A ANGÚSTIA HUMANA SEGUNDO SARTRE

Autores

  • Matheus Romualdo Sutil UNOESC Videira
  • Gabriela Corrêa Spiassi
  • Giancarlo de Aguiar

Resumo

A angústia humana ocupa um lugar central na filosofia existencialista de Jean-Paul Sartre, sendo compreendida como uma consequência direta da liberdade e da responsabilidade que caracterizam a existência humana. Para Sartre, o homem não possui uma essência pré-definida, isto é, não nasce com um propósito determinado por Deus, pela natureza ou pela sociedade; primeiro ele existe e, posteriormente, constrói sua essência por meio de suas escolhas e ações. Essa ideia é sintetizada na célebre afirmação de que “a existência precede a essência”, apresentada na obra O Existencialismo é um Humanismo. Nesse sentido, a angústia surge quando o indivíduo percebe que é completamente livre para decidir os rumos de sua vida, mas que também será inteiramente responsável pelas consequências dessas decisões. Diferentemente do medo, que normalmente está ligado a um objeto concreto ou a uma ameaça específica, a angústia sartreana refere-se à consciência profunda da liberdade humana e da ausência de certezas absolutas que orientem as escolhas. O ser humano percebe que não existem valores universais prontos capazes de determinar o que deve fazer, cabendo apenas a ele decidir seus caminhos. Além disso, Sartre argumenta que, ao escolher para si, o indivíduo também escolhe uma imagem do homem que considera ideal para toda a humanidade, ampliando ainda mais o peso da responsabilidade individual. Assim, a angústia não é apenas um sentimento psicológico negativo, mas uma condição existencial inevitável de quem reconhece sua liberdade. Outro conceito importante relacionado a essa discussão é a “má-fé”, entendida como a tentativa do sujeito de fugir de sua liberdade e responsabilidade, atribuindo suas ações a fatores externos, como destino, normas sociais ou obrigações impostas. Para Sartre, agir de má-fé significa negar a própria condição humana, uma vez que o homem está condenado a ser livre e não pode escapar dessa realidade. Apesar de desconfortável, a angústia possui um papel fundamental, pois pode conduzir o indivíduo à autenticidade, levando-o a assumir conscientemente suas escolhas e sua existência. Dessa forma, a filosofia sartreana apresenta a angústia como uma experiência inevitável da vida humana, resultante da liberdade absoluta e da necessidade constante de decidir e atribuir sentido à própria existência em um mundo sem determinações prévias.

 

Referências

 

Jean-Paul Sartre. O Existencialismo é um Humanismo. Petrópolis: Vozes, 2014.

 

Jean-Paul Sartre. O Ser e o Nada. Petrópolis: Vozes, 2011.

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Publicado

09-06-2026

Como Citar

Sutil, M. R., Corrêa Spiassi, G., & de Aguiar, G. (2026). A ANGÚSTIA HUMANA SEGUNDO SARTRE. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc Videira, 11, e39483 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeuv/article/view/39483

Edição

Seção

Área das Ciências da Vida e Saúde – Resumos expandidos