https://doi.org/10.18593/r.v50.36564
O suporte de Internacionalização às filiadas ao Sistema ACAFE: estratégias e ações do PPGEd UNOESC
Internationalization support for ACAFE System affiliates: strategies and actions by PPGEd UNOESC
Apoyo a la internacionalización de los afiliados al Sistema ACAFE: estrategias y acciones del PPGEd de la UNOESC
Patricia Carlesso Marcelino1
Universidade de Passo Fundo; Pesquisadora.
https://orcid.org/0000-0002-9084-1182
Marcio Giusti Trevisol2
Universidade do Oeste de Santa Catarina; Docente e Pesquisador.
https://orcid.org/0000-0001-6127-1750
Resumo: O artigo é resultado de uma pesquisa de pós-doutorado realizado no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) e que tem como tema central compreender a internacionalização da educação superior a partir da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE). O problema de pesquisa emerge da seguinte pergunta: em que medida o sistema ACAFE oferece suporte para a internacionalização em suas afiliadas e, em especial, ao programa de pós-graduação em Educação da Unoesc (PPGEd)? O objetivo é apresentar o suporte de internacionalização às instituições de ensino superior filiadas ao Sistema ACAFE e as estratégias e ações no programa de pós-graduação em Educação da UNOESC. Trata-se de uma abordagem qualitativa, bibliográfica e de metodologia analítica-hermenêutica com coleta de dados documental. O universo da pesquisa compreende o Planejamento Estratégico do PPGEd (2021-2025) da Unoesc. Como resultados, a pesquisa evidencia: (i) a importância da ACAFE como indutora de estratégicas para a internacionalização para suas afiliadas; (ii) que o PPGEd, no seu planejamento estratégico, considera a internacionalização como um pilar para a concretização de sua missão; (iii) que persistem desafios e potencialidades para a internacionalização no PPGEd, tais como a viabilidade de recursos para a curricularização e mobilidade acadêmica.
Palavras-chave: internacionalização; ACAFE; pós-graduação; UNOESC.
Abstract: This article is the result of post-doctoral research carried out at the Postgraduate Programme in Education of the University of Western Santa Catarina (UNOESC), the central theme of which is to understand the internationalization of higher education from the perspective of the Santa Catarina Association of Educational Foundations (ACAFE). The research problem emerges from the following question: to what extent does the ACAFE system offer support for internationalisation in its affiliates and, in particular, to Unoesc’s postgraduate programme in education (PPGEd)? The aim is to present the internationalization support provided to the higher education institutions affiliated to the ACAFE System and the strategies and actions of the postgraduate programme in Education at UNOESC. This is a qualitative, bibliographical approach using an analytical-hermeneutic methodology with documentary data collection. The research universe comprises UNOESC’S PPGEd Strategic Planning (2021-2025). The results of the research show: (i) the importance of ACAFE as an inducer of internationalisation strategies for its affiliates; (ii) that the PPGEd, in its strategic planning, considers internationalisation as a pillar for achieving its mission; (iii) that challenges and potential for internationalisation persist in the PEGEd, such as the viability of resources for curricularization and academic mobility.
Keywords: internationalization; ACAFE; postgraduate programmes; UNOESC.
Resumen: Este artículo es el resultado de una investigación posdoctoral realizada en el Programa de Posgrado en Educación de la Universidad del Oeste de Santa Catarina (UNOESC), cuyo tema central es compreender la internacionalización de la educación superior desde la perspectiva de la Asociación Catarinense de Fundaciones Educativas (ACAFE). El problema de investigación surge de la siguiente pregunta: ¿en qué medida el sistema de la ACAFE ofrece apoyo a la internacionalización en sus afiliados y, en particular, al programa de posgrado en educación (PPGEd) de la UNOESC? El objetivo es presentar el apoyo a la internacionalización ofrecido a las instituciones de educación superior afiliadas al Sistema ACAFE y las estrategias y acciones emprendidas por el programa de posgrado en Educación de la Unoesc. Se trata de un abordaje cualitativo, bibliográfico, con metodología analítico-hermenéutica y recolección de datos documentales. El universo de la investigación comprende la Planificación Estratégica del PPGEd de la UNOESC (2021-2025). Los resultados de la investigación muestran: (i) la importancia de ACAFE como inductora de estrategias de internacionalización para sus afiliados; (ii) que el PPGEd, en su planeación estratégica, considera la internacionalización como pilar para el logro de su misión; (iii) que persisten retos y potencialidades para la internacionalización en el PEGEd, como la viabilidad de recursos para la curricularización y la movilidad académica.
Palabras clave: internacionalización; ACAFE; programas de postgrado; UNOESC.
Recebido em 21 de outubro de 2024
Aceito em 03 de outubro de 2025
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Este estudo de abordagem qualitativa, bibliográfica e de metodologia analítica-hermenêutica3, com coleta de dados documental, é derivado do estudo de pós-doutorado, junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd) da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), na linha de Pesquisa: Educação, Políticas Públicas e Cidadania, e foi realizado durante o segundo semestre de 2024,vinculado ao Grupo de Estudos sobre Processos Pedagógicos e Políticas de Educação Superior em Santa Catarina - GEPPPPES/SC. Teve como objetivo apresentar um estudo sobre a temática da internacionalização na Educação Superior, bem como compreender o suporte de internacionalização às Instituições de Educação Superior filiadas ao Sistema ACAFE4, e, em especial, apresentar as principais estratégias e ações no Programa de Pós-Graduação em Educação da UNOESC.
Com base nessas premissas, a escolha do estudo pós-doutoral com essa temática alinha-se pela sua importância para o contexto da Educação Superior e reforça as informações apontadas no estudo de Carvalho e Araújo (2020), que destaca que o Brasil com suas políticas educacionais avança na cooperação internacional e implantou grandes processos de internacionalização. Entre elas, a internacionalização das IES, por meio das diversas formas de cooperação, crucial para a melhoria da qualidade do ensino e aumento da pesquisa que, unidos, criam condições para o desenvolvimento dos países e para o incremento da qualidade de vida das populações.
A internacionalização da Educação tem sido um dos mais importantes fatores de impacto na Educação Superior, em especial, na docência universitária. De acordo com Neves e Barbosa (2020, p. 144), nos últimos anos, o tema da internacionalização passou a fazer parte da agenda das lideranças acadêmicas, das principais agências de fomento e de entidades representativas das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas. As diversas possibilidades de internacionalização vêm crescendo exponencialmente nos últimos tempos. O pesquisador Hudzik (2011) considera esse fenômeno como internacionalização abrangente que se confirma por meio de ações para infundir as práticas de pesquisa, ensino, extensão e inovação no ensino superior. Ela molda o ethos e os valores institucionais que são incorporados pelos diversos setores das universidades.
As diversas possibilidades de internacionalização vêm crescendo exponencialmente nos últimos anos no contexto acadêmico, principalmente, nos programas de pós-graduação strictu sensu. Por essa via, Trevisol e Fávero (2019) destacam a internacionalização como um importante vetor para o fortalecimento da pesquisa, do ensino e da extensão enquanto indutora do desenvolvimento econômico, de inclusão social, de sustentabilidade e para a formação do cidadão global. Esse processo, quando intencional e consciente, realmente torna-se a quarta missão das instituições, quando objetiva, e segundo Santos e Almeida Filho (2012, p. 145), quando tem a função de reforçar projetos conjuntos e integradores; dar maior dimensão às suas atividades de formação, de pesquisa e de inovação; conduzir uma agenda própria de diplomacia cultural universitária; e contribuir para a consolidação de espaços integrados do conhecimento.
Neste sentido, tem-se o Plano Nacional de Pós-Graduação, PNPG, que reconhece a internacionalização nos programas de pós-graduação como uma condição estratégica para o desenvolvimento da ciência nacional, e que os programas devem instituir estratégias e ações em duas direções. Por um lado, atrair estudantes e docentes estrangeiros e, por outro lado, enviar mais estudantes, professores e pós-doutores às instituições estrangeiras para fazer formação, com vistas ao desenvolvimento científico e tecnológico.
Nesse contexto, emerge o problema de pesquisa, caraterizado pela seguinte pergunta: em que medida o sistema ACAFE oferece suporte para a internacionalização em suas afiliadas e, em especial, ao programa de pós-graduação em Educação da UNOESC? O objetivo deste estudo é compreender o processo de internacionalização às instituições de ensino superior filiadas ao Sistema ACAFE e as estratégias e ações no programa de pós-graduação em Educação da UNOESC. O lócus empírico da pesquisa é o Planejamento Estratégico (2021-2025) do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNOESC.
O artigo está dividido em dois momentos: No primeiro momento, apresentamos algumas informações sobre o suporte de internacionalização às IES filiadas ao Sistema ACAFE. No segundo, apontamos e descrevemos os avanços do programa de pós-graduação strictu sensu em Educação UNOESC e os seus desafios atuais e futuros, para o incremento da internacionalização docente e discente, com base no seu plano de internacionalização (2021-2025).
2 ALGUMAS PREMISSAS SOBRE A INTERNACIONALIZAÇÃO E O SUPORTE DO SISTEMA ACAFE ÀS SUAS IES FILIADAS
Na busca do desenvolvimento das microrregiões do estado de Santa Catarina, as IES filiadas ao Sistema ACAFE, cumprindo sua função social, desenvolvem, sem ônus para os beneficiários, programas e projetos de assistência à comunidade, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, inclusão social e construção da cidadania. Com base nesse cenário, Rocha (2023) assinala que a “diplomacia cultural universitária” potencializa a qualidade do tripé indissociável das funções típicas de uma universidade ao inseri-la no cenário internacional e buscar parceiros estratégicos para alcançar objetivos comuns ou complementares, almejando a excelência. É importante destacar que o processo deve ocorrer de forma autônoma no âmbito da criação de um espaço alargado, transnacional, de conhecimento, em proveito da visibilidade internacional da instituição.
A ACAFE tem como missão desde sua criação, em 02 maio de 1974 até os dias atuais, desenvolver o ensino, ciência, tecnologia e inovação pelo compartilhamento de ações e competências para assegurar o fortalecimento das Instituições de Educação Superior associadas em prol da Educação Superior em Santa Catarina. Sua visão está pautada em tornar-se reconhecida nacional e internacionalmente como um Sistema de Educação Superior integrado e sinérgico, capaz de produzir resultados para as IES e para a Sociedade na produção do conhecimento, da ciência, da tecnologia e da inovação.
Por essa via, o marco regulatório que qualifica e delimita finalidades das Instituições Comunitárias de Educação Superior (ICES), foi sancionado pela Presidente da República em novembro de 2013. Com o marco legal, as ICES, categorizadas como não estatais, sem fins lucrativos, de interesse social e de utilidade pública, passaram a potencializar suas ofertas de serviços à população, primando pelo acesso à educação de qualidade, proporcionais aos recursos obtidos do Poder Público, além de institucionalizar programas comunitários permanentes voltados à formação e ao desenvolvimento dos estudantes e da sociedade. O marco regulatório das Comunitárias vinculou os processos de supervisão, de regulação e de avaliação das ICES ao Sistema Federal, mas, em especial, ampliou a missão social dessas instituições, caracterizando-as, de fato e de direito, como um bem público, cada vez mais integradas e comprometidas com as demandas da sociedade
Um estudo realizado por Tessaro e Paulo (2023, p. 4) destacou que, com o sistema ACAFE, as primeiras universidades comunitárias foram criadas pelos poderes públicos municipais como resposta às necessidades locais, o que possibilitou o desenvolvimento social e econômico do estado. A segunda contribuição está relacionada ao processo de construção do conhecimento e ao tripé ensino-pesquisa-extensão.
A III CRES5, realizada em Córdoba, Argentina, em 2018, segundo Abba, Soares e Santos (2023, p. 220) retificou os valores defendidos nas conferências anteriores (Declarações da Reunião da Havana, Conferência Mundial de Educação Superior de Paris, e da Reunião em Cartagena das Índias), colocando a Educação Superior como um bem universal, que é direito de todos e dever do Estado. Na última Conferência, também foi reforçado que a Educação deve deter autonomia para exercer um papel crítico, sem sofrer intervenções de governos, religiões, mercado, dentre outros. Além disso, a Educação foi compreendida como a principal responsável pela formação de cidadãos e o principal meio para combater as desigualdades sociais ainda tão presentes na América Latina e no Caribe (e que, nos últimos anos, cresceu consideravelmente) (Abba, Soares e Santos, 2023, p. 220).
Durante as discussões realizadas na III CRES, salientou-se a importância da internacionalização na Educação Superior na América Latina e no Caribe, visando garantir uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, o que constitui um dos fundamentos para a necessária mudança social e econômica. Sua conquista está relacionada com o desenvolvimento de competências que permitam à região, seus países e cidadãos, atuar com propriedade em cenários complexos e inserir-se de forma efetiva em uma dinâmica mundial baseada no conhecimento. Isso demanda mudanças nos sistemas educativos e nas instituições, que considerem a cooperação, a construção solidária de saberes e a transferência de recursos entre regiões, países e instituições (CRES, 2018, p. 65).
O documento, igualmente, reforça que, na região, a internacionalização deve sustentar uma cooperação interinstitucional baseada em uma relação solidária entre iguais, com ênfases na cooperação Sul-Sul e a integração regional; que deve promover o diálogo intercultural, respeitando a idiossincrasia e identidade dos países participantes, fomentar a organização de redes interuniversitárias e fortalecer as capacidades nacionais mediante a colaboração interinstitucional e a interação com pares acadêmicos em escala regional e internacional. Sendo assim, se propiciará a circulação e a apropriação do conhecimento como bem social estratégico, a favor do desenvolvimento sustentável da região e o dos seus países. (CRES, 2018, p. 66).
Woicolesco (2023, p. 81) assinala, em sua tese, que compreender o movimento e o desenvolvimento da Internacionalização da Educação Superior também requer a identificação das formas mais comuns de internacionalizar, conforme apresentado na figura abaixo. A autora enfatiza que estão representados os principais modelos de Internacionalização da Educação Superior, a Internacionalização Integral ou Compreehensive6, IoC e IaH e a mobilidade acadêmica, também conhecida como crossborder, os quais eram os mais estudados e desenvolvidos até o advento da pandemia da COVID-19. Contudo, o contexto pandêmico contribuiu para o desenvolvimento de um novo modelo de Internacionalização da Educação Superior, que utiliza as TICs como o principal instrumento para mediar o desenvolvimento das competências interculturais e internacionais nos estudantes, assim como para a realização de eventos acadêmico/científicos, parcerias, pesquisas, cooperações, entre outros (Woicolesco, 2023, p. 81).
O estudo de Woicolesco (2023) reforça que, como um dos modelos tradicionalmente conhecimentos de Internacionalização da Educação Superior, a IaH tem origem na década de 1990, quando, após mais de uma década, os programas europeus de mobilidade acadêmica não atingiam 90% do total dos estudantes da Educação Superior e alguns docentes (Nilsson, 2003 in Woicolesco 2023, p. 81). A primeira definição da IaH foi cunhada por Nilsson (2003), que descreveu a IaH como toda atividade de cunho internacional que é realizada dentro das IES, exceto as que envolvem o intercâmbio (Woicolesco, 2023, p. 81). A autora aponta que, no bojo da IaH, é importante levar em consideração, embora sejam processos de internacionalização que ocorram dentro das IES, que essas instituições fazem parte da sociedade e, em certa medida, suas atividades são influenciadas por agentes externos, como governos, agências governamentais e não-governamentais, marcos regulatórios e instituições financiadoras (Wächter, 2000, in Woicolesco 2023, p. 82). Woicolesco (2023) enfatiza que, no entendimento de Otten (2000), a internacionalização da Educação Superior caracteriza-se pela mobilidade de estudantes, docentes e equipe técnico-administrativa, com suas próprias perspectivas culturais e visões de mundo, que se relacionam em contextos internacionais com outros horizontes (Woicolesco, 2023, p. 82).
Woicolesco salienta que esse olhar para a Internacionalização da Educação Superior aponta para uma preocupação em promover uma formação que incorpore o desenvolvimento de competências internacionais e interculturais para todos os estudantes da IES, o que também está presente na IoC. Na perspectiva de Nilsson (2000, p. 18, tradução de Woicolesco 2023, p.84), “um currículo que oferece conhecimentos e habilidades internacionais e interculturais, com o objetivo de preparar estudantes para a performance profissional, social e emocional em um contexto internacional e multicultural” (Woicolesco, 2023, p. 84).
Figura 1 - Modelos de Internacionalização da Educação Superior

Fonte: Morosini (2019) In Woicolesco (2023, p. 81).
A autora destaca que a IoC “está situada na intersecção das políticas e práticas universitárias” (Leask 2015, p. 04, tradução de Woicolesco, 2023, p. 84). Para internacionalizar a universidade não seria suficiente que a intenção estivesse contemplada nas políticas institucionais, se os professores não dominarem os saberes necessários para desenvolver um currículo que promova a internacionalização da aprendizagem. Isso significa dizer que a internacionalização deve estar presente em todas as dimensões de um currículo (formal, informal e oculto) (Woicolesco, 2023, p. 84).
Quando a IaH e a IoC já são uma realidade nas IES e a internacionalização consegue promover uma mudança cultural e organizacional, atingindo o ensino- pesquisa-extensão, gestão, serviços administrativos, e toda a comunidade acadêmica, Hudzik (2011 in Woicolesco, 2023, p. 88) propõe que a internacionalização tenha chegado a um nível Integral ou Compreensive (Woicolesco, 2023, p. 88). A pesquisa desenvolvida por Santos Filho (2020) destaca também que as estratégias programáticas e organizacionais de internacionalização da Educação Superior, seja para a via transfronteira, seja para a via doméstica, precisam ser definidas mediante indicadores operacionais de sua implementação, a fim de poderem ser avaliadas periodicamente, com base em critérios claros e definidos dessa política. A implementação efetiva dessa política implica o comprometimento efetivo, seja no nível estatal, seja no nível institucional, com a incorporação explícita da dimensão da internacionalização nos propósitos e nas funções atuais da universidade contemporânea.
Diante disso, Neves e Barbosa (2020) enfatizam que as atividades de internacionalização sempre fizeram parte da vida universitária, por meio da colaboração acadêmica na produção de conhecimento e da mobilidade de docentes e discentes. No entanto, como resultado das transformações da sociedade e da economia em meio ao processo de globalização e da constituição da sociedade do conhecimento, as Instituições de Educação Superior (IES) vêm sendo desafiadas a assumir novos papéis, prioridades e estratégias. Segundo as autoras, com o desenvolvimento da pós-graduação, ocorreu uma profunda renovação no ensino superior brasileiro, que propiciou a institucionalização da atividade de pesquisa nas universidades.
As autoras apontam que a cooperação acadêmica e técnica internacional teve papel importante na mudança desse cenário. Sob a coordenação da CAPES, órgão responsável pela política de pós-graduação e pela consolidação e expansão da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da federação, os Planos Nacionais de Pós-graduação (PNPGs) constituíram um elemento crucial na construção da arquitetura e desenvolvimento desse sistema. Neves e Barbosa (2020) indicam que, desde meados da década de 1970, existiram cinco PNPGs. A pós-graduação impôs-se, pouco a pouco, com a formação paralela de políticas específicas, a destinação de recursos e a mobilização permanente da comunidade nascente de pesquisadores.
O PNPG (2024-2028) , em sua versão preliminar de 2024 , aponta que a diretriz para a internacionalização da pós-graduação brasileira orientada para a soberania nacional, para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) , tendo como estratégias: retomar o protagonismo do Brasil nas políticas de cooperação estratégica e solidária com o Sul Global, na qual a formação de pessoal de nível superior seja central para o desenvolvimento acadêmico, científico, tecnológico e inovador; garantir ampliação da internacionalização em casa nas parcerias internacionais tradicionais; promover o multilinguismo, induzindo o aumento da proficiência em idiomas estrangeiros da comunidade do SNPG, bem como o aumento da proficiência em língua portuguesa da comunidade acadêmica mundial; induzir a institucionalização nas IES de uma unidade responsável pela internacionalização, com instâncias responsáveis pela recepção e acompanhamento de docentes e discentes estrangeiros, incluindo acadêmicos refugiados e promover ações para ampliar a visibilidade internacional dos programas de pós-graduação brasileiros. O PNPG (2024) ainda tem como objetivo: promover e fortalecer a interação com instituições estrangeiras em áreas estratégicas de interesse para o desenvolvimento nacional, tendo como estratégia: incorporar a Agenda Nacional de Formação de Recursos Humanos de Alto Nível no desenho das cooperações internacionais para a mobilidade acadêmica internacional (Brasil, 2024, p. 110-111).
No entanto, o estudo de Moura e Stallivieri (2024, p. 4) chama a atenção que ainda é perceptível uma significativa lacuna no sentido de capturar, organizar, sistematizar e disponibilizar, de forma mais eficiente, a quantidade de informações geradas e adquiridas; e dos métodos utilizados na divulgação, quando relacionado ao uso informacional para a melhoria na preparação dos futuros intercambistas compreenderem as estratégias adotadas pelas instituições de Ensino Superior de Santa Catarina (IES) para que seja possível sistematizar as informações provenientes da mobilidade acadêmica internacional em suas instituições e indicar um modelo teórico composto por grupos informacionais essenciais para contribuir na melhoria da gestão universitária dos programas de mobilidade acadêmica e no sucesso dos participantes dos programas de intercâmbios institucionais (Moura; Stallivieri, 2024, p. 4).
O estudo de Moura e Stallivieri (2024, p. 17) informa que a sistematização das informações sobre internacionalização, até então, é feita pelos funcionários das secretarias de relações internacionais e de ensino das IES locais e estrangeiras. Entretanto, é fundamental que, ao retornar para o seu país, o estudante conceda todas as informações para a sua instituição. A IES deve extrair ao máximo o conhecimento de tudo o que o estudante vivenciou, realizou, participou (Moura; Stallivieri, 2024, p. 17). Também é preciso considerar as dificuldades de gestores acadêmicos e docentes com o processo de internacionalização dos currículos, incorporando à formação universitária as competências e habilidades exigidas pelo mercado de trabalho no cenário da globalização. As complexidades impostas à Educação Superior na contemporaneidade exigem práticas docentes mais inclusivas e integradas, que valorizem e respeitem a diversidade cultural e promovam a convivência e a comunicação intercultural no campus universitário (Woicolesco; Morosini, 2024, p. 31).
Neste sentido, em 2024, a ACAFE ofereceu um incremento de capacitações e suporte sobre internacionalização aos escritórios de internacionalização das IES filiadas para robustecer as ações de internacionalização. Por essa via, destacam-se as premissas discutidas pela União de Universidade da America Latina e Caribe (UDUAL), que foram reforçadas durante a Conferência Mundial de Ensino Superior de 2022, apontando que, da mesma forma, também é preciso reexaminar o conceito da qualidade do Ensino Superior. Os critérios atuais para certificar a qualidade correspondem à forma nas que se faziam as gestões nos diferentes processos do governo universitário e das funções substantivas no marco dos seus objetivos na missão. A universidade pós-pandemia é diferente daquela pré-pandemia, em assuntos centrais que precisam incluir-se em novos critérios de avaliação, consistentes com o perfil do graduado que se tem proposto.
Nessa mesma ordem de ideias, a internacionalização nos diversos aspectos que a constituem tem de reexaminar globalmente, tratando com novos modelos de aprendizagem que estão na procura de processos de colaboração no nível global. As experiências que vivemos têm sido relevantes para a importância dos resultados, não só dos processos. O enfoque dos resultados precisa aproveitar-se para lograr a adaptação às novas condições nas que vão funcionar as universidades nos anos posteriores (UDUAL, 2022, p. 7).
Quadro 1 - Centros Universitários e Universidades filiadas ao Sistema ACAFE que possuem programas de Pós-graduação stricto sensu em educação, que dispõem de convênios de internacionalização e mobilidade acadêmica a seus discentes, docentes e pesquisadores
Fonte: Dados dos sites das IES em agosto de 2024 - os autores.
De acordo com as informações, diretamente coletadas nos sites das IES, dentre os quatorze Centro Universitários e Universidades filiadas ao Sistema ACAFE, em 2024, nove delas possuem Programas de Pós-Graduação em Educação (PPGEs) sendo que: oito possuem Mestrado e Doutorado Acadêmico em Educação , sendo uma delas em parceria com outra IES, vinculada aos Sistema ACAFE; uma possui Mestrado Profissional em Educação Básica e uma, além do Mestrado e Doutorado em Educação, possui também, o Mestrado Profissional em Educação Inclusiva. O estudo de Tessaro e Paulo (2023, p. 17) reforçou que as pesquisas e ações desenvolvidas nos PPGEs das universidades comunitárias, que integram o sistema ACAFE, têm fomentado impactos positivos na formação de profissionais, em especial, aos que atuam em escolas no contexto do estado de Santa Catarina. É importante destacar que as IES mencionadas disponibilizam a seus discentes e docentes a possibilidade de realizar estudos e pesquisas, mobilidade acadêmica e atividades de internacionalização, em diversos países em suas universidades conveniadas.
Diante dessas premissas, compreendemos que a ACAFE, articulada com as IES Comunitárias de Santa Catarina, assume o protagonismo ao organizar ações e projetos de internacionalização que permitam as instituições comunitárias partilharem espaços internacionais de conhecimento e solidificar uma cultura internacional em cada IES associada. Por essa via, a declaração da CRES (2018) aponta que a internacionalização constitui uma ferramenta chave para transformar a Educação Superior, fortalecer suas comunidades e promover a qualidade e pertinência do ensino, da pesquisa e da extensão. Favorece, ademais, a formação de cidadãos e profissionais, respeitosos da diversidade cultural, comprometidos com o entendimento intercultural, a cultura de paz e com capacidade para conviver e trabalhar em uma comunidade local e mundial. Sua antítese seria a concepção de uma internacionalização mercantilista, que favoreça os interesses hegemônicos e desnacionalizantes da globalização.
O cumprimento de todos esses objetivos requer estratégias sistêmicas, integrais, compreensivas e transversais a todas as políticas de desenvolvimento institucional. Assim mesmo, são necessárias políticas públicas que apoiem o processo de internacionalização mediante o estabelecimento de marcos organizacionais que facilitem a integração acadêmica regional, a mobilidade de estudantes e acadêmicos, o reconhecimento de trajetórias formativas internacionais, a dimensão internacional dos programas acadêmicos e a colaboração internacional em pesquisa, entre outros (CRES, 2018, p. 66).
Com relação às políticas de internacionalização em nível federal, o estudo de Trevisol, Fávero, Tedesco e Schoenardie (2023) aponta três direções: a) inserção internacional dos programas de pós-graduação Stricto Sensu; b) incremento e financiamento para áreas e pesquisas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país; c) implementação de políticas para a internacionalização que considerem as assimetrias nacionais e estejam voltadas para aspectos regionais de caráter inclusivo.
Consolidada na cultura das universidades comunitárias de Santa Catarina, a internacionalização é um modelo que se desenvolveu sistematicamente dentro da ACAFE ao longo das últimas duas décadas: em um mundo cada vez globalizado, os países entenderam a importância de conectarem-se e as instituições de ensino superior passaram a ter relações mais próximas, o que resultou na criação do eixo da internacionalização na Educação Superior. Em Santa Catarina, a internacionalização chegou às universidades comunitárias individualmente, com cada instituição implementando seu próprio programa. Com isso, não demorou para que fosse criada a Câmara de Internacionalização da ACAFE, que, desde 2016, promove a conexão entre setores e serviços das universidades com instituições de outros países por meio de ações conjuntas e estratégicas.
A Câmara de Internacionalização tem sido essencial para a consolidação e ampliação das estratégias de internacionalização de suas IES filiadas , visto que oportuniza um espaço de discussão de ações conjuntas e estratégicas para a internacionalização das universidades participantes, além de potencializar pontos de convergência dos relacionamentos internacionais já existentes, no compartilhamento e união das boas práticas, na divulgação de programas e projetos de mobilidade e na participação de missões em eventos internacionais (G1, 2023).
A ACAFE, além do apoio de internacionalização, por meio da viabilização de convênios, organização de eventos, visitas técnicas, missões e no suporte às suas IES filiadas, também desenvolve um importante papel e atua por meio de sua representatividade junto ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Durante o ano de 2024, a presidente da ACAFE representará o estado de Santa Catarina, no Comitê Consultivo de Processos Administrativos (CC+Pares) do MEC, em que se discutirá a regulação e a supervisão da Educação Superior no Brasil, tanto presencial, quanto EAD. A ACAFE, por intermédio de sua presidente, no comitê, em 16 de julho de 2024, esteve atuante e reforçou a importância de termos vozes locais em debates nacionais, tão cruciais para o futuro da Educação.
Essa participação foi imprescindível durante audiência pública da Comissão para o Marco Regulatório das Instituições Comunitárias de Ensino Superior Brasileiras, do Conselho Nacional de Educação (CNE), que aprovou a resolução aguardada desde 2013, que regulamenta a Lei 12881/2013 e que atende a uma demanda significativa de instituições de Educação Superior comunitárias no Brasil, especialmente as universidades e centros universitários do Sistema ACAFE.
Com essa aprovação, essas universidades poderão participar de editais expedidos por órgãos governamentais de fomento e pelo Ministério da Educação, que poderão ser direcionados de forma igualitária para as instituições comunitárias de Educação Superior. O trabalho foi realizado na audiência pública da Comissão para o Marco Regulatório das Instituições Comunitárias de Ensino Superior Brasileiras, do Conselho Nacional de Educação (CNE).
Woicolesco e Morosini (2024) referem que, como são diversas entre si, as IES possuem diferentes missões e pontos de partida. Atualmente, há o entendimento de que a internacionalização pode ocorrer no exterior e no próprio país, a partir da implantação das premissas que valorizem e impulsionem a interculturalidade, como a Internacionalização em Casa (IaH), Internacionalização do Currículo (IoC), Internacionalização Integral ou Comprehensive, ou ainda mediada por tecnologias, denominada de Internacionalização Virtual (Woicolesco; Morosini, 2024, p. 16). Ressaltamos, no entanto, que as IES vinculadas ao Sistema ACAFE têm se voltado à construção de possibilidades de incremento das atividades que se vinculam à internacionalização, ao ensino, à pesquisa e à inovação, possibilitando aos seus discentes e docentes a participação em diferentes modalidades.
Segundo Woicolesco e Morosini (2014), as complexidades impostas à Educação Superior na contemporaneidade exigem práticas docentes mais inclusivas e integradas, que valorizem e respeitem a diversidade cultural e promovam a convivência e a comunicação intercultural no campus universitário. Ademais, esse quadro interfere no fortalecimento dos programas por envolver a internacionalização do currículo, formação em línguas estrangeiras, mobilidade de estudantes e professores, participação em projetos de pesquisa em redes internacionais, mas pode ocasionar a fuga de cérebros em áreas estratégicas. Destacamos a relevância da inclusão de estratégias voltadas ao desenvolvimento profissional dos professores no planejamento institucional de internacionalização (Woicolesco; Morosini, 2024, p. 34-35).
Linhas
3 OS AVANÇOS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM EDUCAÇÃO UNOESC E OS DESAFIOS PARA O INCREMENTO DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOCENTE E DISCENTE (2021-2025)
A UNOESC assumiu um compromisso com a internacionalização desde 2010, quando criou o Programa de Mobilidade Acadêmica e instituiu uma coordenadoria específica para planejar e implementar ações estratégicas com essa finalidade e horizonte. Desde então, o intercâmbio de conhecimentos assumiu relevância e constitui prioridade para a Instituição.
As possibilidades que a internacionalização propicia perpassam por avanços advindos de pesquisas conjuntas, projetos, programas, educação continuada e qualificação de recursos humanos, visando à colaboração mútua. Assim, a inserção da UNOESC, para além de sua fronteira regional, coloca-a em sintonia com a contemporaneidade, e vai além dos processos de mobilidade acadêmica.
Neste sentido, reforçamos o compromisso da UNOESC com a qualidade da Educação e com a difusão do conhecimento científico e tecnológico dos seus cursos de graduação e da pós-graduação stricto sensu, a qual se orienta pelo princípio da integração entre ensino, pesquisa, extensão e inovação, bem como pela missão, visão e objetivos institucionais, fundamentados e alicerçados em seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para o período de 2023 a 2027. Encontra-se, ademais, em consonância com as políticas institucionais e a legislação educacional vigente, observada a necessidade de responder ao dinamismo socioeconômico e à inovação demandada pela sociedade contemporânea, visando à redução de assimetrias mediante a promoção do desenvolvimento sustentável local e regional. Os programas de pós-graduação stricto sensu UNOESC têm, como propósito, a qualificação institucional e o desenvolvimento de pesquisas e projetos para o enfrentamento e solução de problemas regionais e da sociedade.
Por essa via, reestruturou-se o setor que passou a ser chamado, em 2020, de Coordenadoria Geral de Relações Internacionais (CGRI). Por meio dele, foi institucionalizado o programa de Internacionalização da UNOESC, que proporciona oportunidades de formação e capacitação ampla para que a comunidade acadêmica responda, mediante contato com a diversidade cultural e de métodos observados, ao fenômeno da globalização. A Coordenadoria Geral de Mobilidade Acadêmica está localizada no Centro Administrativo da UNOESC Joaçaba e conta com o apoio dos campi de Videira, Xanxerê, Chapecó e São Miguel do Oeste para o melhor atendimento aos alunos e orientação sobre os programas oferecidos.
Os avanços em termos de políticas de internacionalização assumidos pela UNOESC, segundo seu PDI (2023), alinham-se ao ensino, pesquisa, extensão e inovação, de forma sustentável. A Instituição organizou estrutura para abrigar o setor, vinculado à Reitoria, sob a responsabilidade de uma coordenadoria administrativa ramificada nos seus campi, com base nas seguintes políticas:
Com base nessa política, de acordo com o seu PDI, a internacionalização nos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu UNOESC orienta-se nas seguintes diretrizes (p. 69-70):
Diante das informações obtidas sobre os convênios ativos da UNOESC, disponibilizados por sua Coordenadoria de Relações Internacionais-CGRI, em agosto de 2024, percebemos que indicam avanço nas políticas de internacionalização, sobretudo, a partir de 2017 com a aprovação do Plano de Internacionalização (PI). Os convênios assinados pela ACAFE são do tipo guarda-chuva e, a partir deles, as IES assinam termos específicos de cooperação, de acordo com suas necessidades.
No entanto, caso seja necessário efetivar algum convênio que ainda não se tenha para realizar pesquisas e estudos, em instituições do exterior ou até mesmo brasileiras, a universidade ou a ACAFE realizam a mediação e o processo, viabilizando o convênio. No conjunto, entre ACAFE e as suas 14 IES filiadas, são mais de 222 acordos internacionais. Dentre eles, destacam-se os 07 (sete) convênios a seguir, conforme dados obtidos, segundo CGRI-UNOESC, em agosto de 2024:
Além das possibilidades de internacionalização descritas, a UNOESC disponibiliza a seus discentes e docentes a possibilidade de participação de editais externos para a internacionalização e tem estabelecido metas e objetivos para potencializá-la. Cabe mencionar a Organização Universitária Interamericana (OUI) que tem contribuído para o fluxo de estudantes na graduação e pós-graduação em regime de colaboração com as IES parceiras.
Como estratégia, são celebrados convênios com as instituições, os aspectos pedagógicos são de responsabilidade das instituições e o custeio das despesas de deslocamento, hospedagem e alimentação ficam por conta dos estudantes. Destaca-se também que, durante a estadia na UNOESC, os estudantes estrangeiros contam com uma rede de apoio, com acesso ao Serviço de Apoio do Estudante (SAE), contato direto com a coordenação de curso e assessoria para questões jurídicas e habitacionais. Além desse aspecto, são promovidos encontros com os estudantes, palestras e momentos de convivência com os demais estudantes.
Com base nas informações da CGRI da UNOESC, a equipe da internacionalização acompanha os estudantes nas primeiras semanas, apresentando a cidade, o campus e os serviços oferecidos pela instituição. Para os estudantes estrangeiros, é disponibilizado, além dos contatos institucionais (e-mail e portal de ensino), um canal direto por meio do WhatsApp para que possam entrar em contato a qualquer momento caso seja necessário algum auxílio específico.
Com relação à curricularização da internacionalização na UNOESC, é importante destacar que a instituição disponibiliza a possibilidade de realização de atividades on-line e síncronas que permitem a execução de atividades de internacionalização para estudantes e professores em casa. Tal perspectiva possui um ponto positivo que permite a participação on-line síncrona e assíncrona com atividades desenvolvidas em universidades estrangeiras, por outro lado, não permitem a vivência e imersão em outras culturas de forma presencial.
É importante destacar todo o esforço institucional, como também o engajamento e comprometimento de toda equipe do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação da UNOESC para a aprovação e para a oferta do seu Mestrado em Educação. Em 2001, o programa foi aprovado pelo CONSUN, ofertando a primeira turma e, em 2003, obteve o reconhecimento pelo Conselho Estadual de Educação. Em 11 de julho de 2006, o curso recebeu a recomendação pela CAPES e, em 01 de janeiro de 2007, obteve o reconhecimento pelo Conselho Nacional de Educação. O doutorado em Educação da UNOESC teve a homologação na 1ª Reunião Extraordinária do Conselho Superior da Capes - Parecer CNE/CES de 15/02/2018 e iniciou a oferta da primeira turma em 13 de agosto de 2018.
O programa tem como missão formar pesquisadores de alto nível acadêmico, aptos e comprometidos com a produção, a difusão e o avanço do conhecimento científico da área da Educação e com a intervenção em problemas relacionados ao fenômeno educativo em suas múltiplas dimensões e determinações, com vistas à transformação social. O Programa possui as seguintes linhas: Linha 1: Educação, políticas públicas e cidadania, que investiga políticas educacionais e suas transformações históricas. Linha 2: Processos Educativos, que investiga ensino, aprendizagem e desenvolvimento, explorando entre perspectivas teóricas e práticas pedagógicas em diversos contextos educativos. Até setembro de 2024, o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação UNOESC formou 348 Mestres, 16 doutores e 08 (oito) pós-doutores. O PPGEd já enviou ٠٥ (cinco) discentes via mobilidade acadêmica para as seguintes instituições: Pontificia Universidad Católica de Valparaíso/Chile e para a Universidad de Los Lagos/Chile. Com relação a oferta de Doutorado Sanduiche, 02 (dois) discentes realizam estudos nessa modalidade na Universidade de Chihuahua, no México e na Universidade Lusófona, em Portugal.
Dentre todos os convênios e acordos firmados com as universidades conveniadas, quer seja por intermédio de convênios realizados diretamente pela UNOESC ou pela ACAFE, nos mais diversos países, o Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação da UNOESC possuiu convênios específicos, para que os discentes e docentes possam ter a possibilidade de internacionalização, ou de realizar suas pesquisas e estudos em Educação, de acordo com as linhas de pesquisa, nas seguintes universidades: Pontificia Universidad Católica de Valparaíso - Chile, Universidad de Los Lagos-Chile, Universidade de Chihuahua México, Universidade Lusófona- Portugal, Universidade do Minho- Portugal e na Universidad de La Costa, na Colômbia. Outro diferencial também é que, caso algum discente ou docente desejar realizar alguma pesquisa ou intercâmbio em alguma instituição ou país, ainda não conveniado, existe a possibilidade de sua realização, por meio da mediação entre a coordenação do Programa Stricto Sensu em Educação e a CGRI da UNOESC.
Quanto à realização de estágios de pós-doutorado, é evidente que eles ficam restritos a editais internos e externos que concedem bolsas. Neste aspecto, a instituição tem dedicado atenção e buscado organizar diretrizes internas, a fim de permitir o aumento quantitativo de professores que efetivem o pós-doutorado internacional.
A atração de professores estrangeiros ocorre mediante a participação em eventos, congressos, seminários e grupos de pesquisa, no entanto, devido às suas condições, a contratação tem sido apresentada como um grande desafio. A UNOESC reconhece a importância da internacionalização de seus professores e tem fortalecido a construção de diretrizes, objetivos e estratégias que garantam essa condição.
O PPGEd possui seu Plano Estratégico de Internacionalização (2021-2025), que tem por objetivo, formar quadros qualificados para atuação nos diferentes setores da sociedade, por meio de pesquisas colaborativas, produção intelectual conjunta e mobilidade de docentes e discentes de modo a contribuir para o fortalecimento e diferenciação institucional. Alinhados com a Área de Concentração, as Linhas de Pesquisa e os Convênios ativos do PPGEd, constituem temas estratégicos do Plano de Internacionalização 2021-2025: Internacionalização da Educação Superior; Avaliação educacional e accountability; Filosofia da Educação; e, Políticas de Formação de Professores.
O PPGEd UNOESC, possui como diretrizes e estratégias, conforme seu Plano de Internacionalização (2021-2025):
Quadro 2 - As diretrizes e as estratégias de Internacionalização do PPGEd para o período de 2021-2025

Fonte: Adaptado do Plano de Internacionalização do PPGED- UNOESC (2021-2025). os autores.
No âmbito do PPGEd, as metas de internacionalização para o período de 2021-2025 estão organizadas considerando quatro dimensões a partir dos quais o plano de ações estratégicas encontra-se estruturado, conforme o quando descrito abaixo:
Quadro 3 - As dimensões e ações do PPGEd Unoesc:
Fonte: Plano de Internacionalização do PPGEd Unoesc (2021-2025) - os autores.
É importante destacar que o acompanhamento das ações de internacionalização para o período de ٢٠٢١-٢٠٢٥ é anual, por meio do recolhimento de dados e informações dos Currículos Lattes e de preenchimento de formulário endereçado a docentes e discentes do PPGEd, bem como do monitoramento que acontece na recolha anual de dados para preenchimento do Coleta Capes e por meio do Plano de Autoavaliação do PPGEd.
Plano de Autoavaliação do PPGEd. Nas quatro dimensões, o PPGEd da UNOESC tem promovido a curricularização da internacionalização por meio de componentes ministrados em parceria entre pesquisadores, por intermédio de redes de pesquisa, publicações internacionais, com o envio e o acolhimento de estudantes estrangeiros, eventos e intercâmbios. Estrategicamente, a internacionalização permite reafirmar sua missão e fortalecer seu compromisso enquanto universidade comunitária comprometida com a regionalidade.
Por essa via, enquanto orientação, a internacionalização, segundo Trevisol, et al, 2023, pode ser considerada como: (i) o processo de integração de uma dimensão internacional, intercultural ou global na finalidade, nas funções ou na oferta de instituições de educação superior; (ii) como processo que valoriza a vivência internacional, reconhece o potencial do conhecimento científico e tecnológico e prioriza os conhecimentos atrelados na solidariedade e tolerância entre povos e nações; (iii) como processo cultural que se manifesta no interior das universidades, o qual afeta as mentalidades, os valores e as percepções, dando lugar para uma visão mais ampla e universal na compreensão da realidade (Trevisol et al., 2023). Por outro lado, os autores destacam que, no contexto da sociedade de acumulação flexível, a internacionalização pode assumir outras faces e intencionalidades que podem colocar em “xeque” sua condição de promotora de solidariedade entre povos e nações.
Diante dessas premissas, por meio das iniciativas comunitárias, acadêmicas e de internacionalização, o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da UNOESC tem como desafio atual e futuro buscar constantemente e elevar ainda mais seus escores de qualidade acadêmica e de excelência em suas linhas de pesquisa, quer seja no Mestrado ou no Doutorado, e incentivar seus discentes e docentes para participarem de ações e estudos por meio da internacionalização.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Internacionalização da Educação tem sido um dos mais importantes fatores de impacto na Educação Superior em especial. As diversas possibilidades de internacionalização vêm crescendo exponencialmente nos últimos anos no contexto acadêmico, em especial, junto aos programas de pós-graduação stricto sensu. No caso da análise, filiamo-nos à compreensão de internacionalização de Hudzik (2011), que aponta o conceito de internacionalização integral ou abrangente. No caso da ACAFE e do Programa de Pós-Graduação da UNOESC, isso significa assumir um compromisso, confirmado pela ação, para infundir perspectivas internacionais e comparativas ao longo das missões de ensino, pesquisa e serviço do ensino superior. Neste sentido, permeia a instituição em um vasto espectro de pessoas, políticas e programas, com base numa cultura internacional ampla, profunda e integradora que permite que toda a instituição torne-se internacionalizada.
Nessa mesma perspectiva, Trevisol e Fávero (2019) apontam a internacionalização como um importante vetor para o fortalecimento da pesquisa, do ensino e da extensão, enquanto indutora do desenvolvimento econômico, de inclusão social, de sustentabilidade e para a formação do cidadão global. No entanto, no contexto da sociedade de acumulação flexível, a internacionalização pode assumir outras faces e intencionalidades que podem colocar em “xeque” sua condição de promotora de solidariedade entre povos e nações. Para tal, é importante que, mesmo que a missão de uma instituição seja declarada como local, regional ou nacional, ela precisa assumir um posicionamento estratégico global que facilite trocas bidirecionais e multi-fronteira. Nesse contexto, Hudzik (2011) destaca que “é um erro dicotomizar as instituições de ensino superior em aquelas que priorizam perspectivas locais ou globais. Na realidade, a maioria das instituições hoje precisa equilibrar ambas as prioridades ao longo de um continuum de orientação local-global”, embora o autor admita que existam diferentes graus com variadas ênfases nessa abordagem.
Por essa via, é importante referir o papel do PPGEd UNOESC para incentivar e primar em manter a robustez e a experiência profissional de todo o seu corpo docente, inspirando a transformação positiva nos diversos contextos e comunidades catarinenses, como também em outras regiões do país e do exterior, por meio do acesso e da democratização da internacionalização, como também por intermédio da difusão do conhecimento gerado por seus discentes e egressos, guiando-se por seus valores de excelência, produção intelectual, inclusão e compromisso com o desenvolvimento educacional, tecnológico e social. Em seu planejamento estratégico, o PPGEd UNOESC reconhece a internacionalização como um pilar para a concretização de sua missão e para a promoção do desenvolvimento regional no campo da educação. Os desafios para concretizar as metas e ações são de diversas ordens, sobretudo, quando consideramos sua localização geográfica e sua organização administrativa.
Essa condição aponta para a necessidade de políticas públicas que sejam indutoras da internacionalização, especialmente, para universidades que são localizadas no interior do país. Por um lado, há o reconhecimento da internacionalização como forma de potencializar o desenvolvimento científico e tecnológico, por outro lado, o baixo investimento de recursos ou de políticas federais que deem condições de efetivar a internacionalização em instituições interioranas. Ainda que tenhamos tido avanços em documentos como o PNPG (2024-2028) com o reconhecimento da internacionalização, o caminho ainda é longo para a efetivação de uma cultura internacional nos programas de pós-graduação.
Nesse interim, o PPGEd e a UNOESC estão engajadas para cumprir os objetivos propostos no PNPG (2024-2028), gerando ações internas e externas, juntamente com a ACAFE, para que se possa promover e fortalecer a interação com instituições estrangeiras em áreas estratégicas de interesse para o desenvolvimento nacional, tendo, como estratégia, e desafio atual e futuro, incorporar a Agenda Nacional de Formação de Recursos Humanos de Alto Nível, no desenho das cooperações internacionais para a mobilidade acadêmica internacional.
Sugerimos , com base na pesquisa de Moura, Stallivieri (2023), robustecer, sistematizar e armazenar, pelas suas equipes responsáveis, todas as informações, evidências, relatórios de viagens e missões e dados sobre os convênios de internacionalização, mobilidade docente e discente do PPGED UNOESC, sobre as suas experiências, estudos e missões, em seus sites e no escritório de internacionalização, para que se possa compartilhá-las de forma mais intensa em suas redes sociais e páginas oficiais , como também em momentos específicos junto aos discentes, como, por exemplos, em eventos e aulas magnas, para sua difusão e para incentivar estudos futuros sobre o tema.
REFERÊNCIAS
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Endereços para correspondência:
Patrícia Carlesso Marcelino - patriciacarlessowellness@gmail.com.
Marcio Giusti Trevisol - marcio.trevisol@unoesc.edu.br.
1 Doutora e Pós-Doutora em Educação pelo PPPGEdu pela Universidade de Passo Fundo; Especialista em Docência na Saúde (UFRGS); Especialista em Arteterapia e, em Atividade Física e Qualidade de Vida (UPF-RS); Profissional de Educação Física, Arteterapeuta e Pedagoga; Pós- Doutora no PPGEd - UNOESC, campus Joaçaba, linha de Pesquisa: Educação, Políticas Públicas e Cidadania e está vinculado ao Grupo de Estudos sobre Processos Pedagógicos e Políticas de Educação Superior em Santa Catarina - GEPPPPES/SC; Pesquisadora e membro do Grupo de Estudos em Ética, Democracia e Educação (GEEDE) e no Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior (GEPES) da Universidade de Passo Fundo (UPF-RS).
2 Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Passo Fundo; Mestre em Ética e Filosofia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina; Filósofo; Docente dos cursos de graduação e no PPGEd - UNOESC-SC, linha de Pesquisa: Educação, Políticas Públicas e Cidadania; Líder do Grupo de Estudos sobre Processos Pedagógicos e Políticas de Educação Superior em Santa Catarina - GEPPPPES/SC; Membro da REDE-GIEPES Grupo Internacional de Estudos e Pesquisas sobre Educação Superior, da Rede Iberoamericana de Estudos e Pesquisas de Políticas e Processos de Educação Superior - RIEPPES e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior (GEPES - UPF-RS).
3 A pesquisa bibliográfica de natureza hermenêutica é um processo de construção do conhecimento que apresenta, como seu grande desafio, a agregação da produção conceitual elaborada com a realidade contextualizada. Ademais, a hermenêutica filosófica constitui-se na tensão existente entre a experiência de caráter ontológico e a atividade reflexiva, livrando nossas experiências dos limites impostos pela racionalidade lógica. Sem pretensão de chegar a conhecimentos últimos e definitivos, a hermenêutica encontra-se sempre a caminho de sentidos novos, que, a exemplo dos anteriores, nunca serão desvendados por inteiro. É o esforço do desvelamento dos sentidos ocultos sob as aparências do manifesto. Para além da delimitação lógico-científica do saber humano, imposta pela racionalidade moderna, a hermenêutica dedica-se ao processo de interpretação que nunca chega à afirmação de verdades indiscutíveis (Goergen, 2010. p. 14).
4 Associação Catarinense das Fundações Educacionais – ACAFE é uma sociedade civil sem fins lucrativos que congrega as fundações educacionais criadas no estado de Santa Catarina por lei dos poderes públicos estadual e municipais. O objetivo dessa união é promover o intercâmbio administrativo, técnico e científico entre as Instituições de Educação Superior, na busca de soluções para problemas comuns nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e administração.
5 Declaração apresentada na Assembleia da III Conferência Regional de Educação Superior (CRES), celebrada na Universidade Nacional de Córdoba, Argentina, 14 de junho de 2018.
6 Woicolesco (2023) destaca que, considerando que o campo científico da Internacionalização da Educação Superior tem origem nos países nos quais o idioma inglês é predominante, e que nos estudos sobre o tema as terminologias e siglas utilizadas, inclusive por pesquisadores brasileiros, mantém o idioma original, optou-se por manter as terminologias ou siglas referentes aos distintos processos de Internacionalização nesse idioma (Woicolesco, 2023, p. 81).