CALCIFILAXIA IDIOPÁTICA: RELATO DE CASO
Resumo
A Calcifilaxia é uma vasculopatia obliterativa caracterizada por necrose isquêmica cutânea, com instalação aguda e progressiva, secundária à calcificação de vasos sanguíneos de pequeno ou médio calibre. Habitualmente, é uma complicação observada nos pacientes com hiperparatireoidismo secundário à insuficiência renal crônica, porém seu aparecimento pode ser idiopático. A sua patogênese ainda é desconhecida e provavelmente multifatorial. O objetivo neste trabalho foi descrever os aspectos clínicos e o manejo terapêutico de um paciente com calcifilaxia idiopática. Esta pesquisa qualitativa e exploratória foi realizada por meio de entrevistas com o paciente e a partir da análise de dados das avaliações clínicas realizadas por ele com diferentes profissionais. O estudo propiciou a compreensão dos aspectos clínicos que cercam a calcifilaxia idiopática, sendo observado o aparecimento de eritema pruriginoso que evoluiu para surgimento de úlcera necrótica em região lateral da perna direita. Prosseguiu-se a investigação com a realização de exames laboratoriais que não apresentaram alterações significativas; também foi solicitado raio x de perna direita, que demonstrou calcificações vasculares na extremidade distal da perna e do tornozelo. O exame histopatológico demonstrou vasculite neutrofílica de pequenos vasos com hemorragia e calcificação distrófica focal de parede do vaso. Ainda, evidenciou-se calcificação na parede vascular da derme reticular e tecido subcutâneo, mais evidente pela coloração de Von Kossa, e em exame de cultura de secreção observou-se a presença de Pseudomonas aeruginosa sensível a Levofloxacino. Com base na avaliação clínica, apoiada em critérios bioquímicos e histopatológicos, o paciente foi internado e iniciou o tratamento com analgesia dipirona e tramadol endovenoso, desbridamento cirúrgico dos tecidos necróticos em centro cirúrgico, seguido de curativos locais diários. Além disso, foi iniciada antibioticoterapia, conforme cultura com levofloxacino 750 mg endovenoso, por três dias. O tratamento medicamentoso foi mantido no domícilio com uso de dipirona e levofloxacino, além do cuidado com a úlcera realizando curativos locais diários utilizando-se soro fisiológico 0,9%, colagenase+cloranfenicol e, após 60 dias, iniciou-se a aplicação de óleo de girassol duas vezes ao dia, evoluindo para cura completa da lesão em 180 dias. Também foi proposta a possibilidade de instituir o tratamento com tiossulfato de sódio 15 a 30 gramas endovenoso uma vez ao dia (BOURGEOIS; HAES, 2016). Contudo, a instituição hospitalar não disponibilizava esse medicamento para uso interno, e o paciente não conseguiu adquiri-lo. Mediante os resultados obtidos, conclui-se que há falta de consenso quanto à melhor forma de tratamento de feridas de pacientes acometidos por calcifilaxia, e, apesar da recomendação de alguns autores para o uso de tiossulfato de sódio, a conduta terapêutica proposta no presente caso denotou ser eficaz no tratamento desse tipo de doença, mesmo sem o emprego desse medicamento. Como proposta para estudos futuros, recomenda-se a avaliação dos possíveis benefícios do tiossulfato de sódio por meio da comparação entre o emprego e o não emprego desse medicamento no tratamento da calcifilaxia.
Palavras-chave: Calcifilaxia. Úlcera. Vasculopatia.Downloads
Referências
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