https://doi.org/10.18593/evid.34485
Tecnologia de informação e comunicação em nutrição: revisão comparativa do uso antes e pós pandemia Covid-19
Information and communication technology in nutrition: comparative review of use before and post Covid-19
Ianna da Silva Lopes1, Paulo Vitor Pires Rocha2, Ana Karoline do Nascimento Sousa3, Elaynny Layla Castro de Oliveira4, Maria Tereza Silva de Medeiros5, Liana Raquel Rodrigues Braga6, Alexsandro Ferreira dos Santos7
Resumo: Introdução: COVID-19 é a infecção pelo SARS-CoV-2. Sua transmissão se dá pela inalação/contato de gotículas contaminadas. O agravo compromete o prognóstico nas Doenças e Agravos Crônicos não Transmissíveis (DANT), e, portanto, impôs métodos seguros para continuidade dos atendimentos clínicos essenciais, como a incorporação de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Objetivo: Descrever da literatura científica achados sobre o uso de TICs em nutrição, comparando as ocorrências antes e após a pandemia da COVID-19. Materiais e Métodos: Revisão de literatura simples, em artigos publicados de 2017 a 2023, nas bases de dados: Google Acadêmico®, Scielo® e PubMed®. Além destas, consultou-se a Organização Pan- Americana de Saúde [OPAS] (2022), Organização Mundial de Saúde [OMS] e o Conselho Federal de Nutricionistas [CFN]. Utilizou-se as palavras-chave: “Tecnologias de Informação e Comunicação”, “Nutrição”, “Saúde” e “COVID-19”. Resultados: Foram encontrados 18 estudos (08 de revisão, 03 transversais, 01 de caso, 02 cartilhas, 01 relato de experiência, 01 site, uma resolução e um questionário). Faz-se necessário maior atenção voltada ao público idoso e com DANT, quando ao uso de TICs. Onde na pós-pandemia houve maior número de publicações. Discussão: A literatura científica ainda é deficiente, quando se trata de pesquisas sobre TICs em nutrição no pós Pandemia de COVID-19. Conclusão: As TICs e assistência nutricional, emergiram de forma mais contundente durante a pandemia de COVID-19, devido a necessidade de continuidade de assistência nutricional remota. É importante a apropriação e democratização destas tecnologias pelos profissionais de saúde através de treinamentos/capacitações. A discussão sobre o tema parece apenas estar iniciando.
Palavras-chave: Tecnologias de Informação e Comunicação; Nutrição; Saúde; COVID-19.
Abstract: Introduction: Covid- 19 ins infection by SARS-CoV-2. Its transmission occurs, in particular, through inhlation/contact of contaminated droplets. The condition compromises the prognosis in Chronic Non- Communicable Diseases and Conditions (NCD), and therefore, imposed the use of safe methods to continue essential clinical care as the incorporation of Information and Communication Technologies (ICTs). Objective: Describe literary findings from scientific literature on the use of ICTs in nutrition, comparing occurrences before and after the COVID-19 pandemic. Materials and Method: Simple literature review, in articles published from 2017 to 2023, in databases: Google Acadêmico®, Scielo® e PubMed®. In adition to these, the Pan American Health Organization, the World Health Organization and the Federal Council of Nutritionists were consulted. The keywords were used: “Information and Communication Technologies”, “Nutrition”, “Health” and “COVID-19”. Results: 18 studies were found (08 review, 03 cross-sectional, 01 case, 02 booklets, 01 experience report, 01 website, a resolution and a questionnaire). It is necessary to pay attention to the elderly and those with DANT, when using ICTs. Where in the post- pandemic there was a greater number of publications. Discussion: The scientific literature is still deficient when it comes to research on ICTs in nutrition after the COVID-19 pandemic. Conclusion: ICTs and nutritional assistance emerged more strongly during the COVID-19 pandemic, due to the need to continue remote nutritional assistance. It is important for health professional to appropriate and democratize the Technologies through training/ qualification. The discussion on the topic seems to be just beginning.
Descriptors: Information and Communication Technologies - ICTs; Nutrition; Health; COVID-19.
Recebido em 22 de dezembro de 2023
Aceito em 27 de março de 2024
A etimologia da palavra COVID-19, inclui: “CO” significa corona, “VI” para vírus e “D” para doença. Em 2019 chamada por novo Coronavirus e/ou “2019-n CoV”, uma doença ocasionada pelo vírus da COVID-19, hoje denominado SARS-CoV-2, mostrou ao mundo um quadro clínico que poderia variar entre indivíduos infectados como assintomáticos à quadros graves (Peng et al., 2020).
As formas de transmissão e/ou infecção ocorrem através da inalação ou contato direto com gotículas de ar contaminado, em que o vírus permanece incubado entre 1 a 14 dias, podendo permanecer de forma assintomática e ocorrer a transmissão. Os infectados apresentam os seguintes sintomas inespecíficos: febre frequente, tosse, fadiga, dispneia e mialgias, e em pacientes considerados graves, os sinais e sintomas de pneumonia viral como a Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda (SDRA), insuficiência cardíaca aguda, lesão renal aguda, choque, e sepse (Singhal, 2020).
Medidas preventivas foram tomadas para evitar a propagação do vírus da COVID-19, entre os quais atos decretados pelos municípios e estados brasileiros como: Isolamento social; quarentena; distanciamento social e isolamento vertical; voltado especialmente para a parte da população considerada como “grupo de risco” o qual o incluía: gestantes, idosos, indivíduos fumantes e os portadores de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) como Hipertensão arterial, Diabete Mellitus, Doenças Renais e Cardiovasculares. No Brasil, especialmente, onde o contato direto como: aperto de mão, beijo e abraço, são culturalmente reconhecidos, não praticar estes atos tornou-se algo extremamente difícil frente a uma situação pandêmica (Dias et al., 2020).
Em consequência a forma de contagio, os impactos causados para a saúde pública além das medidas citadas por Dias et al. (2020) e Nunes et al. (2021), ressalva-se que o uso de máscaras descartáveis, intensificação na higiene de mãos, foram pontos ordenados para dificultar a propagação e disseminação do vírus (Nunes et al., 2021)
A Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (2022) mostram que devido à redução nos atendimentos e serviços prestado pela saúde, devido o surto da COVID-19, o agravamento no quadro de pacientes crônicos culminou inclusive à óbito, tornando-se necessário encontrar métodos seguros para dar continuidade aos atendimentos clínicos essenciais, e dentre as estratégias estabelecidas, cita-se o teleatendimento.
E para realização do atendimento nutricional, foi estabelecido a partir da Resolução Nº 666, de 30 de setembro do Conselho Federal de Nutricionistas, a realização de consulta por meio do uso das TICs como forma de acompanhamento nutricional para os cuidados de pacientes que apresentavam de quadro leve à mais graves, durante a pandemia (CFN, 2020).
A modalidade de atendimento online bastante priorizada e difundida, seja via telefone celular, internet (computador) com preferência à vídeo, ressaltando que a utilização desta modalidade realizada com base em protocolos (áudios, mensagens objetivas, diretas e fácil compreensão), até mesmo na facilidade de monitoramento nos sinais vitais (Medina et al., 2020).
Durante a pandemia, muito se fez o acompanhamento nutricional, incluindo a criação de cartilha ilustrativa, com informações relevantes na prevenção de DANT e na prática de hábitos alimentares mais saudáveis, em especial aumento no consumo de alimentos minimamente processados e in natura, redução no consumo de produtos prontos para o consumo processados, ultraprocessados (Cavalcante et al., 2023).
Contudo o uso de TICs em saúde não é algo novo, antes mesmo da Pandemia por COVID-19, já havia desenvolvimento desta através de consultas médicas, com crescimento de seu uso pelos demais profissionais da saúde durante a pandemia (Schmitz et al., 2017). Frente ao profissional nutricionista, que necessitou dar continuidade na atenção primária, e principalmente ao público considerado mais vulnerável, como os pacientes idosos assintomáticos, o uso das TICs passou a vigorar, não mais como uma possibilidade, mas sim como uma necessidade real.
Frente aos achados literários, o objetivo deste estudo foi descrever da literatura científica os principais achados literários sobre o uso de TICs em nutrição, comparando as ocorrências antes e após a pandemia da COVID- 19.
MATERIAL E MÉTODOS
Revisão de literatura simples, realizada de agosto a setembro de 2023, no Laboratório de Avaliação Nutricional e de Informática da Faculdade Santa Terezinha – CEST, locais com computadores, mesas, mobiliário de escritório e demais infraestruturas necessários para o desenvolvimento da pesquisa.
A pesquisa foi conduzida através de artigos publicados de 2017 a 2023 com levantamento em três bases de dados nacionais e internacionais (Google Acadêmico®, Scielo® e PubMed®), além de publicações disponíveis em anais, revistas ou jornais publicados outras plataformas virtuais, além destes utilizou-se a consulta de dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS) e Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Foram utilizados os descritores em saúde: “Tecnologias de Informação e Comunicação- TICs”, “Nutrição”, “Saúde”, “COVID-19”. Para o desenvolvimento da Fig. n 1, utilizou-se o aplicativo CANVA®, versão ٢.٢٣٢.٠.
Foram encontrados 18 artigos abordando a temática, e incluídos aqueles estudos que apontavam sobre o assunto, mesmo questões éticas envolvidas na teleconsulta em nutrição, que foram recentemente definidas pelo Conselho de Classe dos nutricionistas (Conselho Federal de Nutricionistas – CFN).
Foram excluídos artigos incompatíveis com a temática. Após rastreados, realizou-se a leitura na íntegra de todos os artigos e foi procedida a resenha crítica dos assuntos pelos pesquisadores, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão [FAPEMA].
RESULTADOS
Foram encontrados 18 estudos (08 de revisão, 03 transversais, 01 de caso, 02 cartilha, 01 relato de experiência, 01 site, uma resolução e um questionário), Conforme Tabela n. 1.
Os achados mostraram na Tabela n.1 que o uso de TICs, tem se apresentado cada vez mais relevante para os profissionais de saúde inseridos na realidade do Sistema Único de Saúde [SUS].
Tabela n 1. Literatura científica consultada sobre uso de TICs e nutrição de 2017 a 2023. São Luís, Maranhão, Brasil, 2023.
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Tipo de Estudo |
Ordem |
Sistema Autor-Data |
Objetivo/Foco |
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Revisão de Literatura |
1. |
(Araújo & Barbosa, 2022) |
Avaliar as percepções do atendimento online. |
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2. |
(Caetano et al., 2020) |
Descrever as iniciativas desencadeadas pelo Brasil e Governo Federal para o enfrentamento da COVID com a Telesaúde. |
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3. |
(Dias et al., 2020) |
Refletir sobre as medidas de isolamento e distanciamento como prevenção. |
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4. |
(Oliveira et al., 2020) |
Descreve a importância da alimentação saudável e estado nutricional. |
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5. |
(Medina et al., 2020) |
Analisar a APS no SUS. |
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6. |
(Peng et al.,2020) |
Rastrear as formas de contágio da COVID-19. |
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7. |
(Bricarello & Poltroniere, 2011) |
Sintetizar e analisar artigos e documentos sobre Teleconsulta em nutrição. |
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8. |
(Schmitiz et al.,2017) |
Descreve a situação da Teleconsulta na América do norte e outros países (paralelo entre medicina e outras profissões). |
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Estudos Transversais |
1. |
(Damasceno & Caldeira, 2019) |
Verificar os fatores associados a não utilização do serviço de teleconsulta. |
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2. |
(Eduardo et al., 2023) |
Avaliar o uso e impacto da Telesaúde em um Centro de Reabilitação. |
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3. |
(Alves & Sureira, 2022) |
Compreender as percepções dos nutricionistas que vivenciaram o teleatendimento durante a pandemia. |
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Estudo de Caso |
1. |
(Nunes et al., 2021) |
Compreender as percepções dos nutricionistas que vivenciaram o teleatendimento durante a pandemia. |
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Cartilhas |
1. |
(Ministério da Saúde, 2000) |
Princípios e conquistas do SUS |
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2. |
(MDS, 2012) |
Educação Alimentar e Nutricional para as políticas públicas. |
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Questionário |
1. |
(Teles, 2022) |
Investigar a percepção dos nutricionistas quanto o uso da teleconsulta em Nutrição durante a pandemia da COVID-19. |
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Relato de Experiência |
1. |
(Guimarães et al., 2022) |
Experiência de extensão e ensino serviço e comunidade no contexto da COVID-19. |
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Site |
1. |
(OPAS, 2020) |
Discutir sobre o tratamento das DCNT durante a pandemia. |
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Resolução |
1. |
(CFN 2020) |
Teleconsulta (e-Nutrição) durante A COVID-19. |
Observou-se que durante a pandemia, as TICs mostraram-se promissoras para não propagação do vírus, e como medida de isolamento e distanciamento, atendendo ao público prioritário que se encaixa no quadro de maior perigo, como os pacientes idosos e/ou com DANT.
Entretanto, é importante ressaltar que as devidas informações devem seguir critérios quanto ao atendimento/acompanhamento, sem que estas orientações sejam recebidas sem supervisão do profissional nutricionista e acarretando um efeito reboot (efeito contrário ao esperado), podendo resultar em um controle errôneo no consumo de macro e micronutrientes.
A criação de materiais educativos e ilustrativos que possuía informações clínicas, além de qualitativo com apresentação de substituições de alimentos voltadas para a população não alfabetizada, fidelizava a teleconsulta nutricional inclusa, o que fortalece as principais doutrinas do SUS: universalidade, equidade e integralidade (Ministério da Saúde, 2000).
Bricarello e Poltronieri (2021) citam em pesquisa que o acompanhamento via Teleconsulta é considerada uma alternativa para diversos tratamentos e/ou acompanhamentos de um indivíduo ou populações, intercaladas ainda neste, o cuidado nutricional.
Alves e Sureira (2022) mostram que a literatura apresentou benefícios associados em relação ao teleserviço de nutrição durante a COVID-19, tais como: redução do absenteísmo, facilitação de resoluções simples como modificações de receitas, orientações nutricionais que antes só poderiam ser realizadas presencialmente. Ressalta ainda, que parte do público idoso ainda possui dificuldade no uso das ferramentas tecnológicas.
É importante ressaltar que no ano de ٢٠١٣ estima-se que as internações hospitalares no Brasil, devido a causas sensíveis são responsáveis por um terço das internações públicas, o que permeia anualmente 17,4% para o SUS, tudo isso ligado a barreiras no acesso, resultando em alto custo financeiro, impactando na morbimortalidade e qualidade de vida da população brasileira. Em comparação ao serviço de telesaúde, este pode impactando na prestação de serviço, adaptando a realidade do SUS (Schmitz et al., 2017).
De acordo com Teles (2022), a teleconsulta teve um papel muito importante durante a pandemia e continuará tendo. Diante da crescente demanda de prestação de serviços em saúde, os nutricionistas apostam nas TICs como forma de complementar o atendimento presencial, tornando-o mais interativo e inclusivo.
Na Fig. n 1, nota-se esquematicamente uma súmula dos principais pontos retratados neste artigo: aumento da velocidade como as informações podem chegar aos profissionais de saúde, pacientes e população; a importância de um novo aprender em saúde através das TICs, bem como estas não vieram para substituir o profissional de saúde, mas para somar-se aos saberes e fazeres destes. Contudo, deve-se considerar que o uso das TICs não deve ser utilizado para divulgação de informações falsas (Fake News), e que deve ser democratizada o quanto antes, para além das barreiras geográficas, ou seja: deve ocorrer também a quebra de barreiras sociais.
Outro fator relevante a ser considerado, tratou-se do processo de continuidade do uso das TICs no contexto de pós-pandemia, visto que a literatura mostra que estudos que avaliem o efeito a longo prazo do uso teleconsulta mostram-se benéficos no aporte de orientações dietéticas, assim como eventuais dúvidas consideradas simples, seja na produção ou remodificação de receitas, ou em estratégias que “desburocratizem o atender em nutrição”.
Faz necessário ainda, maior atenção voltada ao público idoso e/ou com DANT, quanto ao uso de TICs, devido à falta de escolaridade (Araújo & Barbosa, 2022), ou ainda ao acúmulo de informações expostas sem a devida fundamentação científica nas mídias sociais, trazendo uma limitação do uso e necessidade de filtro na escolha dessas ferramentas, ou melhor dos propagadores que as fazem o uso.
Fig. n 1. Representação das interfaces do uso das TICs no serviço Telesaúde. São Luís, Maranhão, Brasil, 2023.

Assim os dados mostram no serviço de Telenutrição, uma roupagem nova na Pós- pandemia, em desenvolver determinando atendimento à população. Assim como dificuldades estas apresentadas tanto na questão material tanto por parte da população, que apresenta maior carência a este tipo de serviço. Como mostra o estudo realizado por Schmitz et al. (2017), um comparativo aos países da Europa e América Latina, com investimentos voltados para a população no serviço de Telesaúde nas comunidades rurais, em prestação de serviços primários, urgência e emergência, nos países da América do Norte com avanços no serviço de Telesaúde e Telemedicina, prestados pelos profissionais da enfermagem; fonoaudiologia; psicologia e medicina.
Cabe ainda ressaltar, frente aos achados, quando se fala sobre entendimento do que está sendo abordado em nível Brasil, observa-se que há uma necessidade na questão: treinamento do profissional quanto na forma como as informações de prevenção e alto cuidado são repassadas nos atendimentos, sendo esta de forma clara e abrangente a toda população em respeito às diferenças, podendo desta forma melhoria e continuidade no tratamento.
DISCUSSÃO
Antes utilizada somente pela medicina, com o intuito no enriquecimento das atividades prestadas pelos profissionais da saúde, o uso da TICs tem se destacado nas demais áreas, e principalmente no Brasil, como mostra Guimarães et al. (2022), que discorre sobre pontos importantes desenvolvidos pelas atividades multiprofissionais: a implementação do uso das TICs, no Brasil, tem ganhado destaque em liderança com a telessaúde com foco em reduzir a desigualdade social e aumentar seu acesso na atenção primária, através de atividades multiprofissionais, em que observa-se o acesso a bens e serviços, sendo as TICs considerada fator crítico, firme em atividades na Teleducação, Teleconsultoria, e mesmo Telediagnóstico.
Frente a situação ocorrida com a doença da COVID-19, os profissionais da área da saúde tiveram um grande desafio “como cuidar de pacientes em estado grave em isolamento social?”, assim como, “como cuidar de um público que necessitava em dar continuidade em seu tratamento (grupos vulneráveis) diante a necessidade de manter-se a salvo da infecção em casa?”, diante disto fez-se necessário o uso das TICs, ainda sem treinamento prévio, não somente os profissionais nutricionistas, como os demais profissionais da área da saúde, frente a uma situação pandêmica da COVID-19 (Eduardo et al. 2023). Devido à inúmeros pacientes que se encontravam em estado crítico, fez-se necessário o uso da “Telesaúde”, no entanto a falta de experiência, e o não treinamento prévio para a realização dos atendimentos, fez com que houvesse a utilização de ferramentas próprias tais como computadores, smartphones, tablets, e etc.
Damasceno e Caldeira (2019) mostra que para ter um teleserviço de qualidade, deve-se existir infraestrutura adequada, com materiais necessários para divulgação do serviço, e conhecimento prévio atendendo aos padrões estipulados pelo SUS: universalidade, equidade e integralidade, em respeito às diferenças.
Guimarães et al. (2022) mostram em seu estudo, que os países em desenvolvimento, apresentam potencial em solucionar desafios na área da saúde, a partir do serviço de Telesaúde, ou seja, no acesso à serviços especializados, qualidade na atenção à saúde, e rastreamento de problemas de Saúde Pública desde que ocorra o treinamento e a disposição de recursos necessários a tal atividade.
Fator importante ressaltado por Guimarães et al. (2022), mostra que frente ao enfrentamento da COVID-19, a Teleducação ancorada na Educação Permanente em Saúde [EPS], tem-se encontrado e alcançado reconhecimento como um papel importante na política-pedagógica de formação/qualificação interpessoal em saúde, à melhoria dos serviços prestados e, consequentemente, ao fortalecimento do SUS.
Medina et al. (2020), citam que durante a pandemia a modalidade de atendimento online foi bastante priorizada e difundida, para consulta remota. As propostas foram baseadas em protocolos, utilizando mensagens claras e objetivas com uso de vídeos e áudios que pudessem manter o contato com o paciente.
Contudo, ainda que a Telenutrição tenha muitas vantagens, ainda existem desvantagens que precisam ser trabalhadas, como: a instabilidade do sinal da internet nas mais diversas regiões geográficas, desmarcação de consultas, tanto por motivos pessoais ou responsáveis, inviabilidade de realização de exames físicos e antropométricos, exames bioquímicos etc (Araújo & Barbosa, 2022).
A Teleconsulta foi, e continua sendo uma importante ferramenta de acompanhamento nutricional que, se bem aplicada, pode proporcionar um melhor fornecimento de atendimentos de qualidade mais interativos, dinâmicos e inclusivos (Araújo & Barbosa, 2022).
A literatura científica ainda é deficiente, quando se trata de pesquisas envolvendo uso das TICs em nutrição no pós Pandemia de COVID-19.
CONCLUSÃO
Diversos foram os relatos positivos do uso das TICs na área da Nutrição, especialmente durante a Pandemia de COVID-19, que tornou uma necessidade de continuidade de assistência real, e um desafio que parece ter vindo para fixar-se como base de um atendimento presencial, ou mesmo como modalidade de assistência remota.
Pouco se sabe sobre o uso das TICs no pós Pandemia, mas têm-se a certeza que esta é uma ferramenta já impregnada em outras ciências, como a Medicina, Administração, etc., e daí vêm-se a indagação: “por quê não, na área da Nutrição?”
Há de se respeitar condições profissionais estabelecidas por Conselho de Classe, bem como aspectos éticos, logísticos e científicos de seu emprego na realidade do Profissional Nutricionista.
AGRADECIMENTO
A Equipe do Projeto NutriOrientação, à Coordenação de Iniciação Científica na pessoa da Profa. Dra. Adriana Sousa Rêgo, ao Curso de Nutrição, em nome da Prof. Esp. Maria Tereza Silva de Medeiros pelo apoio logístico e operacional, bem como a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA).
REFERÊNCIAS
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Araújo, A. S. B. & Barbosa, M. Q. E. A, (2022). Percepções sobre o atendimento nutricional on-line: uma revisão de literatura. 27 f. (Trabalho de Conclusão de Curso- Monografia), Curso de Bacharelado em Nutrição, Centro de Educação e Saúde, Universidade Federal de Campina Grande, Cuité- Paraíba-Brasil, 2022. Disponível em: <http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/27355>. Aceso em: 12 set. 2023.
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1 Graduanda em Nutrição pela Faculdade Santa Terezinha – CEST, São Luís, MA, Brasil; iannalopez@hotmail.com; https://orcid.org/0009-007-0218-4543; autor correspondente.
2 Graduando em Nutrição pela Faculdade Santa Terezinha – CEST, São Luís, MA, Brasil; paulovpires48@gmail.com; https://orcid.org/0009-0003-7989-5045
3 Graduanda em Nutrição pela Faculdade Santa Terezinha – CEST, São Luís, MA, Brasil; karolinesousa.2803@gmail.com; https://orcid.org/0009-0000-9496-9610
4 Graduanda em Nutrição pela Faculdade Santa Terezinha – CEST, São Luís, MA, Brasil; elaynny_oliveira@hotmail.com; https://orcid.org/0009-0009-2750-8123
5 Coordenadora do Curso de Nutrição da Faculdade Santa Terezinha-CEST, São Luís, Maranhão, Brasil. Nutricionista Especialista em Nutrição Clínica pela Associação Brasileira de Nutrição – ASBRAN, Brasil; maria.mededeiros@cest.edu.br; https://orcid.org/0000-0002-1653-8804
6 Docente do Curso de Nutrição da Faculdade Santa Terezinha-CEST, São Luís, Maranhão, Brasil. Nutricionista Especialista em Nutrição Clínica pela Faculdade Santa Terezinha – CEST, São Luís, MA, Brasil; liana.braga@cest.edu.br; http://orcid.org/0000-0001-5060-2008
7 Docente do Curso de Nutrição da Faculdade Santa Terezinha-CEST, São Luís, Maranhão, Brasil. Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, São Luís, MA, Brasil; alexsandro@yahoo.com.br; https://orcid.org/000-0001-7470-4607