PRINCIPAIS DROGAS SISTÊMICAS QUE APRESENTAM MANIFESTAÇÕES OCULARES

Autores/as

  • Giuliane Bogoni Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Jéssica Dias Godinho Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Elcio Luiz Bonamigo

Resumen

Nas últimas décadas, foram desenvolvidos medicamentos eficazes para as mais variadas doenças, todavia, os efeitos colaterais foram identificados durante o seu uso efetivo na prática clínica. Entre os órgãos afetados, o olho é um dos mais propensos a sofrer efeitos, que podem ser transitórios ou definitivos e, na maioria dos casos, dependem da dose e do tempo de exposição, justificando a realização de estudos com esse objetivo, para que o médico clínico tenha conhecimento adequado em relação ao assunto. Este trabalho objetivou contextualizar os efeitos colaterais oculares de algumas drogas sistêmicas. Foi realizada uma revisão de artigos nacionais e do livro de Kanski (2008) usado na disciplina de Oftalmologia. Entre as drogas estudadas, as que mais despertaram atenção pela frequência de efeitos adversos oculares foram os antimaláricos, usados para o tratamento de doenças reumatológicas, por causarem ceratopatia vorticosa, retinopatia e maculopatia (GOUVEIA, 2007; KANSKI, 2008); a amiodarona, um antiarrítmico cardíaco, desencadeia ceratopatia vorticosa, depósitos subcapsulares no cristalino e neuropatia óptica (KANSKI, 2008); fenotiazinas, sedativos que geram depósitos na cápsula anterior do cristalino, retinopatia e catarata (KANSKI, 2008); os anti-inflamatórios esteroidais por provocarem catarata (PEREIRA, 2007; KANSKI, 2008). Retinoides, usados no tratamento da acne, acarretam olho seco; tamoxifeno, uma droga antiestrogênica, ocasiona maculopatia cristalina (KANSKI, 2008); antidepressivos tricíclicos podem exacerbar um glaucoma preexistente, por induzir midríase (GOUVEIA, 2010); etambutol, um antimicrobiano empregado no tratamento de tuberculose, provoca neuropatia óptica (KANSKI, 2008). As sulfas, uma classe de antimicrobianos, podem provocar síndrome de Stevens-Johnson, com manifestações oftalmológicas intensas como úlcera de córnea, uveíte anterior, pan-oftalmite (BULISANI, 2006); topiramato, um antiepiléptico, causa glaucoma secundário a fechamento de ângulo (MARCON et al., 2008). Em conclusão, foram encontrados 10 medicamentos ou classes de medicamentos utilizados sistemicamente que podem atingir níveis oftalmológicos elevados o suficiente para causar repercussões oftalmológicas. Assim, inferiu-se que os médicos clínicos precisam conhecer os efeitos colaterais dos medicamentos sobre os olhos, justificando-se que sejam elaboradas pesquisas para favorecerem a ampliação do conhecimento sobre o assunto além do âmbito da especialidade de oftalmologia.

Palavras-chave: Efeitos colaterais. Medicamentos. Oftalmologia.

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Citas

BULISANI, A.C.P., et al; Síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica em medicina intensiva. Rev Bras Ter Intensiva. São Paulo. Vol.18. N.3. Jul/Set. 2006. Disponível em . Acesso em 27 abr. 2014.

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MARCON, I.M., et al; Topiramato versus Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado. Rev Bras Oftalmol. 67 (1): 39-41. 2008. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/rbof/v67n1/v67n1a07.pdf>. Acesso em 27 abr 2014.

MORAES, E.D.; COELHO, F.F.; SANCHES, M.I.; Tratamento da acne vulgar com isotretinoína. Disponível em <https://www.inesul.edu.br/revista/arquivos/arq-idvol_15_1320100924.pdf>. Acesso em: 10 abr 2014.

PEREIRA, A.L.C et al.; Uso sistêmico de corticosteroides: revisão da literatura. Med Cutan Iber Lat Am, 35(1), 35-50, 2007. Disponível em: <http://www.medigraphic.com/pdfs/cutanea/mc-2007/mc071i.pdf>. Acesso em: 09 abr. 2014.

Publicado

2014-05-20

Cómo citar

Bogoni, G., Dias Godinho, J., & Bonamigo, E. L. (2014). PRINCIPAIS DROGAS SISTÊMICAS QUE APRESENTAM MANIFESTAÇÕES OCULARES. Anais De Medicina, 1(1), 33. Recuperado a partir de https://periodicos.unoesc.edu.br/anaisdemedicina/article/view/4644