PERFIL DO USUÁRIO CRÔNICO DE BENZODIAZEPÍNICOS E PRINCIPAIS IMPLICAÇÕES
Resumo
O uso indiscriminado de benzodiazepínicos no Brasil é preocupante, principalmente no grupo de pessoas idosas (CRUZ, 2009). Comercializados a partir da década de 1960, os ansiolíticos ganharam espaço nas prescrições médicas em razão do menor potencial de causar dependência e do maior índice terapêutico em relação aos barbitúricos. Atualmente, é a terceira classe de droga mais prescrita no País (HUF; LOPES; ROZENFELD, 2000). O objetivo neste trabalho foi verificar o perfil dos pacientes que fazem uso de benzodiazepínicos por longos períodos, bem como o risco advindo desse uso prolongado. Tratou-se de uma revisão da literatura em que foram utilizadas as seguintes bases de dados para a pesquisa: Scielo e Google Acadêmico. Selecionaram-se quatro artigos, e os descritores pesquisados foram: benzodiazepínicos, ansiolíticos e insônia. A idade, o número de medicamentos consumidos e o número de problemas de saúde são características que distinguem o usuário crônico do usuário não crônico de ansiolíticos (HUF; LOPES; ROZENFELD, 2000). Segundo Cruz (2009), o perfil do usuário crônico de benzodiazepínicos no Brasil é feminino, de baixa escolaridade, acima de 60 anos e com diagnóstico de ansiedade e/ou insônia. Tal característica possui grande relevância para a saúde pública, já que o uso crônico de benzodiazepinas em idosos aumenta significativamente a interação medicamentosa, a incidência de fraturas e quedas, a dependência e a tolerância quando o uso ultrapassa seis semanas (CRUZ, 2009). Além disso, de acordo com Nordon (2009), a grande maioria das prescrições primárias de benzodiazepinas é assinada por clínicos gerais, no contexto da atenção primária de saúde, os quais renovam a prescrição sem atentar para o tempo de uso. A prescrição médica é um fator de grande importância na manutenção do uso crônico de benzodiazepínicos (ORLANDI; NOTO, 2005). Conclui-se que o perfil predominante do usuário crônico de benzodiazepinas são mulheres usuárias de várias medicações, com baixa escolaridade, acima de 60 anos e das quais a queixa principal é insônia e/ou ansiedade. Além disso, a manutenção indiscriminada das prescrições de benzodiazepínicos contribui para o aumento da tolerância, dependência, quedas e fraturas nessa parcela da população.
Palavras-chave: Ansiolíticos. Benzodiazepinas. Saúde Mental. Saúde Pública.
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Referências
CRUZ, A. V. et al. Uso crônico de diazepam em idosos atendidos na rede pública em Tatuí-SP. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, v. 27, n. 3, p. 259-267, 2009.
HUF, Gisele; DE SOUZA LOPES, Claudia; ROZENFELD, Suely. O uso prolongado de benzodiazepínicos em mulheres de um centro de convivência para idosos. Cad. Saúde Pública, v. 16, n. 2, p. 351-362, 2000.
NORDON, David Gonçalves et al. Características do uso de benzodiazepínicos por mulheres que buscavam tratamento na atenção primária. Rev Psiquiatr Rio Gd Sul, v. 31, n. 3, p. 152-8, 2009.
ORLANDI, Paula; NOTO, Ana Regina. Uso indevido de benzodiazepínicos: um estudo com informantes-chave no município de São Paulo. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2005.