https://doi.org/10.18593/r.v49.35382

Por uma internacionalização da educação superior inclusiva: a iniciativa da plataforma Progressio Americae da Oducal

For an inclusive internationalization of higher education: the Progressio Americae Platform of Oducal

Por una internacionalización inclusiva de la educación superior: la iniciativa de la plataforma Progressio Americae de Oducal

Paulo Fossatti1

Universidade La Salle; Professor e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação.

https://orcid.org/0000-0002-9767-5674

Jose Alberto Antunes de Miranda2

Universidade La Salle; Professor permanente do Mestrado em Direito e Sociedade.

https://orcid.org/0000-0002-5338-4728

Resumo: A internacionalização da educação superior na América Latina necessita ações mais inclusivas diante das assimetrias sociais da região. A grande maioria desses incentivos ainda vem de governos, mas igualmente, restritos, pois são poucos países do contexto latino-americano que oferecem bolsas para programas latino-americanos. É importante lembrarmos que a América Latina apresenta programas de pós-graduação de excelência tanto em universidades públicas como em privadas. Objetiva-se demonstrar a importância das ações inclusivas em rede, como a promovida pela Organização das Universidades Católicas Latino-Americanas, com a criação de uma plataforma que incentiva a formação no âmbito da pós-graduação. O estudo é de natureza qualitativa descritiva, a partir de consultas documentais e bibliográficas. Conclui-se que a iniciativa da Plataforma amplia a possibilidade de acesso dos estudantes da região ainda que restrito em muitos países.

Palavras-chave: gestão da internacionalização; inclusão; educação superior; universidades católicas.

Abstract: The internationalization of higher education in Latin America requires more inclusive actions in view of the social asymmetries in the region. The vast majority of these incentives still come from governments, but equally, restricted, as there are few countries in the Latin American context that offer scholarships for Latin American programs. It is important to remember that Latin America has postgraduate programs of excellence both in public and private universities. The objective is to demonstrate the importance of inclusive network actions, such as the one promoted by the Organization of Latin American Catholic Universities, with the creation of a platform that encourages postgraduate training. The study is of a descriptive qualitative nature, with documentary and bibliographic consultations. It is concluded that the Platform initiative expands the possibility of access for students in the region, although restricted in many countries.

Keywords: internationalization management; inclusion; higher education; catholic universities.

Resumen: La internacionalización de la educación superior en América Latina requiere acciones más inclusivas frente a las asimetrías sociales de la región. La gran mayoría de estos incentivos todavía provienen de los gobiernos, pero son igualmente restringidos, ya que hay pocos países en el contexto latinoamericano que ofrecen becas para programas latinoamericanos. Es importante recordar que América Latina cuenta con excelentes programas de posgrado, tanto en universidades públicas como privadas. Se objetiva demostrar la importancia de acciones inclusivas en red, como la que promueve la Organización de Universidades Católicas Latinoamericanas, con la creación de una plataforma que fomenta la formación en nivel de posgrado. El estudio es de naturaleza cualitativa y descriptiva, con consultas documentales y bibliográficas. Se concluye que la iniciativa de la Plataforma amplía la posibilidad de acceso para estudiantes de la región, aunque en muchos países está restringido.

Palabras clave: gestión de la internacionalización; inclusión; educación superior; universidades católicas.

Recebido em 07 de agosto de 2024

Aceito em 08 de novembro de 2024

1 INTRODUÇÃO

As ações de internacionalização da educação superior, no contexto latino-americano, precisam ser mais inclusivas. Pouco se discute sobre isso em uma região que apresenta muitas assimetrias e desigualdades sociais. Dentre outros segmentos, a universidade tem muito a contribuir para a diminuição dessas diferenças. Elas estão atentas a esta problemática, pois ao lado das oportunidades que a internacionalização da educação superior oferece, há uma série de problemas políticos, éticos e de acesso à educação que são complexos, contestáveis e contraditórios no contexto latino-americano.

O objetivo deste artigo é demonstrar a importância das ações inclusivas em rede, como a promovida pela Organização das Universidades Católicas Latino-Americanas, a partir da criação de uma plataforma que incentiva a formação no âmbito da pós-graduação de colaboradores administrativos que trabalham junto a essas instituições.

O estudo realizado é de natureza qualitativa descritiva, desenvolvido por meio de consultas documentais e bibliográficas.A abordagem deste estudo é qualitativa, pois foi considerada a forma mais adequada para entender a natureza do fenômeno estudado – iniciativas em rede e internacionalização do Ensino Superior. Os estudos que utilizam a metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema e analisar a interação entre determinadas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por determinados atores (Richardson, 1999).

Para a elaboração do referencial teórico, procedeu-se uma revisão da literatura dispo- nível nas bases de dados (Google Scholar; Ebscohost; SciELO), buscando-se as teses e disser- tações, bem como artigos científicos publicados sobre o tema no Brasil e no exterior. Nos bancos de dados, sites e documentos das universidades e organizacão envolvida. De acordo com Gil (2010), a pesquisa documental vale-se de toda sorte de documentos, elaborados com finalidades diversas.

A modalidade mais comum de documento é a constituída por um texto escrito, mas estão se tornando cada vez mais frequentes os documentos eletrônicos, disponíveis sob os mais diferentes formatos. O conceito de documento, por sua vez, é bastante amplo, já que pode ser construído por qualquer objeto capaz de comprovar algum fato ou acontecimento. Ainda segundo o mesmo autor, os documentos mais utilizados nas pesquisas, estão: documentos institucionais, mantidos em arquivos de empresas, órgãos públicos e outras organizações (Gil, 2010).

Assim sendo, para este estudo, avançou-se com mais uma etapa da pesquisa que consistiu na identificação das universidades em diferentes países latino-americanos que pertencem a Organizacao das Universidades Católicas da America Latina - ODUCAL países com universidades católicas que fazem esforço para ampliar o seu grau de internacionalização, sendo suficientes/satisfatórios para exemplos de análise para as acoes em rede dessa organização. Os principais documentos analisados são: ODUCAL (2017); ODUCAL (2020a); ODUCAL (2020b) e Progressio Americae (2022).

Na parte inicial do trabalho se demonstra a importância da cooperação internacional no contexto latino-americano por meio das ações de internacionalização da educação superior, pois a região latino-americana apresenta muitos desafios a serem enfrentados no sentido de promover uma internacionalização da educação superior mais abrangente. Na segunda parte do artigo se destaca as iniciativas de internacionalização das universidades católicas no contexto latino-americano no qual estão preocupadas em oferecer uma internacionalização mais inclusiva. Na quarta e última parte apresentamos a iniciativa da plataforma Progressio Americae da Organização das Universidades Católicas da América Latina e do Caribe (ODUCAL) como forma de oferecer maior acesso aos programas de pós-graduação aos colaboradores administrativos pertencentes a essas instituições da região, ação essa na tentativa de diminuir o déficit de mestres e doutores em algumas regiões da América Latina.

2 EDUCAÇÃO SUPERIOR, INTERNACIONALIZAÇÃO E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL NO CONTEXTO LATINO-AMERICANO

A Universidade é um espaço integrador e interdisciplinar e que por natureza discute as relações e o ambiente social. O seu processo de internacionalização também vai muito além das ações corriqueiramente conhecidas como o intercâmbio e a pesquisa internacional. É intrínseco à universidade contribuir para a cooperação internacional por meio de ações sociais integrativas no âmbito da assimilação do outro, nacional ou internacional.

Já a internacionalização da educação superior corresponde ao reconhecimento do impacto positivo e negativo da globalização, do advento da internet, da necessidade de combinar esforços e de criar parcerias para a sustentabilidade e o desenvolvimento institucional. Atende também ao aumento da demanda por estudar no exterior e da preeminente necessidade de colaborar e aprender com diferentes instituições de ensino superior ao redor do mundo na formação do cidadão global.

A internacionalização nãointernacionalização se não for abrangente, caso contrário não passa de uma mera repetição da velha educação internacional (De Wit, 2013). No entanto, o argumento do autor que classifica a internacionalização abrangente como sendo uma ‘tautologia’, ou seja, uma redundância (HOUAISS, 2001), não reflete o que se vê na prática. Até que se incorpore a ideia de internacionalização inclusiva na experiência coletiva das IES, corre-se o risco de “perpetuar o tipo de elitismo que tentamos combater” (De Wit; Jones, 2017, p. 18, tradução nossa).

No que tange o movimento recente por processos de internacionalização mais inclusivos, muito se deve ao trabalho do professor Bengt Nilsson, da University of Malmo, na Suécia. Foi durante um fórum da European Association for International Education (EAIE) em 1999 que Nilsson contribuiu com um artigo chamado ‘Internationalisation at Home – Theory and praxis’, no qual levantou diversos questionamentos a respeito do fato de que o principal programa do continente para fins de internacionalização (Erasmus) atendia apenas 10% da população acadêmica do continente, deixando os 90% restantes sem esta dimensão internacional tão importante (De Wit; Hunter, 2018).

A internacionalização abrangente afeta não apenas a vida no campus como também a imagem, as parcerias e relações da IES no exterior (Beelen; Jones, 2015). Uma visão mais abrangente da internacionalização garante: a) que as atividades de mobilidade serão apoiadas e que a experiência daqueles que participarem de programas desta natureza será mais bem aproveitada pela IES uma vez que estes retornem. E que será mantida b) a igualdade de oportunidades entre os estudantes ‘non-mobile’ que buscam uma experiência internacionalizada por meio de ações mais abrangentes incluindo o currículo e o desenvolvimento de pedagogias multiculturais (Robson, 2017).

Em se tratando de globalização, esta oferece oportunidades de enriquecimento da experiência universitária. Já a internacionalização pode ser vista no sentido de ajudar os estudantes para o mercado de trabalho por meio do aumento da consciência internacional e pode encorajar a universidade a atingir altos padrões internacionais.3 Na América Latina, por exemplo, as oportunidades de formação no exterior são ainda restritas. Nem sempre os estudantes encontram incentivos ou apoio que facilitem o acesso a cursos de pós-graduação, principalmente mestrados e doutorados. A grande maioria desses incentivos ainda vem de governos, mas igualmente, restritos, pois são poucos países do contexto latino-americano que oferecem bolsas para programas latino-americanos. É importante lembrarmos que a América Latina apresenta programas de pós-graduação de excelência tanto em universidades públicas como em privadas.

Assim, conforme apontado por Lima e Contel em nível estrutural, o esforço para internacionalização das universidades revela as diferentes formas como o processo de internacionalização tem se manifestado nos países centrais e periféricos. As universidades latino-americanas ainda são muito influenciadas pelo centro do sistema, mais protagonistas, fazendo que os países da periferia acabam por se inserirem em uma relação de subordinação (Lima; Contel, 2011).

Se observamos o relatório de indicadores da Education at a Glance da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE o mesmo revelava que 2018, 5, 6 milhões de alunos do ensino superior em todo o mundo cruzaram a fronteira para estudar, número este que indica mais que o dobro de 2005 (OCDE, 2020). Segundo o relatório “Education at a Glance 2020” temos que:

Embora os países da OCDE recebam a grande maioria dos estudantes internacionais e estrangeiros, o número de estudantes estrangeiros matriculados em países não pertencentes à OCDE tem aumentado mais rapidamente: seus números cresceram 6,2% ao ano, em média, em comparação com 4,3% para estudantes internacionais e estrangeiros nos países da OCDE. Em 2018, os alunos estrangeiros matriculados em países não pertencentes à OCDE representavam cerca de 30% do pool global de alunos com mobilidade internacional, em comparação com 23% em 1998 (OCDE, 2020, p. 228, tradução nossa).

Segundo dados da OCDE (2020) em média, a taxa de entrada no mestrado é de 14% e a taxa de entrada no doutorado é de apenas 1%. Conforme este mesmo relatório, nos países da OCDE, aproximadamente, 9% dos novos ingressantes no nível de bacharelado são estudantes internacionais, 21% no nível de mestrado e 29% no nível de doutorado (OCDE, 2020). Conforme o site do Instituto de Estatística da UNESCO (UIS), podemos destacar o número total de estudantes em mobilidade de cada país, conforme quadro elaborado por nós, a partir das pesquisas individuais sobre cada país, no site mencionado.

Quadro 1 - Dez países com maior número de alunos no exterior

País

Número total de alunos no exterior

China

993.367

Índia

375.055

Alemanha

122.538

Viet Nam

108.527

Coreia do Sul

101.774

França

99.488

Estados Unidos

84.349

Cazaquistão

83.503

Nepal

81.917

Arábia Saudita

77.406

Fonte: Dados coletados da plataforma online UIS.

O país com maior número de alunos no exterior é a China com mais de 993 mil alunos em outros países, sendo o principal destino os Estados Unidos (333.935 mil alunos). Na sequência, temos a Índia com mais de 375 mil alunos no exterior, sendo que os Estados Unidos, também, figuram o principal destino dos estudantes deste país, sendo (135.940 mil alunos). Já para a Alemanha, terceiro país com maior número de alunos no exterior, tem os Estados Unidos como terceiro destino para o qual o país mais envia estudantes: Áustria (28.932 mil alunos), Países Baixos (22.598 mil alunos) e Reino Unido (13.067 mil alunos). Se observarmos, nenhum país da América Latina aparece entre os dez países que mais enviaram alunos para o exterior. O Brasil chegou a aparecer entre 2012 a 2014, a partir do programa governamental Ciências sem Fronteiras. Nesse sentido, vale observar os países com maior número de alunos estrangeiros, conforme apresentamos no quadro a seguir.

Quadro 2 - Dez países com maior número de alunos estrangeiros

País

Número total de alunos do exterior no país

Estados Unidos

987.314

Reino Unido

452.079

Austrália

444.514

Alemanha

311.738

Federação Russa

262.416

França

229.623

Canadá

224.548

China

201.177

Japão

182.748

Peru

125.138

Fonte: Dados coletados da plataforma online UIS.

Observamos, a partir do quadro 2, os Estados Unidos como o país com maior número de alunos estrangeiros. Novamente apenas registramos o Peru no contexto dos países latino-americanos entre os dez.

Nesse sentido, ao lado das oportunidades que a internacionalização da educação superior oferece, há uma série de problemas políticos, éticos e de acesso à educação que são complexos, contestáveis e contraditórios no contexto latino-americano. A formação do estudante universitário requer a tomada de consciência de que esse processo de globalização produziu um mundo multiétnico e transcultural. É reconhecer que cada vez mais, e devido a esse processo, o mundo mescla culturas, formas de pensar e heterogeneidade. Por outro lado, ainda presenciamos que o encontro com o outro segue sendo difícil em um mundo que se debate entre o desejo de se abrir ao novo e proteger-se a si próprio, em uma contradição, onde os povos lutam por abrir suas fronteiras, mas desejam conservar o que é seu de forma inalterável. Tomar consciência de um momento histórico importante para considerar a alteridade como um dos principais desafios não só do presente, mas do futuro imediato, é um desafio para as novas gerações (Moron, 2018) e para nossas universidades na atualidade (Bechi, 2021).

E por se tratar de universidades, estas nos últimos 20 anos ampliaram imensamente as trocas internacionais promovendo um novo impulso à cooperação internacional interuniversitária. Tal comportamento visa principalmente acompanhar as enormes transformações decorrentes do processo de globalização e internacionalização. Essas iniciativas deram origem ao desenvolvimento de uma nova cultura de valorização dos enfoques internacionais, interculturais e interdisciplinares, permitindo assim a promoção e o apoio à interação, à cooperação e ao intercâmbio internacional.

Importante esclarecer que a colaboração e a cooperação são conceitos diferentes, embora ambas signifiquem “trabalhar em conjunto” e sejam importantes. A colaboraçãonão equitativa e assimétrica, o que implica a existência de um ator principal, responsável pelo projeto/programa e proprietário dos resultados mais interessantes do ponto de vista de aplicação estratégica, industrial, comercial e universitária, enquanto os outros membros são apenas coadjuvantes. Em geral, este tipo de trabalho conjunto se limita à assistência técnico-científica, à formação de recursos humanos para a pesquisa, à utilização de equipamentos e laboratórios do membro principal em experimentos conjuntos de interesse maior dos “donos da pesquisa”; à doação de equipamentos usados para países menos desenvolvidos. Ocupa-se ainda da instalação temporária e supervisionada em locais privilegiados no território do participante para observação/coleta de dados do membro principal (Vonortas, 2002).

A cooperação internacional universitária é a melhor forma ou meio para alcançar objetivos comuns no mundo globalizado. Ela abre portas de oportunidades para os países em desenvolvimento, para as universidades e seus atores. Mas cooperação é o ímpeto de continuidade das ações, pois todos os parceiros tentam maximizar seus interesses. Assim, consumar um acordo e sustentá-lo até o final do projeto/programa comum é uma tarefa que exige atenção. Constituem benefícios da cooperação, o compartilhamento dos custos, o acesso à experiência, tecnologia e instalações. A cooperação serve também como reforço político para o projeto/programa; cria ou estreita boas relações, exerce influência sobre os parceiros e funciona como efeito de demonstração de liderança (Stallivieri, 2004).

A colaboração visa evoluir para parceria mais equitativa, privilegiando o diálogo, a negociação, a decisão conjunta, a definição de projetos em comum acordo. O grande diferencial entre as duas formas de trabalhar em conjunto coloca à disposição da cooperação, o que cada parceiro tem de melhor, e de maneira complementar, mas sempre garantindo a independência de cada membro. A coordenação substituiu o controle, e o exercício da confiança passou a ser o princípio básico em prol da parceria. Os resultados da cooperação pertencem aos parceiros e deve ser proporcional ao esforço de cada um, pois há confiança entre as partes.

A colaboração bem-sucedida pode evoluir para cooperação. Um ponto essencial na cooperação é que ela agrega funções e age transversalmente, assim, não se limita à segmentação setorial. Ela também reúne conhecimento tácito, “know-how” e financiamento próprio. Cada parceiro é corresponsável pelo sucesso do empreendimento. Este procedimento facilita o aprendizado organizacional. A parceria é uma sociedade em que as regras são conhecidas, aceitas e respeitadas pelos seus membros. Os conhecimentos multidisciplinares e multisetoriais enriquecem as alianças, tornando-as atraentes em termos de competitividade (Vonortas, 2002).

Observamos que cooperação significa decisão conjunta, desde o planejamento até a execução e avaliação final, bem como correção de rota para projetos de médio e longos prazos. As chances de sucesso de parceria aumentam com os esforços em absorver conhecimentos anteriores de cada parceiro e os adquiridos na parceria. Tais parcerias, bem-sucedidas, motivam a realização de outras, mais audaciosas, exigindo mais conhecimento, confecção de trabalhos mais elaborados; compartilhamento mais equitativo em termos de financiamento de cada um e, às vezes, conquista de fatias de mercado que as cooperações internacionais promovem e facilitam.4

Em matéria de cooperação universitária pode-se agregar formas desta que a afetam no contexto global como são as cooperações para a democratização, para o desenvolvimento e formas específicas como a científica, cultural, pertinência e de solidariedade. Como projeto para o século XXI todos esses princípios para a cooperação simétrica foram expressos na Conferência Mundial da Educação Superior organizada pela Unesco em 1998. Nas resoluções relativas à internacionalização da educação superior se destacam os princípios da cooperação internacional sustentados na solidariedade, no reconhecimento e no apoio mútuo. Se impulsiona uma internacionalização baseada no diálogo cultural e uma cooperação científica e tecnológica respeitosa das idiossincrasias e identidade cultural de cada povo (Gazzola; Sandra, 2006).

Tanto na Declaração Mundial sobre Educação Superior no Século XXI de 1998, quanto na Conferência Mundial sobre Educação Superior de 2009, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Ciência. Cultura (UNESCO), embora não especifique a definição, associa o conceito de internacionalização à cooperação internacional, destaca como características desta cooperação o respeito pela soberania nacional e a autonomia das instituições de Ensino Superior. Da mesma forma, na última conferência reafirma-se o valor da Educação Superior como bem público e resgata-se seu papel e responsabilidade no desenvolvimento social das nações. Quanto à pós-graduação, a UNESCO salienta a necessidade no que se refere à qualidade, propõe a cooperação regional e afirma que: “é fundamental garantir a equidade de acesso e resultados, promover a qualidade e respeitar a diversidade cultural e a soberania nacional”. bem como “a necessidade de estabelecer sistemas nacionais de acreditação de estudos e garantia de qualidade, e de promover a criação de redes entre eles”. (UNESCO, 2018, p. 32).

Mabel D`Avila salienta que as carreiras de pós-graduação na América Latina não são um fenômeno recente, mas nas últimas décadas a oferta de carreiras neste nível aumentou notavelmente, especialmente a partir dos anos 90, em linha com as transformações que ocorrem nesse nível. No entanto, o principal destino dos estudantes continua sendo o padrão tradicional de distribuição geográfica: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, França e Alemanha, sendo baixo o percentual de matrículas em outros países da América Latina. Da mesma forma, como espaço de recepção para estudantes estrangeiros extrarregionais, a América Latina dificilmente é competitiva. Ao mesmo tempo, a mobilidade estudantil e profissional para os países desenvolvidos tem aumentado - fuga de cérebros - devido a vários motivos, como as necessidades de recrutamento dos países desenvolvidos, as facilidades concedidas para o livre trânsito de profissionais e as diferenças entre salários, oportunidades de carreira, diferenças na qualidade de vida (D`Avila, 2012).

Em síntese, pode-se dizer que, na América Latina, há uma diversidade de programas e acordos desenvolvidos com vista à cooperação e à internacionalização da educação superior sob os auspícios de associações e redes universitárias, de instituições de educação superior e de organismos intergovernamentais. Todavia, a realidade mostra que os referidos acordos nem sempre são abonados pelos países assinantes, além do que os caminhos burocráticos se sobressaem, nesse processo, como uma dificuldade para sua efetivação (Castro; Cabral Neto, 2012).

Como se observa, a mobilidade é um instrumento estratégico para gerar maiores possibilidades de integração internacional concreta que, além disso, traz benefícios para o desenvolvimento econômico e social e o desenvolvimento do conhecimento. Qualquer iniciativa que amplie essas possibilidades no âmbito latino-americano deve ser bem recebida diante das poucas iniciativas se comparada, por exemplo, ao continente europeu. Logo, entendemos que:

[...] a Cooperação Internacional tornou-se um fator fundamental para o incremento da ciência brasileira e mundial, justamente nesse período em que a educação está sendo considerada prioritária nas sociedades que se internacionalizam e são impulsionadas rapidamente devido à era da globalização, que por si só, diminui fronteira, tornando qualquer tipo de contato mais rápido, fácil e eficaz (Westphal, 2014, p. 55).

Dentro desse contexto, uma das principais tendências econômicas e sociais é o surgimento de uma sociedade baseada no conhecimento que traz a necessidade concomitante de desenvolver educação e treinamento dentro de um sistema de aprendizagem contínua, a fim de se oferecer a todos os cidadãos instalações e facilidades de aprendizagem para se adaptarem aos mais recentes conhecimentos e demandas de novas habilidades.

Para Diana Faraon, Carolina Spinola, Luciane Stallivieri e Joaquin Barros a análise das transformações pelas quais passa a universidade contemporânea, estão ligadas às profundas mudanças de conceitos, como os de conhecimento e cultura, pode-se focar o processo de cooperação interuniversitária como um elemento particularmente novo na construção desses conceitos renovados. Pode-se dizer que a cooperação internacional entre universidades trata, especialmente, da transferência e da utilização do conhecimento como método capaz de criar novos conhecimentos. É um processo dinâmico que muda substancialmente o potencial da Universidade (Faraon et al., 2019).

Segundo os autores, o atual momento desafia a necessidade de um profissional que consiga responder às demandas de sua localidade, do seu território, mas que, ao mesmo tempo, busque estar com os olhos abertos e atentos às questões do globo. Ele precisa compreender os efeitos que os eventos externos geram em sua realidade, pois precisa perceber que habilidades e competências serão necessárias para atuar nesse mercado que se transforma a cada momento. Uma das ferramentas que potencializam o destaque dos profissionais é a educação, e aqui é importante salientar o papel das instituições de ensino superior na formação de cidadãos globais e profissionais mais bem qualificados e mais aptos para interferir positivamente no destino de suas regiões, destacando-se a sua importância como mola propulsora do crescimento e desenvolvimento das nações (Faraon et al., 2019). Assim, se identifica que a colaboração e a cooperação internacional no âmbito universitário ampliam o compartilhamento do conhecimento e integra a comunidade científica a todo o globo. Esses processos precisam ser planejados no sentido de oferecer mais solidariedade e compartilhamento.

3 AS INICIATIVAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO DAS UNIVERSIDADES CATÓLICAS NO CONTEXTO LATINO-AMERICANO

A ODUCAL possui pouco mais de 65 anos de história e, “[...] quer se tornar o espaço da educação superior católica na América Latina e no Caribe, a fim de inovar em nossas funções educativas, formação integral, qualidade de pesquisa e serviço à sociedade, estimulada pela evangelização da cultura.” (ODUCAL, 2020a, n/p, tradução nossa). Criada em 1953, essa organização busca a excelência na educação superior, a partir da comunicação com outras instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais, entre outras. Assim, cabe salientar que,

A missão da ODUCAL é servir de ponto de encontro, coordenação e colaboração mútua de suas instituições afiliadas, buscando fortalecer a educação superior católica na América Latina e no Caribe. Para tanto, desenvolve um conjunto de ações voltadas ao intercâmbio acadêmico, buscando melhorar a qualidade do ensino, da pesquisa e do serviço à sociedade realizado por seus integrantes e incentivando-os na tarefa de evangelizar a cultura (ODUCAL, 2020b, n/p, tradução nossa).

Os países com instituições associadas à ODUCAL são Peru, Bolívia, México, República Dominicana, Venezuela, Colômbia, Guatemala, Panamá, Costa Rica, Haiti, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Equador, Porto Rico, Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. As associadas são em torno de 124 instituições de ensino superior no Mundo.

As universidades católicas na América Latina têm respondido, ainda que algumas vezes com dificuldade e a partir de diferentes estágios de internacionalização, positivamente e com entusiasmo às oportunidades trazidas pela globalização. Essa reação é conduzida pelo desejo de assegurar sua identidade católica, formas adicionais de renda, o aumento da excelência acadêmica, a competitividade e, também, pelo desejo efetivo em promover, entre os profissionais do meio, a cultura do internacional, aumentando, com isso, a qualidade dos estudantes, do ensino e da pesquisa em suas regiões.

Com a aceleração do processo de globalização e seu impacto na educação superior latino-americana, a internacionalização das universidades católicas tornou-se mais comum e também mais complexa. A massificação da educação superior, o aumento das informações divididas por meio da internet, a movimentação de alunos e profissionais em direção ao exterior e a vinda de estrangeiros para essas instituições tornaram essencial a profissionalização da gestão na área.

A internacionalização constitui hoje uma das forças que mais impactam e definem a educação superior, pois envolve desafios frente ao século em que vivenciamos, potencializado por trocas internacionais e interculturais entre as instituições de ensino superior (IES) no mundo se ampliam constantemente. Este século exige que as universidades repensem o seu papel diante da sociedade, como instituições que abrigam diferentes valores e opiniões e que destacam o caráter universal do conhecimento. Os benefícios e propósitos da internacionalização se diferenciam de instituições para instituições e de país para país. O sistema de educação superior global é caracterizado pela diversidade em relação a cada dimensão no que significa ser uma universidade. Hoje, o aumento da pressão competitiva sobre as instituições de ensino superior, não apenas nacionalmente, mas também no exterior, para captar estudantes, fundos e funcionários, exige que elas pensem estrategicamente sobre o seu posicionamento. Assim o vínculo entre identidade e internacionalização se torna mais evidente.

As parcerias internacionais podem se tornar uma ferramenta essencial para inovar a educação e a pesquisa, para comparar padrões e práticas institucionais com o objetivo de melhorar a qualidade e fortalecer a posição da universidade. As tendências em direção à diminuição da receita de ensino e ao aumento dos custos operacionais implicam a necessidade de planejamento para geração de renda e oportunidades oferecidas pelo recrutamento internacional de estudantes e parcerias estratégicas para acessar fontes de financiamento internacionais que são cada vez mais relevantes (Hunter; James, 2018). Nesse sentido, a maioria das expectativas divididas entre as instituições de ensino superior é que a internacionalização irá contribuir para a qualidade e relevância para a educação superior em um mundo mais interconectado e interdependente (Knight, 2008).

Diante deste cenário, a gestão estratégica da internacionalização na educação superior nas universidades católicas da América Latina tornou-se um foco importante de atenção. A literatura explora a internacionalização em sua manifestação, sua promoção, suas implicações para áreas como políticas governamentais, planejamento estratégico e gestão, e qualidade educacional. Problematiza ainda sobre mobilidade de estudantes, ensino e aprendizado, e o lugar do idioma e a cultura no ensino e aprendizado, a partir da dimensão intercultural (Scarino; Crichton; Woods, 2007).

Portanto, a internacionalização é parte da resposta e é composta de diferentes estratégias, políticas e atividades desenvolvidas por governos e instituições, como as universidades na América Latina. Assim a globalização e a internacionalização são conceitos-chaves para o entendimento da educação superior. Esforços para promover a internacionalização da educação superior objetivam fazer com que a comunidade acadêmica tenha condições de compreender, apreciar e se articular ante a interdependência entre os Estados em diversas áreas como o meio ambiente, a economia, a cultura e o social, dentre outras.

Em todos esses interrogantes é pressuposto o grande desafio que chamamos à porta de nossos sistemas de educação superior, enfrentados, mas não apenas, pelas enormes desigualdades que têm sido regidas na América Latina, mas também processos paradoxicos que poderíamos descrever como “de latinoamericanização” do mundo mais rico, no sentido de que tudo parece indicar que o crescimento da desigualdade se encontra cada vez mais em todas as latitudes, comprometendo a ordem democrática como o que conhecemos nas últimas décadas, o crescimento e o desenvolvimento econômico, um la misma paz social. Também no meio ambiente de um planeta que começa a cruzar, dedicando-se à educação e à produção de conhecimento antes de um enorme desafio que é difícil saber se você pode assumir.

A região latino-americana, com suas múltiplas complexidades, sua heterogeneidade e seus problemas estruturais, tem igualmente o potencial para discutir e propor no cenário multilateral diferentes miradas para promover um novo caminho de desenvolvimento, capaz de gerar bem-estar e melhorar as condições de vida democrático (Unzué; Perrotta, 2023).

Da mesma forma, esses esforços devem preparar a comunidade acadêmica para atuar em um contexto internacional e intercultural cada vez mais presente em um mundo globalizado (Deardorf et al., 2012, Humbane; Chemane, 2021). As instituições de Ensino Superior têm a oportunidade e a responsabilidade, através do ensino e da pesquisa, de aumentar a compreensão desse fenômeno que afeta as nações (Wit, 2002). A construção de uma política de internacionalização no âmbito das universidades católicas da América Latina precisa contemplar a diversidade de enfoques nas ações dos atores nacionais, nas suas identidades e características de contextos locais específicos que promovem a internacionalização.

Neste cenário, a necessidade de formar um estudante global para ser um cidadão global atento e sensível aos problemas sociais existentes na região e no mundo, sendo internacional ou de suas universidades, exige que o mesmo seja crítico ante suas experiências de interconectividade. As universidades católicas da América Latina estão conscientes disso.55 Ao mesmo tempo, aos professores responsáveis por suas disciplinas, é exigida a capacidade de desenvolver nos discentes o reconhecimento de suas próprias relações globais, a partir das tensões existentes no mundo e suas desigualdades. Está o estudante das universidades católicas latino-americanas preparado para contribuir com a diminuição das barreiras globais, para lidar efetivamente com novas ideias e participar integralmente em sua comunidade?

A partir do processo de globalização, a Educação Superior no mundo, independentemente de ser das católicas ou não, tem experimentado e continua experimentando mudanças desconfortáveis. A mesma se expandiu de forma muito rápida nos últimos anos, tanto em termos de números absolutos quanto de percentuais ante a população a quem serve. Ainda que se celebre o alcance que a educação tenha atingido, não se pode negar os desafios que essa expansão trouxe. Mais pontualmente, pode-se focar na comunidade católica latino-americana, a qual se viu frente à necessidade de responder ao aumento do número de pessoas com mais diversidade de experiências, de expectativas e aspirações no meio universitário. Entretanto, a internacionalização independentemente de sua natureza estatal, privada ou confessional, não significa pessoas se dirigindo a lugares distantes, embora essa mobilidade possa ser uma constante. A noção principal está na mobilidade de ideias espalhadas não apenas pela viagem de pessoas, mas através da Internet ou outro meio eletrônico.

De acordo com John Hudzik, os modelos dominantes de universidade contemporânea originados nos séculos XVIII e XIX são paralelos ao crescimento do poder do Estado-nação. As universidades eram instituições de configurações nacionais. Podiam se identificar tensões entre os interesses nacionais que deveriam ser servidos pelas universidades e a liberdade da condução das ideias e dos acadêmicos pelas fronteiras na busca pelo conhecimento global. A internacionalização estava naquele tempo em tensão com o político, o institucional e a resistência cultural como um fenômeno individualístico (Hudzik, 2015).

A realidade das Instituições de Ensino Superior é peculiar. Mesmo em sistemas nacionais de educação superior centralizados, as instituições desenvolvem culturas e sistemas formais e informais individuais de gestão no sentido de formatar e governar o seu comportamento baseado nas tradições e personalidades de cada local. Um processo de internacionalização abrangente necessita estar de acordo e comprometido com os princípios institucionais de cada universidade.

Para que as universidades se movam em direção a uma gestão da internacionalização, de forma abrangente, estratégica e consistente, é fundamental o significado das modificações substanciais que irão estabelecer. As mudanças precisam estar refletidas nas práticas e nas regulamentações associadas com as áreas específicas dos programas ou em questões ainda mais amplas, como a própria identidade das universidades católicas. É importante considerar que as universidades possuem identidades de acordo com a sua categoria: confessionais, comunitárias, de acordo com as categorias reconhecidas pelos governos latino-americanos.6 A globalização impacta diretamente a preparação das populações das universidades. Na América Latina, os campi universitários ainda não são tão diversos, tanto com relação aos alunos quanto aos colaboradores, como os existentes em países que se abriram mais à internacionalização da Educação Superior. Ainda assim, os estudantes ingressam, convivem e estudam, além de competirem e cooperarem. Complementam suas identidades a partir da vivência nos campi, fazem planos de vida rodeados por diferentes culturas nacionais, étnicas e socioeconômicas.

Essas questões trazem debates no âmbito do processo de globalização aludidos à grande diversidade e ao engajamento da imigração e à expansão das culturas locais, bem como à mercantilização da Educação Superior. A massificação do acesso à educação superior, por exemplo, poderia ser conduzida por uma visão de que competir globalmente exige uma base de estudantes muito mais preparados para se integrar ao mercado de trabalho e às atividades das grandes empresas (Almeida; Santiago, 2016). Além disso, a globalização impacta diretamente o modo como os estudantes necessitam estar preparados para compreender e aplicar seus conhecimentos. A natureza interconectiva dos diferentes sistemas de mundos exige habilidades para se compreender os problemas e para pesquisar e implementar soluções que levam em conta essas conexões. O impacto nas decisões dos indivíduos tem a potencialidade de ser sentido em outros sítios globais, requisitando habilidades de prever, avaliar e realizar julgamentos éticos a ações pessoais e profissionais informados pela perspectiva global (Lauder et al., 2006).

Com relação ao campus, a maioria dos contextos nos quais os estudantes e colegas interagem, envolve contato com outros ou, mais pontualmente, com estrangeiros. Em suas ontologias, normas, rituais e motivações, podem diferenciar significativamente as suas vidas. Conforme Barata (2019), é preciso construir indicadores de internacionalização que fomentem o respeito à diversidade disciplinar, institucional e cultural, assim como a autonomia e a criticidade. Na América Latina cada universidade católica apresenta realidades diferenciadas de estudantes de acordo com as regiões.

Depois da graduação, todos os estudantes irão viver e trabalhar em um mundo altamente globalizado e interconectado, onde a diversidade cultural será a norma e a interação com as pessoas de diferentes contextos culturais sustentando suas efetivas cidadanias, uma constante. A comunicação intercultural facilita o desenvolvimento de seres humanos interligados e mais cooperativos. Atitudes também são exigidas, incluindo abertura, curiosidade e o desejo de refletidas durante e depois das interações. Para Deardorff et al. (2012), competência intercultural é a habilidade de se comunicar efetiva e apropriadamente em situações interculturais para mudar quadros de referências apropriadas e adaptar o comportamento ao contexto cultural.

A missão educacional das universidades católicas tem uma perspectiva de atravessar fronteiras e atribui importância à diversidade cultural muito antes de a internacionalização entrar em moda. Quando analisamos a cooperação internacional das universidades católicas, vemos uma plataforma na qual as pessoas aceitam os sistemas de valores e as diferenças culturais, umas das outras, e discutem problemas sociais e questões regionais, respeitando a diversidade.

Vive-se um mundo profundamente secular em que a identidade confessional da universidade é erroneamente contrastada com a liberdade de pensamento, a objetividade científica e o respeito à diversidade e à inclusão. Neste contexto a universidade católica é chamada a ser mais criativa, rigorosa e exigente ao afirmar os valores cristãos de uma maneira que um diálogo entre fé e cultura, e fé e vida é estabelecido. De acordo com a Constituição Apostólica, Ex Corde Ecclesiae, João Paulo II (1990)

§ 3. Toda a Universidade Católica deve manifestar a sua identidade católica mediante uma declaração acerca da sua missão ou com outro documento público apropriado a não ser que doutra maneira seja autorizada pela Autoridade eclesiástica competente. Ela deve possuir, particularmente no que se refere à sua estrutura e aos seus regulamentos, meios para garantir a expressão e a conservação de tal identidade de acordo com o § 2.

Ao falarmos sobre identidade católica nas Universidades, devemos nos perguntar sobre o conceito antropológico defendido pelo catolicismo, seu diálogo entre fé e razão e sua identidade institucional na composição de propostas com outra IES, independentemente de seus credos, mas sempre no respeito e diálogo às suas identidades complementares.

4 A INICIATIVA DA PLATAFORMA PROGRESSIO AMERICAE DA ODUCAL COMO MAIOR ACESSO AOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO LATINO-AMERICANOS

O Programa Progressio Americae é uma plataforma de compartilhamento de bolsas de estudos no âmbito dos programas de Mestrado e Doutorado, direcionados a colaboradores docentes e técnico administrativo das universidades membro da ODUCAL. O objetivo do programa é possibilitar uma formação acadêmica, profissional e pessoal com uma visão internacionalizada e que possa contribuir com o desenvolvimento das universidades membros da organização. O Programa conta com uma plataforma de gestão, onde as universidades poderão consultar os programas acadêmicos e bolsas de estudos oferecidas pelas universidades-membros e indicar seus colaboradores. Além disso, também poderão ofertar seus programas acadêmicos e gestionar a concessão de bolsas de estudos.

Estão aptas a participar do Programa Progressio Americae as instituições associadas à ODUCAL que estejam em dia com as suas obrigações sociais e financeiras com a organização. Além disso, as instituições precisam contar com programas de Mestrado e Doutorado autorizados pelos respectivos órgãos legislativos nacionais. O projeto contribui para atenuar o déficit de capital humano avançado na região, apontando também para sua inserção no quadro da criação de um espaço latino-americano do conhecimento. O projeto lançado é uma iniciativa ousada no âmbito da operacionalização e incentivo à mobilidade acadêmica internacional no âmbito de universidades católicas das Américas.

Inicialmente a Rede “ODUCAL” de Doutorados nasceu como resultado do interesse dos Reitores das Universidades Católicas da região, expressos na Assembleia Geral realizada em Antofagasta, Chile, em 15 de setembro de 2009, e cuja iniciativa foi acolhida pela presidência da organização um ano depois. Por unanimidade do Conselho Executivo da “ODUCAL”, reunido em 30 de maio de 2010 na cidade de Guadalajara, México, a Rede foi estabelecida em novembro daquele ano com o objetivo principal de reduzir o déficit de capital humano avançado. A região também propõe sua inserção no âmbito da criação de um espaço latino-americano de conhecimento e inspiração cristã.

Durante a Assembleia Geral da “ODUCAL”, realizada em setembro de 2016 na cidade de Monterrey, México, foi aprovado que a Rede de Doutorados fosse transformada em “Rede de Postgrados”, de forma a incluir não apenas os programas de doutorado, mas também mestrado, buscando também incorporar à oferta programas gerados por mais instituições membros da “ODUCAL”. A iniciativa salienta a troca de serviços acadêmicos no nível de pós-graduação e cobre 100% da taxa de inscrição para o programa selecionado, bem como o custo da matrícula ou inscrição pela instituição de destino. O aluno beneficiário recebe uma licença da instituição de origem com salário total ou parcial, seguindo os procedimentos e requisitos estabelecidos por cada universidade. A instituição de origem pode oferecer também suporte adicional para cobrir seguro, acomodação, bolsa e outros conceitos, de acordo com as possibilidades orçamentárias da sua instituição.

No dia 28 de agosto de 2020 (Unilasalle, 2020) a ODUCAL lançou a plataforma de Compartilhamento de Bolsas de Estudo Progressio Americae, sob coordenação da Assessoria de Assuntos Interinstitucionais e Internacionais da Universidade La Salle Canoas. Segundo o site da Universidade La Salle (Unilasalle, 2020), “O objetivo do programa é possibilitar uma formação acadêmica, profissional e pessoal com uma visão internacionalizada e que possa contribuir com o desenvolvimento das universidades membros da organização”. Esta proposta é um desejo do Plano de Trabalho 2010-2012 que foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Executivo da ODUCAL em Guadalajara, em 30 de maio de 2010 (ODUCAL, 2017).

Conforme a descrição da plataforma Progressio Americae (2020), esta “[...] promove o intercâmbio de serviços acadêmicos entre as universidades filiadas ao ODUCAL, por meio do qual as instituições que decidam participar oferecem bolsas integrais para inscrição em seus programas de mestrado e doutorado para diretores e acadêmicos e acadêmicos. pesquisas de outras instituições membros da Organização”.

Gráfico 1 - Número de bolsas de isenção oferecidas por instituições de ensino superior pertencentes a Oducal

Fonte: Plataforma Progressio Americae, 2022.

Gráfico 2 - Números de bolsas ofertadas (por áreas do conhecimento oferecidas pelas IES da Oducal)

Gráfico

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Fonte: Plataforma Progressio Americae, 2022.

Gráfico 3 - Número de candidaturas enviadas pelos colaboradores das IES pertencentes a Oducal

Gráfico de barras

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Fonte: Plataforma Progressio Americae, 2022.

Gráfico 4 - Número de bolsas concedidas pelas IES pertencentes a Oducal

Gráfico, Linha do tempo, Gráfico de barras

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Fonte: Plataforma Progressio Americae, 2022.

Os gráficos dos dados obtidos da plataforma demonstram que a iniciativa da organização, apesar de recente, contribuiu para que parte importante das universidades pertencentes a essa organização se mobilizassem na oferta de programas de pós-graduação. Isso permite um acesso mais abrangente e inclusivo aos programas de pós-graduação na região, principalmente para aquelas com déficit de formação no âmbito de mestrados e doutorados. Ainda que a iniciativa se dê somente no âmbito das universidades católicas pertencentes a essa organização, a ação é louvável e válida para a região latino-americana no sentido de ampliar a inclusão dos colaboradores dessas universidades por meio do acesso a programas de pós-graduação de importantes universidades, não só contribuindo para ampliação do conhecimento, mas permitindo mais acesso no âmbito da educação internacional pois os colaboradores dessas instituições não possuem nenhum tipo de custo financeiro para realização dos programas ofertados.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As universidades católicas da América Latina ampliaram imensamente as trocas internacionais promovendo com isso um novo impulso à cooperação internacional interuniversitária. Essas universidades buscam principalmente acompanhar as enormes transformações decorrentes do processo de globalização e internacionalização. As iniciativas deram origem ao desenvolvimento de uma nova cultura de valorização dos enfoques internacionais, interculturais e interdisciplinares, permitindo assim a promoção e o apoio à interação, à cooperação e ao intercâmbio internacional.

A recente iniciativa da ODUCAL, a partir da utilização da plataforma Progressio Americae, incentiva a participação em programas de pós-graduação existentes na região para colaboradores administrativos dessas universidades. A iniciativa indica que as mesmas estão preocupadas com uma educação internacional mais inclusiva a partir de suas ações. A oferta de oportunidades educacionais como essa, principalmente no âmbito de uma região que apresenta um grau elevado de desigualdades e assimetrias, vem ao encontro da promoção uma internacionalização da educação superior mais inclusiva e abrangente.

A plataforma Progressio Americae contribui para atenuar o déficit de capital humano avançado na região, apontando também para sua inserção no quadro da criação de um espaço latino-americano do conhecimento. A proposta é uma iniciativa ousada no âmbito da operacionalização e incentivo à mobilidade acadêmica internacional no escopo de universidades católicas da América Latina. Essas novas estratégias educacionais em rede proporcionam aumento da diversidade cultural da região, na sua universalidade, contribuindo para aproximação das universidades da região.

A limitação do estudo está na pesquisa com foco em análise documental e bibliográfica não ouvindo os atores que participaram da construção da plataforma como ferramenta para uma interancionalização mais inclusiva da educação superior. Futuros estudos poderão realiar pesquisa aplicada, recuperando dados primários ao ouvir os tomadores de decisão da plataforma aqui referida e de outras iniciativas de outras instituições internacionais tendo em vista a internacionalização inclusiva de estudantes da educação superior de todos os continentes.

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Endereços para correspondência:

Paulo Fossatti - Universidade La Salle, Programa de Pós-Graduação em Educação.
Av. Victor Barreto, 2288, Centro, 92010000, Canoas, RS. E-mail: paulo.fossatti@unilasalle.edu.br.

Jose Alberto Antunes de Miranda - Universidade La Salle.
Av. Victor Barreto, 2288, Centro, 92010-000, Canoas, RS. E-mail: jose.miranda@unilasalle.edu.br.


  1. 1 Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Pós-Doutorado em Ciências da Educação e pesquisador associado da Universidade do Algarve; Mestre em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Consultor Ad Hoc do CNPq. Coordenador do Projeto de pesquisa: Gestão das Universidades Brasileiras para a Inovação: cenários, oportunidades e estratégias. É parecerista de Revistas Científicas tais como: Ciência & Saúde Coletiva; Educação, Ciência e Cultura; Diálogo Educacional; Quaestio; Museion e Cippus; Consultor Ad Hoc do CNPq.

  2. 2 Doutor em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Assessor de Assuntos Interinstitucionais e Internacionais; Professor permanente do Mestrado em Direito e Sociedade além de integrar o corpo docente do Curso de Relações Internacionais da Universidade La Salle.

  3. 3 A globalização como um fenômeno social possui uma longa história, mas o impacto no mundo e em outras facetas do desenvolvimento humano aumentou nas últimas três décadas. Mais comumente, a globalização é compreendida com o significado de criação das relações mundiais baseada na operação. do livre mercado (Held; Mcgrew, 2001).

  4. 4 As atividades colaborativas podem se iniciar de modo formal, ou seja, sendo precedidas pela assinatura de um instrumento específico entre os parceiros, sejam eles indivíduos, países ou instituições. Nesta condição, elas representam formas estruturadas de cooperação com comprometimento a longo prazo, atividades concretas e contratos e seus atores operam o acordo de forma autônoma (Baud, 2001).

  5. 5 5 O conceito de cidadão global defendido por Clifford (2016), afirma que são as pessoas que têm conhecimento sobre o mundo e que desenvolveram competências interculturais, tendo, da mesma forma, senso de responsabilidade social.

  6. 6 A exemplo do Brasil que, por meio da lei 12.881 (Brasil, 2013) reconhece as Instituições de Ensino Superior Comunitárias.