Psicodrama: espontaneidade, criatividade e jogo de papéis na perspectiva de Moreno
Resumo
O psicodrama é uma abordagem desenvolvida por Moreno (1946) que utiliza a dramatização como instrumentos de expressão emocional, autoconhecimento e compreensão das relações interpessoais. Nessa perspectiva, o indivíduo é compreendido a partir dos vínculos sociais que estabelece e dos diferentes papéis que desempenha ao longo da vida, sendo a espontaneidade e a criatividade elementos centrais para o desenvolvimento humano (MORENO, 1946). Na obra Fundamentos do Psicodrama, Moreno apresenta os princípios teóricos da abordagem, destacando o papel da dramatização como recurso terapêutico e expressivo. O autor afirma que, por meio da representação de situações reais ou simbólicas, o sujeito pode acessar emoções, ressignificar experiências e desenvolver novas formas de interações pois, o psicodrama integra teatro, psicologia e dinâmica de grupo em um processo de reflexão e transformação (MORENO, 2014).
Também podemos utilizar o conceito da espontaneidade, que é entendida como a capacidade de responder de maneira nova e adequada a situações já conhecidas ou inéditas, possibilitando ações mais criativas e adaptativas. Já o conceito de jogo de papéis refere-se à multiplicidade de funções sociais desempenhadas pelos indivíduos, permitindo que emoções e conflitos sejam expressos e elaborados por meio da dramatização. Outro conceito central é o de inversão de papéis, técnica que possibilita ao sujeito se colocar simbolicamente no lugar do outro, ampliando a compreensão das relações interpessoais (MORENO, 2014).
A dimensão corporal também se destaca como elemento essencial, uma vez que a linguagem não verbal integra o processo de comunicação e compreensão das vivências através da interpretação pessoal. O corpo, nesse contexto, é entendido como meio de expressão subjetiva, evidenciando a aproximação do psicodrama com a linguagem teatral, especialmente no uso da cena e da improvisação como recursos de intervenção (FERNANDES, 2021). Assim, o processo terapêutico psicodramático produzido através da expressão corporal constitui-se como espaço de experimentação de papéis e de construção compartilhada de significados, articulando ação e reflexão.
O contexto cênico ainda possibilita que o sujeito represente essas situações favorecendo a externalização de conteúdos emocionais e a ressignificação de experiências no campo intersubjetivo, ou seja, a partir da troca, aliando a arte à sua técnica e essência (VALENTE, Pablo, 2022). Sendo assim, de forma orientada, a dramaturgia terapêutica favorece o desenvolvimento do companheirismo, da confiança e da abertura, possibilitando que o sujeito elabore suas dificuldades a partir dessa experiência de modo que o próprio indivíduo possa construir maior compreensão de si e das suas relações.
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