Acessibilidade e comunicação em saúde: experiências de pessoas surdas em Recife-PE, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.18593/evid.38660Palavras-chave:
Fatores Socioeconômicos, Pessoas com Surdez, Informação e Comunicação na SaúdeResumo
Apesar da universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso à assistência para a população surda é limitado pela falta de profissionais fluentes em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Esta pesquisa qualitativa, realizada na região metropolitana do Recife-PE, Brasil, incluiu entrevistas, conduzidas com questionário semiestruturado abordando experiências prévias de atendimento em saúde, com oito pessoas surdas de 18 a 70 anos, que haviam sido atendidas na rede pública do SUS e eram proficientes em LIBRAS. Os dados foram analisados segundo a análise de conteúdo de Bardin, resultando em três categorias temáticas (atendimento profissional, necessidade de um terceiro e facilitadores), sete subcategorias e 16 núcleos de sentido. Os resultados demonstraram que as pessoas surdas relataram o enfrentamento de diversas barreiras para um atendimento em saúde humanizado. Na categoria atendimento profissional, destacaram-se a barreira comunicacional, com uso de termos técnicos incompreensíveis e a quase inexistência de conhecimento de LIBRAS pelos profissionais, e a falta de confiança, gerada por atitudes de apatia e medo de erro na medicação. A necessidade de um familiar ou intérprete para intermediar a comunicação revelou problemas de dependência, violação da privacidade e questões de disponibilidade financeira e logística. Por outro lado, identificaram-se facilitadores no uso da tecnologia (como o ICOM e celulares) e em adaptações com recursos visuais, que melhoraram significativamente a compreensão e a experiência do cuidado. Conclui-se que a ausência de competência em LIBRAS entre os profissionais de saúde e a dependência de comunicação indireta comprometem a equidade e a integralidade do SUS, resultando em cuidados inadequados para essa população. Os achados implicam na necessidade urgente de capacitação dos profissionais de saúde em LIBRAS, fortalecimento da presença de intérpretes nas unidades de saúde e implementação de políticas institucionais que promovam tecnologias assistivas e adaptações visuais.
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