ANÁLISE DA CONFORMIDADE DAS INFORMAÇÕES DIVULGADAS SOBRE ATIVOS INTANGÍVEIS EM EMPRESAS LISTADAS NA BM&FBOVESPA
Geovanne Dias de Moura*
Patrícia Siqueira Varela**
Resumo
O estudo objetivou analisar o grau de conformidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis em empresas da BM&FBovespa, por meio de um índice de evidenciação elaborado com base no CPC 04. Para tal,
1 INTRODUÇÃO
No atual cenário econômico, cada vez mais desenvolvido, as empresas não podem se limitar apenas a fatores tradicionais, como capital e trabalho. Pre- cisam apresentar diferenciais para se manterem competitivas e responderem mais
*Doutorando do Programa de
**Professora do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/USP; Avenida Professor Luciano Gualberto, 908 -
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Geovanne Dias de Moura, Patrícia Siqueira Varela
rapidamente às mudanças (JOHANSON; MARTENSSON; SKOOG, 2001; TA- VARES, 2010). Nesse cenário, os ativos intangíveis passaram a ser reconhecidos pelas organizações como fontes de vantagem competitiva, além de contribuírem para o aumento do valor da empresa (SVEIBY, 1998; LEV, 2001; KAYO; TEH; BASSO, 2006; SRIRAM, 2008).
Em virtude disso, é necessário que as informações sobre os ativos in- tangíveis sejam evidenciadas ao mercado, a fim de sinalizar aos investidores que a companhia realmente conhece e sabe o quanto valem os seus intangíveis (ANTU- NES; LEITE; GUERRA, 2009). Uma das formas de realizar essa evidenciação é por meio das demonstrações financeiras que devem conter os ativos intangíveis, para cumprirem o seu amplo objetivo de fornecer informações que sejam úteis para os usuários na tomada de decisões e avaliações, conforme prevê o Pronunciamento Conceitual Básico (2008, p. 3) do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
O problema com a maioria dos ativos intangíveis, conforme mencio- nam
Considerando o aumento da importância dos ativos intangíveis na eco- nomia mundial e visando à maximização do poder informativo das demonstra- ções financeiras, nos Estados Unidos, em 2001, o Financial Accounting Standards Board (FASB) redefiniu o tratamento dado aos ativos intangíveis para o mercado
Essas mudanças contribuem para a melhoria da evidenciação de infor- mações por meio dos demonstrativos financeiros, possibilitando que os usuários da contabilidade sejam capazes de compreender melhor os investimentos realiza- dos em ativos intangíveis e o desempenho futuro da empresa.
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Análise da conformidade das informações...
No Brasil, há estudos recentes sobre a evidenciação voluntária de infor- mações referentes aos ativos intangíveis, como, por exemplo: Santos, Gallon e Ens- slin (2007); Rêgo et al. (2008); Matos et al. (2009); Macagnan (2009) e Schnorren- berger, Sousa e Reina (2009). Há também estudos que pesquisaram sobre aspectos estipulados pela Lei n. 11.638/07, como é o caso de Pereira et al. (2007); Jordão e Colauto (2009); Galo (2009); Antunes, Silva e Saiki (2009) e Cunha et al. (2010).
No entanto, ainda há necessidade de estudos que verifiquem se as em- presas brasileiras estão evidenciando todas as informações determinadas pelo CPC 04, as quais envolvem critérios de reconhecimento, mensuração e divulgação referentes aos intangíveis. Diante desse contexto, a questão problema que norteia essa pesquisa é: qual é o grau de conformidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis em empresas brasileiras? Assim, o estudo objetiva analisar o grau de conformidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis em empresas da BM&FBovespa de setores com maiores e menores proporções de tais ativos, por meio de um índice de evidenciação elaborado com base no CPC 04.
A representatividade, cada vez maior, dos ativos intangíveis no patri- mônio das empresas, assim como sua relevância para a criação de valor para elas, foi tratada nos estudos de Martins (1972); Edvinsson e Malone (1998); Hoegh-
Ainda, com base na relevância dos intangíveis para as empresas, jus-
2 NORMAS DE CONTABILIDADE SOBRE ATIVOS INTANGÍVEIS
Os ativos tangíveis, para Hitt, Ireland e Hoskisson (2003, p. 105), são aqueles que podem ser vistos e quantificados facilmente, como equipamentos de produção, veículos e móveis. Porém, na medida em que a aquisição desses ativos tangíveis
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sa, o que diferencia uma das outras, segundo Kayo (2002), passa a ser os ativos intangíveis. Segundo o autor, pode ocorrer a aquisição de terrenos ou edifícios semelhantes ou, então, a compra das mesmas máquinas e equipamentos, todavia, a habilidade das pessoas para gerar riquezas, as marcas, as patentes, entre outros ativos denominados intangíveis, são únicos para cada empresa.
Atkinson e McGaughey (2006) descrevem que a discussão contábil sobre intangíveis iniciou em 1953, nos Estados Unidos, com a publicação do Boletim de Pesquisa em Contabilidade (ARB) n. 43 pela Comissão do Proces- so de Contabilidade do AICPA - American Institute of Certified Public Accountants
(AICPA). No entanto, os autores mencionam que, somente em 1970, foi emitido o Parecer n. 17 sobre ativos intangíveis pelo Accounting Principles Board (APB), desenvolvido para reconhecer os ativos intangíveis adquiridos separadamente e possibilitar a sua evidenciação nos demonstrativos contábeis.
Ainda de acordo com Atkinson e McGaughey (2006), o conteúdo esta- belecido pelo APB n. 17 permaneceu até 2001, quando então o Financial Accoun- ting Standards Board (FASB) emitiu o pronunciamento n. 142 “Ágio e Outros Ativos Intangíveis”, que substituiu o APB n. 17. Para Pereira et al. (2007), ao ser emitido o pronunciamento n. 142 nos Estados Unidos, o FASB, além de redefinir o tratamento dado aos ativos intangíveis no mercado
Essas novas deliberações convergiram para os pronunciamentos propos- tos pelo IASB, órgão internacional que publica e atualiza normas internacionais de contabilidade e que, em 2004, alterou o texto da norma International Accounting Standard (IAS) 38, visando a definir um melhor tratamento contábil para ativos intangíveis. Com essa alteração, foram estabelecidos critérios para reconhecimento, especificações para mensuração e evidenciação dos ativos intangíveis.
Seguindo essa tendência, no Brasil, foi emitida a Deliberação CVM n.
488/05 que aprovou o Pronunciamento 27 “Demonstrações Contábeis − Apresen- tação e Divulgações” do Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon), que estabele- ceu algumas mudanças na apresentação das demonstrações contábeis para todas as companhias abertas, visando à aproximação com as normas internacionais.
Uma das principais alterações foi a transferência dos subgrupos inves- timentos, imobilizado e diferido para o ativo não circulante. Além disso, uma grande novidade para a contabilidade brasileira foi a criação do subgrupo intan- gível que, antes dessa deliberação, os ativos classificados neste subgrupo eram re-
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Análise da conformidade das informações...
conhecidos nos diversos subgrupos do Ativo Permanente, conforme determinava a Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976.
Foi também aprovada, em 28 de dezembro de 2007, a Lei n. 11.638, que trouxe uma série de modificações à Lei n. 6.404/76. As modificações também tiveram como objetivo a harmonização da legislação societária brasileira com as práticas contábeis internacionais. A Lei n. 11.638/07 criou um grupo específico em que deveriam ser registrados os ativos intangíveis como as marcas, paten- tes e direitos sobre recursos naturais, por exemplo. E esses intangíveis deveriam ser amortizados ou seguir o artigo 183, parágrafo 3º, da Lei das Sociedades por Ações, alterado pela Lei n. 11.638/07, que determina que a companhia deve efe- tuar, periodicamente, a análise sobre a recuperação do intangível. Isto é, a Lei n. 11.638/07 estabeleceu alguns critérios em relação a quais ativos poderiam ser contabilizados no subgrupo Ativo Intangível com o intuito de que pudessem ser evidenciados, efetivamente, no Balanço Patrimonial.
No processo de convergência das normas brasileiras aos padrões inter- nacionais, em novembro de 2008, foi emitida a Deliberação CVM n. 553 que apro- vou o CPC 04 – Ativo Intangível, que tem como base o IAS 38. O pronunciamen- to tem como objetivo definir os tratamentos contábeis para este tipo de ativo não abrangido em outro pronunciamento, estabelecer critérios para reconhecimento, determinar como mensurar o valor contábil dos ativos intangíveis e, ainda, exigir divulgações específicas sobre esses ativos no Brasil.
3 DISCLOSURE OBRIGATÓRIO DE ATIVOS INTANGÍVEIS
A cada dia, as empresas passam a evidenciar mais informações para atender aos órgãos reguladores (evidenciação compulsória) ou para demonstrar maior transparência na sua administração (evidenciação voluntária). Mas, in- dependentemente do fato de ser voluntária ou compulsória, Bushman e Smith (2003) mencionam que a evidenciação é essencial para auxiliar os investidores no momento de avaliar as oportunidades de investimento.
O disclosure de ativos intangíveis para Sveiby (1998) é extremamente importante, e está associado a necessidades internas e externas que as empresas possuem. Em relação à necessidade interna, o autor menciona que a evidenciação ocorre para que a gerência possa conhecer, monitorar e tomar medidas corretivas sobre seus intangíveis. A necessidade de evidenciação externa ocorre para uma
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maior transparência perante os clientes, credores, fornecedores, governo, acionis- tas e demais stakeholders.
Os critérios específicos sobre a evidenciação obrigatória de ativos in- tangíveis de acordo com o CPC 04 (2008, p.
A entidade deve divulgar as seguintes informações para cada classe de ativos intangíveis, fazendo a distinção entre ativos intangíveis gerados internamente e outros ativos intangíveis:
(a)com vida útil indefinida ou definida e, se definida, os prazos de vida útil ou as taxas de amortização utilizados;
(b)os métodos de amortização utilizados para os ativos intangíveis com vida útil definida;
(c)o valor contábil bruto e eventual amortização acumulada (mais as perdas acumuladas no valor recuperável) no início e no final do período;
(d)a rubrica da demonstração de resultado em que qualquer amor- tização de ativo intangível for incluída;
(e)a conciliação do valor contábil no início e no final do período, demonstrando:
(i)adições, indicando separadamente as que foram geradas por de- senvolvimento interno e as adquiridas, bem como as adquiridas por meio de uma combinação de negócios;
(ii)ativos classificados como mantidos para venda ou incluídos em grupo de ativos classificados como mantidos para venda e outras baixas;
(iii)aumentos ou reduções durante o período, decorrentes de reava- liação nos termos dos itens 75, 85 e 86 e perdas por desvalorização de ativos reconhecidas ou revertidas diretamente no patrimônio líquido, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redu- ção ao Valor Recuperável de Ativos;
(iv) provisões para perdas de ativos, reconhecidas no resultado do período, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redu- ção ao Valor Recuperável de Ativos (se houver);
(v)reversão de perda por desvalorização de ativos, apropriada ao re- sultado do período, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos (se houver);
(vi) qualquer amortização reconhecida no período;
(vii) variações cambiais líquidas geradas pela conversão das de- monstrações contábeis para a moeda de apresentação e de operações no exterior para a moeda de apresentação da entidade;
(viii) outras alterações no valor contábil durante o período.
Além destes itens, ainda devem ser evidenciadas informações sobre ati- vos intangíveis que perderam o seu valor recuperável, obedecendo às determina- ções do CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Além disso, deve divul- gar “[...] a natureza e o valor das variações nas estimativas contábeis com impacto relevante no período corrente ou em períodos subsequentes.” (CPC 04, 2008, p. 34).
Outras informações exigidas pelo CPC 04 (2008, p. 31) são:
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(a)em relação a ativos intangíveis avaliados como tendo vida útil indefinida, o seu valor contábil e os motivos que fundamentam essa avaliação. Ao apresentar essas razões, a entidade deve descrever os fatores mais importantes que levaram à definição de vida útil inde- finida do ativo;
(b)uma descrição, o valor contábil e o prazo de amortização rema- nescente de qualquer ativo intangível individual relevante para as demonstrações contábeis da entidade;
(c)em relação a ativos intangíveis adquiridos por meio de subven- ção ou assistência
governamentais e inicialmente reconhecidos ao valor justo (ver item 43):
(j)o valor justo inicialmente reconhecido dos ativos;
(ii)o seu valor contábil;
(iii)se são mensurados, após o reconhecimento, pelo método de cus- to ou reavaliação;
(d)a existência e os valores contábeis de ativos intangíveis cuja titularidade é restrita e os valores contábeis de ativos intangíveis oferecidos como garantia de obrigações;
(e)o valor dos compromissos contratuais advindos da aquisição de ativos intangíveis.
O CPC 04 (2008) prevê ainda informações para reavaliação, porém, no Brasil, tal prática não é permitida devido às disposições contidas na Lei n. 11.638/07, que alterou a Lei n. 6.404/76, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2008.
Outra evidenciação obrigatória pela entidade, de acordo com CPC 04 (2008, p. 32),
Mesmo sendo compulsórias, algumas informações podem não ser evi- denciadas pelas empresas como forma de proteção às informações de natureza es- tratégica, em virtude de custos de elaboração e divulgação ou até mesmo por des- conhecimento pleno da Legislação (DANTAS; ZENDERSKY; NIYAMA, 2004).
4 MÉTODO E PROCEDIMENTOS DA PESQUISA
Esta pesquisa, caracterizada como descritiva, foi realizada por meio de análise documental e abordagem quantitativa. A amostra é considerada intencio- nal não probabilística e compreendeu 260 empresas de seis setores econômicos da BM&FBovespa.
Para definição da amostra, inicialmente, por meio dos balanços patri- moniais disponíveis no site da BM&FBovespa, foram identificadas as empresas que possuíam ativos intangíveis no ano de 2009 (366 empresas identificadas).
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Em seguida, foi verificado qual era o percentual dos ativos intangíveis em relação ao ativo total, em cada uma das 366 companhias que possuíam ativos intangíveis. Esse cálculo permitiu identificar, também, a média de representati- vidade dos ativos intangíveis por setor de atividade da BM&FBovespa, conforme é possível verificar na Tabela 1:
Tabela 1 – Percentual de proporção média dos intangíveis em relação ao ativo total nas empresas de nove setores econômicos da BM&FBovespa no ano de 2009
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Rank |
Setor |
N. Empresas |
% de proporção média em rela- |
|
ção ao ativo total |
|||
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
1 |
Utilidade pública |
65 |
29 |
|
2 |
Construção e transporte |
67 |
23 |
|
3 |
Tecnologia da informação |
6 |
23 |
|
4 |
Telecomunicações |
31 |
18 |
|
5 |
Consumo não cíclico |
33 |
14 |
|
6 |
Petróleo, gás e biocomb. |
42 |
14 |
|
7 |
Consumo cíclico |
51 |
10 |
|
8 |
Bens industriais |
31 |
7 |
|
9 |
Materiais básicos |
40 |
6 |
|
|
Total de Empresas |
366 |
16 |
|
|
|
|
|
|
Fonte: os autores. |
|
|
||
A amostra da pesquisa foi redefinida para as empresas dos três setores com maiores representatividades de intangíveis no ativo total – utilidade pública, construção e transporte e tecnologia da informação – e dos três setores com meno- res representatividades – consumo cíclico, bens industriais e materiais básicos.
Após obter a amostra final (260 empresas), foram analisados, ainda, os valores dos intangíveis evidenciados e o percentual em relação ao ativo fixo. De forma complementar,
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Análise da conformidade das informações...
Em seguida,
Quadro 1 – Informações obrigatórias a serem divulgadas sobre ativo intangível |
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Dim. |
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Perguntas para construção do índice de ativos intangíveis |
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1 |
Divulgou informações sobre intangíveis separados em classes? |
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2 |
Divulgou se os intangíveis são de vida útil definida ou indefinida? |
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3 |
Divulgou os motivos que fundamentam e os fatores mais importantes que levaram à |
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definição da vida útil definida ou indefinida do intangível? |
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útil/valorVida |
4 |
Divulgou informações sobre os prazos de vida útil ou as taxas de amortização utili- |
|
zadas? |
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5 |
Divulgou o valor contábil bruto da classe de intangível no início do período? |
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|
6 |
Divulgou o valor contábil bruto da classe de intangível no final do período? |
|
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|
7 |
Divulgou o valor contábil de ativos intangíveis cuja titularidade é restrita? |
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8 |
Divulgou o valor contábil de ativos intangíveis oferecidos como garantia de obriga- |
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|
ções? |
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|
9 |
Divulgou o valor dos compromissos contratuais advindos da aquisição de ativos in- |
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|
tangíveis? |
RACE, |
|
|
|
||
|
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10 |
Divulgou o valor contábil da amortização acumulada no início do período? |
|
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|
||
Amortização |
|
|
.n13,.vUnoesc, |
13 |
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11 |
Divulgou o valor contábil da amortização do período? |
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12 |
Divulgou o valor contábil da amortização acumulada no final do período? |
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|
|
Divulgou os métodos de amortização utilizados para ativos intangíveis com vida útil |
|
|
|
definida? |
.p 2, |
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14 |
Divulgou a rubrica da demonstração de resultado em que qualquer amortização de |
|
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ativo intangível foi incluída? |
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|
Divulgou de forma separada o valor contábil das adições que foram geradas por de- |
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senvolvimento interno e as adquiridas, bem como as adquiridas por meio de uma |
|
|
|
combinação de negócios? |
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|
16 |
Divulgou o valor justo, inicialmente reconhecido, dos ativos intangíveis adquiridos |
|
|
por meio de subvenção ou assistência governamentais? |
||
|
|
||
Adições/ baixas |
|
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17 |
Divulgou o valor contábil, inicialmente reconhecido, dos ativos intangíveis adquiri- |
||
|
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|
dos por meio de subvenção ou assistência governamentais? |
||
|
|
||
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|
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|
Divulgou se os ativos intangíveis adquiridos por meio de subvenção ou assistência |
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|
18 |
governamentais são mensurados, após o reconhecimento, pelo método de custo ou |
|
|
|
reavaliação? |
|
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19 |
Divulgou o valor contábil dos ativos classificados como mantidos para venda ou in- |
|
|
cluídos em grupo de ativos classificados como mantidos para venda e outras baixas? |
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|
||
|
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|
|
Impairmentde |
20 |
Divulgou a data efetiva da reavaliação do intangível? |
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21 |
Divulgou o saldo da reavaliação, relacionada aos intangíveis, no início e no final do |
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|
|||
|
período? |
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||
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|
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Reavaliação/Teste |
22 |
Divulgou informações sobre a realização ou não do teste de impairment, de acordo |
|
Divulgou o valor das reversões de perdas, reconhecidas no resultado do período, de |
|||
|
|
com o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos? |
|
|
|
Divulgou o valor das provisões de perdas, reconhecidas no resultado do período, de |
|
|
23 |
acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de |
|
|
|
Ativos? |
|
|
24 |
acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de |
|
|
|
Ativos? |
Fonte: adaptado do
Para cada resposta poderiam ser atribuídas três notas (0, 1 ou 2), sendo 0 para aquelas que não estavam em conformidade com as determinações do CPC 04, 1 para as informações que foram apresentadas conforme as determinações do CPC 04 e 2 quando a questão não era aplicável para determinadas empresas.
Por exemplo, na questão 7 que pergunta se a empresa divulgou o valor contábil de ativos intangíveis cuja titularidade é restrita, alguma companhia da amostra poderia não ter nenhum ativo intangível com titularidade restrita, por- tanto, a questão não seria aplicável para ela. Nestes casos, a pontuação foi 2. Se o índice fosse composto apenas por questões binárias (0 e 1), nesse exemplo men- cionado, a empresa receberia pontuação 0 e poderia ser penalizada por não revelar um tipo específico de informação que não se aplica à sua realidade operacional.
Ao final da coleta, as questões que receberam pontuação 2 (considerada não aplicável) foram removidas do índice, pois, caso não fossem, compromete-
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Análise da conformidade das informações...
riam o resultado final. Cabe destacar ainda que todas as questões têm o mesmo peso e, ao final, cada empresa terá uma pontuação que varia de 0% (pior) a 100% (melhor).
A análise dos dados coletados foi realizada com o uso de medidas de esta- tísticas descritivas, tais como médias, mínimos, máximos e desvio padrão. Além dis- so, para verificar se existiam diferenças significativas entre os níveis de conformidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis, entre empresas de diferentes setores,
Segundo Spiegel (1993), o teste t de Student é o teste mais adequado para verificar se existem diferenças estatisticamente significativas entre grupos que possuem mais de 30 elementos amostrais. No caso deste estudo, o setor de utilidade pública possui 65 empresas, o de construção e transporte possui 35, o de consumo cíclico possui 51 empresas, o de bens industriais possui 31, o de mate- riais básicos possui 40 empresas. No entanto, o setor de tecnologia da informação possui apenas 6 empresas. Então, para esse setor, foi calculada a variância corri- gida da amostra, com auxílio da tabela de distribuição t de Student, conforme indicado por Spiegel (1993), para evitar distorção de comparação em virtude do baixo número de empresas nesse setor, quando comparado aos demais.
5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Esta seção contém a descrição e a análise dos dados coletados. Primei- ramente,
Conforme já mencionado anteriormente, são muitos os estudos que relatam sobre o aumento da representatividade dos ativos intangíveis no patri-
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mônio das empresas. A análise neste item permite verificar o percentual dos ati- vos intangíveis em relação ao ativo total e ativo fixo e, também, os valores dos intangíveis evidenciados pelas empresas brasileiras que fazem parte da amostra estudada.
Tabela 2 – Valores dos ativos intangíveis das empresas no ano de 2009 de acordo com os setores da BM&FBovespa
|
Setor econômico da |
N. empresas |
Mínimo |
Máximo |
Média |
Desvio Padrão |
|
BM&FBovespa |
(Reais mil) |
(Reais mil) |
(Reais mil) |
(Reais mil) |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Utilidade pública |
65 |
1 |
16.917.417 |
1.817.525 |
2.686.010 |
|
Construção e transporte |
67 |
16 |
4.976.541 |
486.563 |
895.114 |
|
Tecnologia da informação |
6 |
30.613 |
604.071 |
199.589 |
213.403 |
|
Consumo cíclico |
51 |
1 |
3.688.630 |
263.757 |
694.443 |
|
Bens industriais |
31 |
80 |
1.263.158 |
87.453 |
236.958 |
|
Materiais básicos |
40 |
11 |
16.439.694 |
1.377.168 |
3.418.874 |
|
Totais |
260 |
1 |
16.917.417 |
858.406 |
2.075.216 |
|
|
|
|
|
|
|
Fonte: os autores. |
|
|
|
|
|
Conforme pode ser observado na Tabela 2, o setor econômico de uti- lidade pública se destacou, pois, as empresas desse setor possuíam, em média, o equivalente a R$ 1.817.525.000,00 em ativos intangíveis. A empresa com menor valor possuía apenas R$ 1.000,00 em intangíveis, porém, a empresa com maior valor investido em intangíveis também é desse setor, com R$ 16.917.417.000,00. Portanto, ocorrem grandes desigualdades, confirmado pelo alto desvio padrão de R$ 2.686.010.000,66.
648
Análise da conformidade das informações...
Na Tabela 3, estão expostos os dados sobre a representatividade dos ativos intangíveis no ativo total das empresas, no ano de 2009, de acordo com os setores econômicos da BM&FBovespa:
Tabela 3 – Representatividade dos intangíveis no ativo total das empresas no ano de 2009 de acordo com os setores econômicos da BM&FBovespa
|
Setor econômico da |
N. empre- |
Mínimo |
Máximo |
Média |
Desvio Padrão (%) |
|
BM&FBovespa |
sas |
(%) |
(%) |
(%) |
|
|
|
|||||
|
|
|
|
|
|
|
|
Utilidade pública |
65 |
0,01 |
84 |
29 |
24 |
|
Construção e transporte |
67 |
0,01 |
98 |
23 |
32 |
|
Tecnologia da informação |
6 |
2,33 |
51 |
22 |
21 |
|
Consumo cíclico |
51 |
0,01 |
81 |
10 |
19 |
|
Bens industriais |
31 |
0,06 |
43 |
7 |
10 |
|
Materiais básicos |
40 |
0,02 |
56 |
6 |
12 |
|
Índice de intangibilidade |
260 |
0,01 |
98 |
17 |
24 |
|
Fonte: os autores. |
|
|
|
|
|
O setor econômico de utilidade pública, que no ano de 2009 possuía 65 empresas com ativos intangíveis evidenciados no Balanço Patrimonial, destacou-
Os dados da Tabela 3 demonstram que, de maneira geral, os ativos intangíveis equivaliam a 17% do ativo total das 260 empresas analisadas. Esse
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percentual é superior ao encontrado por Ritta, Ensslin e Ronchi (2010), que in- vestigaram a representatividade dos intangíveis no ativo total de um conjunto de empresas que apresentaram informações financeiras à BM&FBovespa e à NYSE nos anos de 2006 e 2007 e obtiveram um índice médio de representatividade equi- valente a 12%. Porém, é importante destacar que a diferença de resultados pode ser decorrente dos critérios de formação da amostra.
A Tabela 4 apresenta os dados da representatividade dos ativos intan- gíveis no ativo fixo das empresas no ano de 2009 de acordo com os setores econô- micos da BM&FBovespa:
Tabela 4 – Representatividade dos intangíveis no ativo fixo das empresas no ano de 2009 de acordo com os setores da BM&FBovespa
|
Setor econômico da |
N. empresas |
Mínimo |
Máximo |
Média |
Desvio Padrão (%) |
|
BM&FBovespa |
|
(%) |
(%) |
(%) |
|
|
Utilidade pública |
65 |
0,01 |
100 |
58 |
42 |
|
Construção e transporte |
67 |
0,01 |
100 |
41 |
36 |
|
Tecnologia da informação |
6 |
23,69 |
96 |
68 |
28 |
|
Consumo cíclico |
51 |
0,01 |
100 |
22 |
28 |
|
Bens industriais |
31 |
0,23 |
74 |
15 |
19 |
|
Materiais básicos |
40 |
0,05 |
81 |
9 |
18 |
|
Índice de intangibilidade |
260 |
0,01 |
100 |
34 |
37 |
|
|
|
|
|
|
|
Fonte: os autores. |
|
|
|
|
|
650
Análise da conformidade das informações...
entre empresas desse setor.
Também
Os dados da Tabela 4 permitem verificar a representatividade dos ati- vos intangíveis que, de maneira geral, equivalem a 34% do total de ativos fixos; porém, algumas empresas possuíam índices bem mais expressivos. Esses resul- tados
Na pesquisa realizada por Crisóstomo (2009), das 86 empresas pesqui- sadas, apenas duas apresentaram valor de intangível superior a 50%. Nesta pes- quisa, das 260 empresas, em 79 delas, os intangíveis equivaliam a mais de 50% do ativo fixo, apontando para um aumento da representatividade dos intangíveis conforme descrito na literatura.
Para enriquecer a análise,
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651
RACE, Unoesc, v. 13, n. 2, p.
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Tabela 5 – Ativos intangíveis evidenciados pelas empresas da amostra no período de 2009
|
Intangíveis evidenciados na |
Total de |
N. Empresas |
Percentual de empre- |
|
empresas da |
que apresentam |
sas que apresentam o |
|
|
amostra pesquisada |
|||
|
amostra |
o intangível |
intangível |
|
|
|
|||
|
|
|
|
|
|
Capital Interno |
|
|
|
|
Pesquisa e desenvolvimento |
260 |
38 |
15 |
|
Softwares |
260 |
222 |
85 |
|
Acervo técnico |
260 |
3 |
1 |
|
Acordo de não competitividade |
260 |
4 |
2 |
|
Direitos de uso de linha telefônica |
260 |
2 |
1 |
|
Capital Externo |
|
|
|
|
Marcas e patentes |
260 |
80 |
31 |
|
Franquias (pontos comerciais) |
260 |
6 |
2 |
|
Contratos de concessão |
260 |
93 |
36 |
|
Ágio sobre investimentos |
260 |
127 |
49 |
|
Carteira de clientes |
260 |
5 |
2 |
|
Direitos autorais |
260 |
1 |
1 |
|
Competências dos funcionários |
|
|
|
|
260 |
0 |
0 |
|
|
|
|
|
|
Fonte: os autores. |
|
|
|
A Tabela 5 apresenta os itens do intangível que compõem o grupo ati- vo intangível do balanço patrimonial e que foram citados de forma narrativa e mensurados individualmente nos relatórios anuais de administração e nas notas explicativas das empresas analisadas referentes ao ano de 2009. Seguindo a clas- sificação de Sveiby (1998), os resultados indicaram que as empresas, sob análise, possuíam uma estrutura intangível interna composta por pesquisa e desenvol- vimento, softwares, acervo técnico, acordos de não competitividade e direitos de uso de linha telefônica e uma estrutura externa composta por marcas e patentes, benfeitoria em projetos de terceiros, franquias, contratos de concessão, ágio sobre investimentos, carteiras de clientes e direitos autorais. Em relação à competência dos funcionários, não foram identificados intangíveis.
Dentre os intangíveis evidenciados,
652
Análise da conformidade das informações...
Ao comparar os resultados desta pesquisa com os de Antunes, Silva e Saiki (2009), que analisaram uma amostra de 100 empresas listadas no Novo Mercado da BM&FBovespa e constataram que os intangíveis mais recorrentes eram os softwares (79%), ágio (63%) e marcas e patentes (31%), com os de Cunha et al. (2010), que analisaram 40 companhias da BM&FBovespa, escolhidas ale- atoriamente, em que se destacaram os softwares (72%), ágio (37,5%) e marcas e patentes (30%), também com os de Ritta, Ensslin e Ronchi (2010), que analisaram 36 companhias brasileiras listadas na NYSE, em que se destacaram novamente o ágio (73,94%), softwares (15%) e, também, direitos contratuais (8,66%), percebe-
Após analisar a representatividade dos ativos intangíveis nas empresas brasileiras da amostra,
A Tabela 6 apresenta as estatísticas descritivas do índice de conformi- dade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis de cada setor econômi- co, conforme as determinações do CPC 04:
Tabela 6 – Estatística descritiva do índice de conformidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis no ano de 2009 de acordo com os setores econômicos da BM&FBovespa
|
Setor econômico da |
|
Mínimo |
Máximo |
Média |
Desvio |
|
N. empresas |
Padrão |
||||
|
BM&FBovespa |
|
(%) |
(%) |
(%) |
(%) |
|
Utilidade pública |
65 |
21 |
100 |
69 |
21 |
|
Construção e transporte |
67 |
28 |
100 |
68 |
22 |
|
Tecnologia da informação |
6 |
71 |
100 |
90 |
10 |
|
Consumo cíclico |
51 |
28 |
100 |
65 |
20 |
|
Bens industriais |
31 |
29 |
85 |
63 |
17 |
|
Materiais básicos |
40 |
28 |
92 |
60 |
18 |
|
Índice de conformidade |
260 |
21 |
100 |
67 |
21 |
|
|
|
|
|
|
|
Fonte: os autores. |
|
|
|
|
|
Em relação ao índice de conformidade das informações divulgadas so- bre intangíveis,
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informação se destacou, pois apresentou o maior índice médio de conformidade, equivalente a 90%. O índice mínimo desse setor foi de 71%, proveniente da com- panhia Itautec, e o máximo foi de 100% conquistado pelas companhias UOL e Ideiasnet, que evidenciaram todas as informações recomendadas pelo CPC 04. O desvio padrão desse setor foi de apenas 10%, o menor dentre os seis setores analisados, demonstrando que existem poucas diferenças entre os níveis de evi- denciação nas empresas do setor.
As empresas do setor de utilidade pública também se destacaram com um índice médio de 69%. No entanto, nesse setor está a empresa com menor con- formidade com o CPC 04, cumprindo apenas 21% de suas determinações. Esse ín- dice foi obtido pela empresa Cia. Energética de Brasília que informou apenas a exis- tência de ativos intangíveis e a informação de que eles têm a sua recuperabilidade testada anualmente. O índice máximo desse setor (100%), com todas as informações evidenciadas, foi obtido pela empresa Uptick Participações S.A., porém, o desvio padrão foi um pouco mais elevado que o setor de tecnologia da informação.
De forma geral, os setores com maiores proporções de ativos intangíveis apresentaram índices de conformidade mais elevados.
Comparando esses resultados com os de Cunha et al. que analisaram o ní- vel de evidenciação dos ativos intangíveis nos anos de 2005, 2007 e 2009, de acordo com a IAS 38, em uma amostra de 40 empresas que negociavam ações na Bovespa, cujos resultados demonstraram que apenas 7 empresas da amostra atingiram 100%,
Para confirmar se existiam diferenças entre os índices de conformidade entre os setores analisados,
654
Análise da conformidade das informações...
Tabela 7 – Teste t dos índices de conformidade com o CPC 04
|
Setor econômico da BM&FBovespa |
T |
Sig |
Nível |
|
|
|
|
|
|
Util. pública X Constr. e transp. |
0,847 |
> 0,05 |
|
|
Util. pública X Tecnol. da inf. |
0,017 |
< 0,05 |
|
|
Util. pública X Consumo cíclico |
3,1284 |
0,003 |
< 0,05 |
|
Util. pública X Bens industr. |
2,7840 |
0,009 |
< 0,05 |
|
Util. pública X Mat. básicos |
4,1284 |
0,000 |
< 0,05 |
|
Constr. e transp. X Tecnol. da inf. |
0,4204 |
0,692 |
> 0,05 |
|
Constr. e transp. X Consumo cíclico |
2,4628 |
0,017 |
< 0,05 |
|
Constr. e transp. X Bens industr. |
1,9821 |
0,046 |
< 0,05 |
|
Constr. e transp. X Mat. básicos |
2,9305 |
0,006 |
< 0,05 |
|
Tecnol. da inf. X Consumo cíclico |
1,2796 |
0,033 |
< 0,05 |
|
Tecnol. da inf. X Bens industr. |
1,1262 |
0,016 |
< 0,05 |
|
Tecnol. da inf. X Mat. básicos |
2,7739 |
0,039 |
< 0,05 |
|
Consumo cíclico X Bens industr. |
3,2631 |
0,063 |
> 0,05 |
|
Consumo cíclico X Mat. básicos |
2,6695 |
0,011 |
< 0,05 |
|
Bens industr. X Mat. básicos |
0,4198 |
0,678 |
> 0,05 |
|
|
|
|
|
Fonte: os autores. |
|
|
|
O setor de utilidade pública, conforme consta na Tabela 7, apresentou um nível de significância de 0,847, superior a 0,05 apenas na comparação com o setor de construção e transporte. Portanto, o resultado do teste t permite afir- mar que não há diferença estatisticamente significativa entre as médias do índice de conformidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis no ano de 2009 nesses dois setores.
Na comparação entre o setor de construção e transporte e tecnologia da informação, o grau de conformidade foi semelhante, pois, apresentaram um nível de significância equivalente a 0,692, superior a 0,05, comprovando que não há diferença estatisticamente significante entre as médias desses dois setores.
Na comparação entre as médias dos demais setores, os cálculos resulta- ram em significância inferior a 0,05 e não se aceitou a hipótese de que as médias são iguais, ou seja, as médias do índice de conformidade das informações divul- gadas sobre ativos intangíveis, no ano de 2009, entre os demais setores, apresen- taram diferenças estatisticamente significantes.
2014 .maio/ago
655
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Geovanne Dias de Moura, Patrícia Siqueira Varela
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo objetivou analisar o grau de conformidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis em empresas da BM&FBovespa, por meio de um índice de evidenciação elaborado com base no CPC 04. Para tal,
Os resultados permitiram verificar uma boa representatividade dos ati- vos intangíveis que, em média, equivalem a 17% do ativo total e a 34% dos ativos fixos. Quanto à composição do subgrupo ativo intangível no balanço patrimonial das empresas, assim como nos estudos de Antunes, Silva e Saiki (2009), Cunha et al. (2010) e Ritta, Ensslin e Ronchi (2010)
Em relação à evidenciação dos ativos intangíveis, os resultados revela- ram um índice médio de conformidade de 75%, ainda bastante distante de 100%. Os índices
Referente às diferenças entre os níveis de conformidade com o disclosu- re obrigatório entre os setores,
Sendo assim, os resultados demonstraram que, entre empresas de di- ferentes setores da BM&FBovespa, aquelas com maiores proporções de ativos intangíveis no ativo total, apresentaram maior conformidade com o disclosure obrigatório de tais ativos.
656
Análise da conformidade das informações...
Como limitação deste estudo,
Analysis of conformity of disclosed information about intangible assets in com- panies listed on BM&FBovespa
Abstract
The study aimed to analyze the degree of compliance of disclosures about intangible assets in companies of BM&FBovespa, through a disclosure index prepared based on CPC 04. To this end, we performed descriptive, documentary and quantitative research, in consultation with the balance sheet, notes and management reports available on the BM&FBOVEPA website and websites of organizations. The sample included 260 companies from six economic sectors of BM&FBovespa with higher and lower representativeness of intangible assets in 2009. Results showed a good representation of the intangible assets, on average, equivalent to 17 % of total assets and 34% of fixed assets. Highlights included software, goodwill, contracts and concession brands and patents, indicating that these were the most recurring intangible in Brazilian companies. Regarding disclosure, the results showed an average compliance rate of 75%. The indices showed themselves superior in utilities, construction and transportation and information technology sectors, which are those with higher proportions of intangibles.
Keywords: Compliance of the information disclosed. Intangible assets. Companies of BM&FBovespa.
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2014 .maio/ago
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RACE, Unoesc, v. 13, n. 2, p.
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Recebido em 26 de março de 2013
Aceito em 05 de fevereiro de 2014
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