autodeterminada associou-se a maior bem-estar subjetivo e uso de estratégias de enfrentamento positivas, reforçando a importância de ambientes escolares que atendam às NPB de autonomia, competência e pertencimento. Políticas institucionais que fortaleçam esses aspectos podem reduzir os estressores da docência e promover qualidade de vida. Sugere-se ampliar a investigação para diferentes contextos e níveis de ensino, incluindo abordagens longitudinais.
