PFAS, OS “QUÍMICOS ETERNOS”: O QUE SÃO E COMO TORNÁ-LOS INOFENSIVOS

Autores

  • Isadora Vier Quaresma Universidade do Oeste de Santa Catarina,Videira
  • Isabele Mugnol
  • Mariana Dambroz
  • Rodrigo Geremias UNOESC

Resumo

Introdução:Os per- e polifluoroalquil (PFAS) são compostos orgânicos fluorados amplamente usados por sua
repelência a água e óleo (ex.: cosméticos, embalagens, revestimentos). O apelido “químicos eternos” vem da
excepcional estabilidade da ligação carbono–flúor (C–F), que dificulta a degradação no ambiente e favorece
bioacumulação. Evidências epidemiológicas associam alguns PFAS a desfechos adversos (p. ex., certos tipos de
câncer e disfunções hormonais), motivando limites regulatórios mais rígidos em água potável. Diante disso, a
pesquisa recente mira não apenas remover PFAS de matrizes reais, mas mineralizá-los (quebrar C–F e converter o
flúor orgânico em fluoreto inorgânico, F⁻), reduzindo o passivo ambiental. Objetivo: Sintetizar os avanços
(2022–2025) em destruição de PFAS, explicando de forma acessível os princípios de funcionamento, a eficácia e as
limitações das principais rotas, e discutindo sua relevância para o tratamento de água e resíduos. Método: Revisão
bibliográfica de artigos, relatórios técnicos e estudos-piloto recentes, privilegiando trabalhos com: (i) balanço de
flúor (quanto do F total vira F⁻), (ii) identificação de subprodutos, (iii) testes em matrizes reais (água, lodo, solo) e (iv)
estimativas de energia/custo. As rotas foram agrupadas por mecanismo (oxidativo, redutivo, termo/hidrotérmico,
foto/eletroquímico e mecanoquímico) e por estágio de maturidade tecnológica. Resultados: Observam-se cinco
frentes principais. (1) Oxidação em água supercrítica (SCWO): opera a alta temperatura/pressão, promovendo
mineralização quase completa em correntes concentradas; limitações incluem CAPEX, segurança e adequação a
grandes volumes. (2) Eletroquímica (ânodos de diamante dopado com boro): gera espécies altamente oxidantes
na superfície do eletrodo, degradando PFOA/PFOS; o desempenho cai com interferentes (sais/matéria orgânica
natural). (3) Fotoquímica/fotocatálise: vias redutivas com elétrons hidratados (ex.: UV/sulfito) e novos
fotocatalisadores permitem defluorinação a temperatura ambiente; desafios: turbidez e competição por radicais.
(4) Química “branda” em solvente: sistemas alcalinos (p. ex., NaOH em DMSO) mineralizam PFCAs selecionados a
temperaturas moderadas; o escopo estrutural ainda é limitado. (5) Rotas sólidas: mecanoquímica (moagem com
co-reagentes) e defluorinação por sódio disperso mostram alta conversão em pós/solos e até polímeros fluorados,
mas requerem controles rigorosos de segurança. Na prática, muitos esquemas adotam captura + destruição:
concentrar PFAS (carvão ativado/resinas) e, então, aplicar a rota de mineralização mais apropriada. Conclusão:Não há solução única para todas as matrizes e classes de PFAS. O campo avança rumo a processos mais seletivos,
energicamente viáveis e operáveis em escala, com ênfase em mineralização comprovada, monitoramento de
subprodutos e avaliação de ciclo de vida. Combinações captura–destruição e rotas catalíticas em condições
brandas despontam como caminhos promissores para reduzir, de fato, o passivo dos “químicos eternos”.

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Publicado

19-11-2025

Como Citar

Vier Quaresma, I., Isabele Mugnol, Mariana Dambroz, & Geremias, R. (2025). PFAS, OS “QUÍMICOS ETERNOS”: O QUE SÃO E COMO TORNÁ-LOS INOFENSIVOS. Seminário De Iniciação Científica E Seminário Integrado De Ensino, Pesquisa E Extensão (SIEPE), e38413. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/siepe/article/view/38413

Edição

Seção

Campus Videira