Evidência: Biociências, Saúde e Inovação - ISSN: 1519-5287 | eISSN 2236-6059 1

DOI: https://doi.org/10.18593/evid.37092

Saúde


Identificação de motivos, barreiras e receios associados à busca por procedimentos estéticos entre mulheres de meia idade: um estudo transversal

Identification of reasons, barriers and fears associated with the search for aesthetic procedures among middle-aged women: A cross-sectional study

Cristiane Rabelo Bussolo1, Heloisa Rabelo Bussolo1, Juliana Nichterwitz Scherer1


1 Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos);


Bussolo, C. R. crbussolo@gmail.com https://orcid.org/0009-0001-7217-0338

Bussolo, H. R. BussoloHeloisa@edu.unisinos.br https://orcid.org/0009-0007-8762-5132

Scherer, J. N.* julianascherer@unisinos.br https://orcid.org/0000-0002-9235-0416

*Autor correspondente: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Av. Unisinos, 950, Cristo Rei, São Leopoldo, RS, Brasil, 93022-750.

Resumo: O aumento da expectativa de vida feminina no último século trouxe novos desafios e oportunidades para a saúde estética durante o envelhecimento. Apesar de cada vez mais comuns, mulheres maduras comumente apresentam estigmas e barreiras relacionadas a realização de procedimentos estéticos. O objetivo deste estudo foi identificar e descrever os principais motivos, barreiras e receios associados à busca por procedimentos estéticos entre mulheres entre 40 e 60 anos de idade. Trata-se de um estudo transversal, com coleta de dados online, utilizando um questionário estruturado. A amostra incluiu 79 mulheres com idade média de 47,7 anos, das quais 73,4% já haviam realizado procedimentos estéticos. Os procedimentos estéticos mais citados foram limpeza de pele, toxina botulínica, depilação a laser e peelings. Sobre os principais motivos que levaram as mulheres a buscarem procedimentos estéticos, destacou-se a busca para melhorar a aparência (n=57, 72,1%) e o desejo de melhorar a autoestima (n=41, 51,8%). Oitenta porcento das mulheres relataram ter vontade de realizar outros procedimentos estéticos que ainda nunca fizeram. Os principais receios e barreiras relatados para a realização de procedimentos foram o custo e o medo de efeitos adversos. Ainda, a confiança no profissional e a sua formação foram considerados como pontos importantes na realização de procedimentos estéticos. Conclui-se que, embora haja uma aceitação crescente dos procedimentos estéticos, muitas mulheres ainda demonstram cautela em relação à sua realização.

Palavras-chave: Envelhecimento, Estética, Satisfação pessoal, Técnicas cosméticas.

Abstract: The increase in female life expectancy over the last century has brought new challenges and opportunities for aesthetic health during aging. Although increasingly common, older women commonly face stigmas and barriers related to undergoing aesthetic procedures. The objective of this study was to identify and describe the main reasons, barriers, and fears associated with the search for aesthetic procedures among women between 40 and 60 years of age. This is a cross-sectional study, with online data collection, using a structured questionnaire. The sample included 79 women with an average age of 47.7 years, of whom 73.4% had already undergone aesthetic procedures. The most cited aesthetic procedures were skin cleansing, botulinum toxin, laser hair removal, and peels. Regarding the main reasons that led women to seek aesthetic procedures, the search to improve appearance (n=57, 72.1%) and the desire to improve self-esteem (n=41, 51.8%) stood out. Eighty percent of women reported wanting to undergo other cosmetic procedures that they had never done before. The main fears and barriers reported for undergoing procedures were cost and fear of adverse effects. Furthermore, trust in the professionals and their training were considered important points in undergoing cosmetic procedures. It was concluded that, although there is a growing acceptance of cosmetic procedures, many women still show caution regarding their performance.

Keywords: Aesthetics, Aging, Cosmetic techniques, Personal satisfaction.



Recebido: 20/02/2025 | Aceito: 01/09/2025 | Publicado: 26/06/2026

Editor: Marcos Freitas Cordeiro

Evidência, 2024, v. 24, p. 1-8

https://periodicos.unoesc.edu.br/evidencia

CC BY-NC 4.0


INTRODUÇÃO


A expectativa de vida das mulheres aumentou significativamente no último século em todo o mundo, especialmente em países com maior nível de desenvolvimento, devido a avanços importantes nas áreas da saúde e da economia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa de vida feminina nos Estados Unidos era de aproximadamente 50 anos em 1900 e, atualmente, excede os 80 anos (World Health Organization, 2023). No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 1940, a expectativa de vida feminina era de 48,3 anos, chegando a 79 anos em 2020 (IBGE, 2022). Com esse aumento da longevidade, cresce também a necessidade de compreender os impactos sociais e individuais do envelhecimento, incluindo suas implicações para a autoimagem e o bem-estar psicológico.

A transição demográfica que ocorre atualmente no Brasil e no mundo traz desafios e oportunidades, especialmente no que se refere à percepção da estética e ao papel da aparência na sociedade contemporânea. O envelhecimento é um processo natural que afeta não apenas a biologia do corpo, mas também as interações sociais e a construção da identidade pessoal (Figueira et al., 2024; Nadler et al., 1997). Além das transformações fisiológicas – como a diminuição da produção de colágeno e elastina, a perda de volume facial devido à redução da gordura subcutânea e a menor atividade das glândulas sebáceas pele (Bonté et al., 2019; Swift et al., 2021) – há também um impacto psicológico e social significativo, muitas vezes exacerbado pela cultura da juventude e pela valorização de padrões estéticos rígidos.

As representações do envelhecimento feminino na mídia e a pressão por uma aparência jovem podem influenciar diretamente a percepção que as mulheres têm sobre si mesmas e sobre suas escolhas estéticas. Estudos recentes demonstram que a exposição a padrões de beleza idealizados pode levar a sentimentos de insatisfação corporal e à busca por intervenções estéticas como uma forma de manter ou recuperar traços considerados socialmente desejáveis (Slevec & Tiggemann, 2010a). Além disso, a percepção do envelhecimento feminino muitas vezes está associada a estereótipos negativos, como a perda

de vitalidade e a redução da atratividade, o que pode gerar impactos emocionais como ansiedade, baixa autoestima e maior vulnerabilidade ao isolamento social (Cameron et al., 2019; Dionigi, 2015; Yawar et al., 2024).

A busca por procedimentos e produtos estéticos tem se tornado cada vez mais comum, especialmente entre mulheres de meia-idade, para quem a aparência pode influenciar diversos aspectos da vida pessoal e profissional (Honelová & Vidovićová, 2023; Santos et al., 2018). A decisão de se submeter a intervenções estéticas é complexa e multifatorial, envolvendo não apenas motivações pessoais – como o desejo de melhorar a autoestima e a qualidade de vida – mas também expectativas sociais e pressões culturais (Ashley et al., 2024; Mackenzie, 2023). Algumas mulheres relatam que sentem necessidade de aderir a esses procedimentos para permanecer competitivas no mercado de trabalho, onde a juventude muitas vezes é associada à competência e ao dinamismo (Małolepsza et al., 2023). Por outro lado, apesar do crescente interesse por essa temática, os desafios e as barreiras para a adoção de procedimentos estéticos entre mulheres maduras ainda são pouco explorados na literatura. Entre os fatores mais frequentemente relatados estão o medo de complicações, os custos envolvidos e a percepção do julgamento social (Ehlinger-Martin et al., 2016; Tawalbeh et al., 2024). No entanto, é importante destacar que esses aspectos podem variar significativamente conforme o contexto sociocultural e os níveis de acesso à informação sobre os procedimentos disponíveis (Căiță et al., 2023; Slevec & Tiggemann, 2010a; Zhang et al., 2024). Além disso, o avanço da tecnologia e a maior divulgação de técnicas minimamente invasivas têm contribuído para mudanças na percepção do público sobre a segurança e a acessibilidade desses tratamentos (Triana et al., 2024).

O presente estudo tem como objetivo identificar os motivos, barreiras e receios associados à busca por procedimentos estéticos entre mulheres de meia-idade. Por meio de uma abordagem transversal, busca-se compreender as particularidades dessa população e fornecer subsídios para estratégias mais inclusivas e eficazes na comunicação e na prática de procedimentos estéticos. Ao investigar essas questões, espera-se contribuir para o desenvolvimento de ações que respeitem as necessidades, expectativas


e preocupações dessas mulheres, promovendo uma abordagem mais ética e humanizada no campo da estética.


MÉTODOS


Delineamento do estudo


Foi realizado um estudo observacional, transversal e descritivo, cuja coleta ocorreu por meio da aplicação de um questionário online via Google Forms.


População alvo e amostragem


A população-alvo deste estudo foi composta por mulheres adultas, residentes na região Sul do Brasil, com idade entre 40 e 60 anos. A amostra foi selecionada por método não probabilístico de voluntariado, em que o recrutamento das participantes ocorreu por meio da divulgação do estudo em mídias sociais, incluindo Instagram e Facebook, e nas redes de contato das pesquisadoras. O convite divulgado nas redes sociais direcionava as potenciais participantes ao link da pesquisa. Ao acessá-lo, as participantes eram inicialmente solicitadas a ler o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Somente aquelas que declararam ter lido o TCLE e consentiram voluntariamente com a participação no estudo foram consideradas elegíveis.


Tamanho amostral


Para o estudo, foi calculado um tamanho amostral de 64 participantes. Esse cálculo foi realizado a partir da proporção estimada de mulheres em idade madura que já realizaram algum tipo de procedimento estético facial, conforme descrito por Albarello et al. (2016), sendo essa proporção de 40,0%, considerando uma margem de erro de até 10,0% e um poder de 90,0%. Com o objetivo de possibilitar a análise de fatores de associação e considerando eventuais perdas de resposta, acrescentou-se 15,0% ao tamanho amostral, totalizando 75 participantes.

Critérios de inclusão e exclusão


Os critérios de inclusão foram: ser mulher, ter idade entre 40 e 60 anos e residir na região Sul do Brasil. Os critérios de exclusão foram: ser analfabeta e não responder corretamente às perguntas de validação distribuídas ao longo do questionário.


Procedimentos e coleta dos dados


As voluntárias que demonstraram interesse em participar do estudo, após consentirem com a sua participação, preencheram autonomamente o questionário de coleta de dados, disponibilizado via Google Forms. O questionário continha 42 perguntas, divididas em três etapas: a primeira abordava questões sociodemográficas; a segunda, a realização e a busca por procedimentos estéticos cirúrgicos, minimamente invasivos e não invasivos; e a terceira, aspectos gerais de saúde e bem-estar. Nas questões sobre histórico de realização de procedimentos estéticos, motivos relacionados à busca por procedimentos estéticos e barreiras para a realização de procedimentos estéticos, as participantes poderiam selecionar todas as respostas que se aplicassem. Uma vez que inexistem questionários validados para o escopo deste estudo, o questionário utilizado foi construído pelas autoras do estudo, com base nos objetivos da pesquisa. O questionário foi avaliado por dois profissionais doutores, especialistas nas áreas de saúde estética e métodos quantitativos, visando a minimização de vieses. Ainda, para minimizar vieses de preenchimento que ocorrem em estudos com coletas de dados online e garantir controle de qualidade, o questionário incluiu duas perguntas de validação: uma pergunta repetida em dois momentos distintos do questionário (para verificar se a participante daria a mesma resposta) e uma pergunta matemática simples (4 + 2). Erros nessas perguntas — definidos como respostas divergentes para a questão repetida ou uma resposta incorreta para a questão matemática — levaram à exclusão da participante.


Análise dos dados



Todos os dados coletados foram inicialmente tabulados no Microsoft Excel. A análise estatística foi realizada no SPSS versão 21.0 (IBM SPSS Statistics Package for the Social Sciences). As análises descritivas foram conduzidas por meio da identificação de medidas de tendência central e dispersão (para variáveis quantitativas) e de frequências absolutas e relativas (para variáveis qualitativas).


Considerações éticas


O estudo seguiu todas as diretrizes estabelecidas pela Resolução CNS n° 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, sendo aprovado pelo protocolo CAEE 82031924.4.0000.5344. Todas as participantes consentiram voluntariamente com a participação no estudo por meio do TCLE. Os dados foram coletados de forma anônima, garantindo a confidencialidade e a fidedignidade das respostas.


RESULTADOS


Caracterização da amostra


Um total de 81 potenciais participantes acessaram o link do estudo, e 79 (97,5%) concordaram em participar de forma voluntária após a leitura do TCLE. Todas as participantes responderam corretamente às questões de controle de qualidade, e por isso todas foram incluídas no estudo. A média de idade das participantes foi de 47,7 anos, sendo a amostra composta por mulheres majoritariamente brancas (94,4%) e casadas ou em união estável (63,0%). Quanto à ocupação, a maioria das mulheres trabalha em regime formal (31,6%), sendo seguida por empresárias (16,4%) e aposentadas (8,8%). A análise da renda familiar revelou uma concentração de 29,1% na faixa de 2 a 5 salários-mínimos, 25,3% na faixa entre 5 e 10 salários-mínimos e 25,3% na faixa de 10 salários-mínimos ou mais. No que se refere ao nível de escolaridade, quase metade das participantes (49,0%) possuí pós-graduação completa, enquanto 20,0% possuem ensino

superior completo. Em relação a maternidade, 78,0% das participantes possuem filhos.

As medidas antropométricas indicaram uma altura média de 1,64 metros (± 0,06) e peso médio de 70,16 quilos (± 12,51), resultando em um índice de massa corporal médio de 25,90 (± 4,13), caracterizando, em média, uma condição de sobrepeso leve. A caracterização completa da amostra está apresentada na Tabela 1.


Tabela 1

Características sociodemográficas da amostra (n=79)

Variáveis

Média ± DP, n (%)

Idade (anos)

47,72 ± 8,58

Raça


Branca

75 (94,4)

Preta

2 (2,8)

Parda

2 (2,8)

Estado Civil


Casada

50 (63,0)

Solteira

17 (22,0)

Com companheiro(a)

5 (8,0)

Viúva

1 (1,0)

Outra

6 (6,0)

Ocupação


CLT

25 (31,6)

Empresária

13 (16,4)

Aposentada

7 (8,8)

Dona de casa

5 (6,3)

Trabalho informal

5 (6,3)

Desempregada

1 (1,3)

Outra

23 (29,1)

Renda


Menos de 1 salário-mínimo

3 (3,8)

Entre 1 e 2 salários-mínimos

8 (10,1)

Entre 2 e 5 salários-mínimos

23 (29,1)

Entre 5 e 10 salários-mínimos

20 (25,3)

Mais que 10 salários-mínimos

20 (25,3)

Prefiro não responder

5 (6,3)

Nível de escolaridade


Ensino fundamental completo

4 (5,0)

Ensino médio completo

10 (13,0)

Ensino superior incompleto

10 (13,0)

Ensino superior completo

16 (20,0)

Pós-graduação completa

39 (49,0)

Filhos


Sim

62 (78,0)

Não

17 (22,0)

Altura (m)

1,64 ± 0,06

Peso (kg)

70,16 ± 12,51

                           IMC                            

25,90      ±      4,13            

IMC: Índice de Massa Corporal. Fonte: Dados da pesquisa, 2024.


Histórico de realização de procedimentos estéticos e satisfação com os resultados



A maior parte da amostra (n=58, 73,4%) relatou já ter realizado pelo menos um procedimento estético ao longo da vida. Os procedimentos faciais mais relatados pela amostra foram: limpeza de pele (n=55, 69,6%); toxina botulínica (n=37, 46,8%) e peelings (n=24, 30,4%). Os procedimentos corporais mais relatados pela amostra foram: depilação a laser (n=30, 38,0%); tratamento para gordura localizada (n=19, 240%), tratamento para varizes (n=16, 20,2%) e lipoaspiração (n=16, 20,2%). Do total, 43% das mulheres realizaram procedimentos estéticos há menos de 6 meses, e, destas, 25% responderam que o último procedimento realizado foi a aplicação de toxina botulínica. Sobre o nível de satisfação do último procedimento, em uma escala de zero a dez, a média da pontuação foi de 8,14. Sobre o grau de satisfação médio considerando todos os procedimentos estéticos já realizados, também em uma escala de zero a dez, a pontuação média foi de 7,81.


Motivos para a busca de procedimentos estéticos


A maior parte das mulheres entende que procedimentos estéticos melhoram a autoestima, relatando uma pontuação média de 8,48 quando questionadas o quanto, de zero a dez, elas acreditam que os procedimentos impactam neste quesito da vida. Sobre os principais motivos que levaram as mulheres a buscarem procedimentos estéticos, destacou-se a busca para melhorar a aparência (n=57, 72,1%) e o desejo de melhorar a autoestima (n=41, 51,8%). 80% das mulheres relataram ter vontade de realizar outros procedimentos estéticos que ainda nunca fizeram. Entre os possíveis procedimentos estéticos que não fariam, destacou-se o preenchimento labial (n=17, 21,5%).


Barreiras e fatores importantes para a busca de procedimentos estéticos


A respeito das barreiras que impedem as mulheres de realizar procedimentos estéticos, destacaram-se questões financeiras com 64,5% (n=51), medo de efeitos colaterais

ou da recuperação com 32,9% (n=26), medo de não gostar do resultado com 21,51% (n=17), medo de sentir dor 20,2% (n=16), entre outros aspectos menos citados como falta de tempo, medo do resultado não parecer natural e falta de confiança profissional (Figura 1).


Figura 1

Barreiras para a realização de procedimentos estéticos mais relatadas pelas participantes


Sobre os fatores que consideram importantes na hora de decidir sobre realizar um procedimento estético, a confiança no profissional, bem como sua formação ganharam destaque, sobressaindo outras variáveis como preço e grau de invasividade, por exemplo (Figura 2).


Figura 2

Grau de importância atribuído pelas participantes da amostra para diferentes fatores associados a realização de procedimentos estéticos


DISCUSSÃO


A literatura tem demonstrado um aumento substancial na busca por procedimentos estéticos não invasivos entre mulheres de meia-idade nas últimas décadas. Esse crescimento reflete uma demanda crescente por intervenções voltadas à manutenção e ao rejuvenescimento, que apresentam menor risco e tempo de recuperação mais rápido (International Society of Aesthetic Plastic Surgery, 2023; Triana et al., 2024). A elevada proporção de


participantes que já realizaram procedimentos estéticos neste estudo (73,4%) está em consonância com pesquisas que indicam a crescente normalização dessas práticas entre mulheres maduras (Albarello et al., 2016; Maisel et al., 2018).

A preferência por procedimentos faciais, como aplicação de toxina botulínica, limpeza de pele e peelings, corrobora achados da literatura, que apontam esses procedimentos como os mais procurados devido à sua eficácia e ao efeito de rejuvenescimento percebido, fatores frequentemente associados à melhora da autoestima e da satisfação pessoal (Maisel et al., 2018). A toxina botulínica, em particular, tem sido amplamente estudada pelo seu impacto positivo na percepção da idade e na autopercepção da aparência (American Society for Dermatologic Surgery, 2023), o que pode justificar sua popularidade entre as participantes deste estudo.

A análise dos motivos que levam as mulheres a buscarem procedimentos estéticos revela uma complexidade de fatores emocionais, sociais e físicos. A vontade de melhorar a aparência e o desejo de elevar a autoestima foram as principais razões mencionadas pelas participantes, que atribuíram uma pontuação média de 8,48 (em uma escala de 0 a 10) ao impacto positivo dos procedimentos estéticos na autoestima. Esses achados corroboram estudos anteriores que sugerem que a busca por intervenções estéticas vai além da modificação da aparência, servindo também como um meio de fortalecimento da identidade pessoal e social, trazendo benefícios amplos na esfera psicológica (Almutlq et al., 2021; Kazeminia et al., 2023). No entanto, a percepção de autoestima não é homogênea entre as pacientes. Estudos qualitativos indicam que fatores emocionais, experiências prévias e o ambiente social desempenham papéis determinantes na satisfação com a própria imagem e na decisão de recorrer a procedimentos estéticos (Auer, 2020; Kim & Lee, 2018; Locatelli et al., 2017). Mulheres que passaram por críticas constantes sobre sua aparência ou que trabalham em áreas com alta exigência estética podem ter uma maior predisposição a buscar esses procedimentos como forma de reafirmação pessoal (Rodgers et al., 2024). Além disso, a literatura aponta que mulheres que buscam procedimentos estéticos podem apresentar diferentes perfis psicológicos. Algumas veem os procedimentos como uma forma de autocuidado e manutenção da aparência,

enquanto outras podem estar influenciadas por padrões sociais rígidos, levando a uma busca contínua por melhorias estéticas, o que pode estar associado a transtornos de imagem corporal (Hesslinger et al., 2017; Sun & Rieder, 2022). Portanto, compreender como cada indivíduo percebe sua autoestima em relação à estética pode ser essencial para um atendimento mais humanizado e para evitar expectativas irreais.

Nosso estudo indicou uma alta taxa de satisfação com os procedimentos realizados, com uma média de 8,14 para o último procedimento e de 7,81 considerando todos os procedimentos já realizados. Essa percepção positiva pode estar relacionada à segurança dos procedimentos minimamente invasivos e à previsibilidade dos resultados, fatores que influenciam a decisão das mulheres de continuar realizando novas intervenções (Al-Atif et al., 2024; Fagien & Carruthers, 2008; Małolepsza et al., 2023). Os elevados níveis de satisfação também podem contribuir para a retenção de pacientes no setor de estética, uma vez que mulheres que obtiveram bons resultados tendem a buscar novos procedimentos futuramente (Maisel et al., 2018; Seo & Kim, 2020). Nesse sentido, a disposição de 80,0% das participantes em realizar novos procedimentos é indicativa de uma tendência crescente no consumo de intervenções cosméticas, tanto invasivas quanto não invasivas. Essa demanda reflete não apenas o aumento da aceitação social dessas práticas, mas também o desejo crescente de explorar alternativas que promovam melhorias rápidas e perceptíveis na aparência (American Society for Dermatologic Surgery, 2023).

A análise das barreiras à realização de procedimentos estéticos revelou que fatores financeiros, preocupações com segurança e o receio de insatisfação com os resultados são determinantes relevantes. Questões econômicas frequentemente limitam o acesso a esses procedimentos, como demonstrado em outros estudos, nos quais os custos elevados figuram entre as principais barreiras para a maioria das pacientes (American Society for Dermatologic Surgery, 2023; Fabi et al., 2022). Além disso, o medo de efeitos colaterais e do processo de recuperação reflete uma preocupação crescente com a segurança e a previsibilidade dos resultados, um aspecto que pode ser amplificado pela exposição a informações sobre complicações em redes


sociais e relatos pessoais de terceiros (Dadkhahfar et al., 2021).

Outro aspecto relevante é a importância atribuída à confiança no profissional e à sua formação acadêmica. Os dados indicam que as pacientes valorizam a experiência e a credibilidade dos especialistas, demonstrando preferência por profissionais qualificados e com formação adequada. A literatura reforça esse achado ao sugerir que a percepção de segurança e a confiança no profissional influenciam diretamente a disposição das pacientes em realizar procedimentos estéticos (Mcdonald et al., 2022).

Por fim, o receio de alguns procedimentos específicos, como preenchimentos labiais e faciais, pode estar relacionado à exposição midiática de casos de resultados exagerados ou artificiais (Atiyeh et al., 2024; Slevec & Tiggemann, 2010b). Nesse sentido, o medo de não gostar do resultado ou de que este pareça artificial leva muitas mulheres a evitarem procedimentos mais perceptíveis e invasivos (Nassar; Demyati, 2024), optando por intervenções que ofereçam um efeito mais natural e discreto.

Variáveis sociodemográficas podem estar diretamente relacionadas com a busca por procedimentos estéticos. Os resultados deste estudo indicaram que a maioria das participantes possuía renda familiar entre 2 a 10 salários-mínimos (54,4%) e nível educacional elevado, com 69,0% tendo ensino superior completo ou pós-graduação. Estudos anteriores sugerem que mulheres com maior escolaridade e renda tendem a ter maior acesso e predisposição para realizar procedimentos estéticos, tanto por questões econômicas quanto por uma maior exposição a informações sobre estética e autocuidado (Maisel et al., 2018). A renda é um fator determinante para a realização de procedimentos, uma vez que custos elevados são frequentemente citados como barreira para adesão a tratamentos estéticos (Fabi et al., 2022). Além disso, a escolaridade pode influenciar na percepção dos riscos e benefícios associados aos procedimentos, com mulheres mais instruídas demonstrando maior seletividade na escolha de tratamentos e profissionais qualificados (Mcdonald et al., 2022). Isso pode justificar a importância atribuída pelas participantes à formação do profissional antes de optar por um procedimento estético. Estudos internacionais indicam que a distribuição socioeconômica

das pacientes pode variar conforme o contexto cultural e as facilidades de acesso a esses procedimentos. Em países com políticas de financiamento e maior acessibilidade a serviços estéticos, por exemplo, a adesão pode ser maior mesmo entre faixas de menor renda (Rodgers et al., 2024).

A cultura brasileira desempenha um papel central na percepção da necessidade de procedimentos estéticos, influenciada pela forte valorização da aparência, pela exposição intensa a padrões de beleza na mídia e nas redes sociais, e pela normalização dessas intervenções como parte do autocuidado feminino (Rodgers et al., 2024; Slevec & Tiggemann, 2010a, 2010b). O Brasil figura entre os países com maior número de procedimentos estéticos realizados, refletindo não apenas a acessibilidade e o avanço da área, mas também a pressão estética socialmente reforçada, especialmente em ambientes profissionais e em grandes centros urbanos (International Society of Aesthetic Plastic Surgery, 2023). No entanto, essa percepção não é homogênea, pois fatores como escolaridade, classe social e exposição a informações qualificadas influenciam tanto o acesso quanto a decisão de aderir a esses procedimentos (Mcdonald et al., 2022). Estudos indicam que a busca por intervenções estéticas pode estar relacionada não apenas à satisfação pessoal, mas também à aceitação social e à adequação a padrões culturais internalizados (Kazeminia et al., 2023). Assim, compreender essas dinâmicas culturais é fundamental para promover uma abordagem mais consciente e informada sobre estética, incentivando ações educativas que reduzam a pressão para a adequação a padrões inatingíveis de beleza. Investigações futuras poderiam explorar com maior profundidade como esses fatores interagem no Brasil.

É importante ressaltar que, devido à amostragem não probabilística por voluntariado, os dados obtidos não devem ser generalizados para a população em geral. Além disso, a amostra deste estudo foi composta majoritariamente por mulheres brancas, com alta escolaridade e renda, o que pode indicar um maior acesso a procedimentos estéticos, bem como particularidades culturais e ambientais diferentes das observadas na população feminina acima de 40 anos no Brasil. Outra limitação diz respeito ao tamanho da amostra, que, apesar de estatisticamente adequado para as análises exploratórias conduzidas, pode não representar de forma ampla a população feminina da região Sul do


Brasil. Entretanto, mesmo com essas limitações, o presente estudo fornece evidências relevantes sobre a busca por procedimentos estéticos nessa faixa etária, um tema que ainda carece de investigações mais aprofundadas na literatura.


CONCLUSÃO


Este estudo reforça tendências descritas na literatura, indicando que mulheres maduras apresentam uma alta adesão a procedimentos estéticos não invasivos, como a aplicação de toxina botulínica e peelings, com o objetivo de melhorar a aparência e elevar a autoestima. A confiança no profissional foi um fator determinante na tomada de decisão das participantes, que priorizam a formação acadêmica e a experiência do especialista. Esses achados ressaltam a importância da credibilidade e da qualificação profissional na escolha dos procedimentos estéticos, evidenciando a necessidade de regulamentações mais rigorosas e de diretrizes que garantam a segurança e a eficácia das práticas na área da estética. Além disso, os resultados sugerem que a aceitação social dessas intervenções tem aumentado, mas há uma cautela significativa em relação a procedimentos mais perceptíveis, como preenchimentos faciais. Essa preferência por resultados naturais e seguros reforça a importância de uma abordagem ética e informada, tanto no aconselhamento clínico quanto no desenvolvimento de campanhas educativas.

No contexto da prática clínica, os achados deste estudo podem subsidiar estratégias para um atendimento mais humanizado e personalizado, considerando não apenas os desejos estéticos das pacientes, mas também suas expectativas e receios. No âmbito das políticas públicas, os resultados evidenciam a necessidade de iniciativas voltadas à educação em saúde estética, promovendo o acesso a informações qualificadas e combatendo a desinformação sobre riscos e benefícios dos procedimentos.

Em suma, este estudo contribui para um entendimento mais aprofundado dos fatores que influenciam a decisão de mulheres maduras em relação à estética, fornecendo insights valiosos para profissionais da área da saúde, formuladores

de políticas e pesquisadores interessados no impacto dos procedimentos estéticos no bem-estar feminino.


REFERÊNCIAS


Al-Atif, H. M., Alqarni, A. M., Almuntashiri, A. A., Almuntashiri, A. S., & Almarhabi, M.

A. (2024). Satisfaction Among Recipients of Cosmetic Facial Filling Procedures at Dermatology Clinics in Saudi Arabia: A National Study. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology 17, 2465–2474. https://doi.org/10.2147/CCID. S470437


Albarello, M. J., Winkelmann, E. R., Fontela, P. C., Schneider, J., & Berlezi, E. M. (2016). Percepção de beleza e cuidados estéticos em mulheres pós-menopau-sa residentes em um município do interior do Rio Grande do Sul. Revista Bra-sileira de Ciências do Envelhecimento Humano, 13(1). https://doi.org/10.5335/ RBCEH.V13I1.4969


Almutlq, M., Alruwaili, S., Binyousef, F., Alruwaybiah, H., Alharthi, N., Alzahrani, S., AlKhudhair, M., Abdulrahman, K. B., & Alzamil, F. (2021). Self-esteem following noninvasive cosmetic procedures. Medical Science, 25(113), 1606–1611.


American Society for Dermatologic Surgery. (2023). 2023 Consumer Survey Release. https://www.asds.net/skin-experts/news-room/press-releases/new-sur-

vey-results-showcase-dermatologists-as-the-primary-influencer-for-pa-tients-cosmetic-procedures-and-skin-care-decisions


Ashley, E., Parmar, A., Novintan, S., Watson, L., & Chadha, P. (2024). Exploring the psychological and social motivations for aesthetic treatments in the post-COVID era. Journal of Cosmetic Medicine, 8(1), 34–40. https://doi.org/10.25056/ JCM.2024.8.1.34


Atiyeh, B. S., Beaineh, P. T., Hakim, C. R. A., Makkawi, K. W., Habr, N. T., Zeineddine,

J. H., Emsieh, S. E., Issa, O. B., Gnaedinger, A. G., & Ibrahim, A. E. (2024). Lip Augmentation with Soft Tissue Fillers: Social Media, Perceptual Adaptation, and Shifting Beauty Trends beyond Golden Standard Ideals. Plastic and Reconstructive Surgery - Global Open, 12(10), e6238. https://doi.org/10.1097/ GOX.0000000000006238


Auer, D. (2020). Understanding body image from a psychosocial stance: how this connects with patients requesting cosmetic procedures. Revista de Enferma-gem Estética, 9(3), 128–131. https://doi.org/10.12968/JOAN.2020.9.3.128


Bonté, F., Girard, D., Archambault, J. C., & Desmoulière, A. (2019). Skin changes during ageing. Subcellular Biochemistry, 91, 249–280. https://doi. org/10.1007/978-981-13-3681-2_10/FIGURES/4


Căiță, G. A., Maghiar, T., Bodog, F. D., Lascu, C. F., Voiţă-Mekereş, F., & Noor, H. (2023). Sociological Study of the Influencing Factors on the Trend Toward Cosmetic Surgery. Archives of Pharmacy Practice, 14(2–2023), 122–126. https://doi.org/10.51847/TB8NUXFOYU


Cameron, E., Ward, P., Mandville-Anstey, S. A., & Coombs, A. (2019). The female aging body: A systematic review of female perspectives on aging, health, and body image. Journal of Women & Aging, 31(1), 3-17.


Dadkhahfar, S., Gheisari, M., Kalantari, Y., Zahedi, K., Ehsani, A., & Ifa, E. (2021). Motivations and characteristics of patients seeking minimally invasive cosmetic procedures in two Iranian dermatology centers: A cross-sectional study. International Journal of Women’s Dermatology, 7(5), 737–742. https:// doi.org/10.1016/J.IJWD.2021.07.001


Dionigi, R. A. (2015). Stereotypes of aging: Their effects on the health of older adults. Journal of Geriatrics, 2015, 954027.


Ehlinger-Martin, A., Cohen-Letessier, A., Taïeb, M., Azoulay, E., & du Crest, D. (2016). Women’s attitudes to beauty, aging, and the place of cosmetic procedures: insights from the QUEST Observatory. Journal of Cosmetic Dermatology, 15(1), 89–94. https://doi.org/10.1111/JOCD.12192


Fabi, S., Alexiades, M., Chatrath, V., Colucci, L., Sherber, N., Heydenrych, I., Jagdeo, J., Dayan, S., Swift, A., Chantrey, J., Stevens, W. G., & Sangha, S. (2022).

Facial Aesthetic Priorities and Concerns: A Physician and Patient Perception Global Survey. Aesthetic Surgery Journal, 42(4), NP218–NP229. https://doi. org/10.1093/ASJ/SJAB358


Fagien, S., & Carruthers, J. D. A. (2008). A comprehensive review of patient-reported satisfaction with botulinum toxin type a for aesthetic procedures. Plastic and Reconstructive Surgery, 122(6), 1915–1925. https://doi.org/10.1097/PRS.

0B013E31818DBFE3


Figueira, O., Perini, C. C., Sganzerla, A., & Marcellini, P. S. (2024). Autoestima e esté-tica na percepção de pessoas idosas de Centros de Referência de Assistência Social. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 27, e230193. https://doi. org/10.1590/1981-22562024027.230193.PT


Hesslinger, V. M., Carbon, C. C., & Hecht, H. (2017). Social Factors in Aesthetics: Social Conformity Pressure and a Sense of Being Watched Affect Aesthetic Judgments. i-Perception, 8(6). https://doi.org/10.1177/2041669517736322


Honelová, M., & Vidovićová, L. (2023). Why do (middle-aged) women undergo cosmetic/aesthetic surgery? Scoping review. Women’s Studies International Forum, 101, 102842. https://doi.org/10.1016/J.WSIF.2023.102842


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2022). Censo demográfico 2022: Resultados preliminares. IBGE. Disponível em https://www.ibge.gov.br


International Society of Aesthetic Plastic Surgery. (2023). ISAPS international survey on aesthetic/cosmetic procedures. https://www.isaps.org


Kazeminia, M., Salari, N., Heydari, M., Akbari, H., & Mohammadi, M. (2023). The ef-fect of cosmetic surgery on self-esteem and body image: a systematic review and meta-analysis of clinical trial studies. European Journal of Plastic Surgery, 46(1), 25–33. https://doi.org/10.1007/S00238-022-01987-6/FIGURES/5

Kim, S., & Lee, Y. (2018). Why do women want to be beautiful? A qualitative study proposing a new “human beauty values” concept. PLOS ONE, 13(8), e0201347. https://doi.org/10.1371/JOURNAL.PONE.0201347


Locatelli, K., Boccara, D., De Runz, A., Fournier, M., Chaouat, M., Villa, F., & Mimoun,

M. (2017). A qualitative study of life events and psychological needs underly-ing the decision to have cosmetic surgery. International Journal of Psychiatry in Medicine, 52(1), 88–105. https://doi.org/10.1177/0091217417703287/ ASSET/A6648085-6E35-4FF0-A8AE-2CF7324789C8/ASSETS/IMAGES/ LARGE/10.1177_0091217417703287-FIG1.JPG


Mackenzie, K. A. (2023). What are the factors influencing the uptake of non-surgical facial aesthetic treatments in adults? A systematic review. Revista de Enferma-gem Estética, 12(7), 302–312. https://doi.org/10.12968/JOAN.2023.12.7.302


Maisel, A., Waldman, A., Furlan, K., Weil, A., Sacotte, K., Lazaroff, J. M., Lin, K., Aran-zazu, D., Avram, M. M., Bell, A., Cartee, T. V., Cazzaniga, A., Chapas, A., Crispin,

M. K., Croix, J. A., Digiorgio, C. M., Dover, J. S., Goldberg, D. J., Goldman, M. P.,

… Alam, M. (2018). Self-reported Patient Motivations for Seeking Cosmetic Procedures. JAMA Dermatology, 154(10), 1167. https://doi.org/10.1001/ JAMADERMATOL.2018.2357


Małolepsza, A., Laskowski, J., Bronst, P., Specjalistyczny im Stefana Kardynałaa Wyszyńskiego Samodzielny Publiczny Zakład Opieki Zdrowotnej Lublinie, S., Czechowska, J., Rosa, L., Publiczny Zakład Opieki Zdrowotnej Ministerstwa Spraw Wewnętrznych Administracji Łodzi ul, S., Zach-Źródlak, M., Rektor, N., & Mazur, M. (2023). Assessment of motivation for using aesthetic medicine procedures and post-treatment satisfaction. Journal of Education, Health and Sport, 45(1), 136–143. https://doi.org/10.12775/JEHS.2023.45.01.009


Mcdonald, C. B., Heydenrych, I., & Med, N. (2022). Factors Influencing Trust and Trustworthiness: Cosmetic Injectable Patient Experience Exploratory

Study (CIPEES)-Part 3. Aesthetic Surgery Journal Open Forum, 4. https://doi. org/10.1093/ASJOF/OJAC082


Nadler, J. D., Damis, L. F., & Richardson, E. D. (1997). Psychosocial Aspects of Aging.

Em P. D. Nussbaum (Org.), Handbook of Neuropsychology and Aging (1. ed, Vol. 2, Número 2, p. 44–59). Springer. https://doi.org/10.1007/978-1-4899-1857-4_5


Nassar, A. A., & Demyati, A. K. (2024). Understanding Public Awareness and Practices of Nonsurgical Facial Dermal Fillers: A Cross-Sectional Study in Saudi Arabia. Nigerian Journal of Clinical Practice, 27(4), 528–533. https://doi. org/10.4103/NJCP.NJCP_12_24


Rodgers, R. F., Hewett, R. C., & Laveway, K. (2024). Sociocultural pressures and engagement with cosmetic products and procedures in adult women. Body Image, 49, 101701. https://doi.org/10.1016/J.BODYIM.2024.101701


Santos, A. C. S. dos, Silva, A. H., Moreira, M. G., & Araújo, C. de S. (2018). Comporta-mento de compra de cosméticos na melhor idade: diferenças ou similarida-des entre os gêneros? International Journal of Business and Marketing, 3(2), 088–097. https://ijbmkt.emnuvens.com.br/ijbmkt/article/view/48


Seo, Y. A., & Kim, Y. A. (2020). Factors Affecting Acceptance of Cosmetic Surgery in Adults in Their 20s–30s. Aesthetic Plastic Surgery, 44(5), 1881–1888. https:// doi.org/10.1007/S00266-020-01761-8/FIGURES/1


Slevec, J., & Tiggemann, M. (2010a). Attitudes Toward Cosmetic Surgery in Middle-Aged Women: Body Image, Aging Anxiety, and the Media. Psycho-logy of Women Quarterly, 34(1), 65–74. https://doi.org/10.1111/J.1471-6402.2009.01542.X


Slevec, J., & Tiggemann, M. (2010b). Attitudes Toward Cosmetic Surgery in Middle-Aged Women: Body Image, Aging Anxiety, and the Media. Psycho-logy of Women Quarterly, 34(1), 65–74. https://doi.org/10.1111/J.1471-6402.2009.01542.X


Sun, M. D., & Rieder, E. A. (2022). Psychosocial issues and body dysmorphic disorder in aesthetics: Review and debate. Clinics in Dermatology, 40(1), 4–10. https://doi.org/10.1016/J.CLINDERMATOL.2021.08.008


Swift, A., Liew, S., Weinkle, S., Garcia, J. K., & Silberberg, M. B. (2021). The Facial Aging Process From the “Inside Out”. Aesthetic surgery journal, 41(10), 1107–1119. https://doi.org/10.1093/ASJ/SJAA339


Tawalbeh, M., Al-Saraireh, T., Al-Jafari, M., Ibrahim, R. M., Eddin, S. Z., Hamasha, S., Khreesha, L., & Al Rawashdeh, B. (2024). Assessment of Awareness, Source of Information, Motivational Factors, and Barriers for Rhinoplasty Among Young Females in Jordan: A Cross-Sectional Study. Aesthetic Plastic Surgery, 1–12. https://doi.org/10.1007/S00266-024-04552-7/METRICS


Triana, L., Palacios Huatuco, R. M., Campilgio, G., & Liscano, E. (2024). Trends in Surgical and Nonsurgical Aesthetic Procedures: A 14-Year Analysis of the Inter-national Society of Aesthetic Plastic Surgery-ISAPS. Aesthetic plastic surgery,

48(20). https://doi.org/10.1007/S00266-024-04260-2


World Health Organization. (2023). Life expectancy at birth (years). WHO. https:// www.who.int/data/gho/data/indicators/indicator-details/GHO/life-expectan-cy-at-birth-(years)


Yawar, R., Khan, S., Rafiq, M., Fawad, N., & Khalil, S. (2024). Aging is inevitable: Understanding aging anxiety related to physical symptomology and quality of life with the mediating role of self-esteem in adults. International Journal of Human Rights in Healthcare, 17(2), 170-185.


Zhang, Y., Jiang, M., Liu, J., & Liu, B. (2024). Pursuing beauty: socio-cultural and labor-economic determinants of cosmetic surgery consideration among female college students in China. BMC psychology, 12(1), 519. https://doi. org/10.1186/S40359-024-02016-W/TABLES/4