A RELAÇÃO ENTRE TEORIA E TÉCNICA NA PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL
Resumo
A psicoterapia fenomenológico-existencial constitui-se como uma abordagem clínica voltada à compreensão da existência humana em sua singularidade, considerando o sujeito como um ser livre, responsável e em constante construção. Fundamentada principalmente nas contribuições filosóficas de Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre, essa perspectiva busca compreender a experiência vivida do indivíduo, priorizando os sentidos atribuídos às suas relações, escolhas e sofrimentos. A fenomenologia propõe o retorno à experiência tal como ela se apresenta, suspendendo julgamentos e interpretações prévias, permitindo compreender o paciente a partir de sua vivência concreta e subjetiva.
Nessa perspectiva, o sofrimento psíquico não é compreendido apenas como um conjunto de sintomas, mas como expressão do modo de existir do sujeito. Heidegger compreende o ser humano como um “ser-no-mundo”, marcado pela temporalidade, pelas possibilidades e pela constante construção de sentidos. Já Sartre afirma que a existência precede a essência, compreendendo o indivíduo como responsável por suas escolhas e pela construção de sua trajetória existencial.
Na clínica fenomenológico-existencial, a técnica está diretamente relacionada aos pressupostos teóricos da abordagem. Diferentemente de modelos terapêuticos estruturados em protocolos rígidos, essa prática valoriza a relação terapêutica, a escuta e a compreensão da experiência vivida. Uma das principais técnicas utilizadas é a escuta fenomenológica, caracterizada pela suspensão de julgamentos prévios para compreender o fenômeno tal como ele aparece ao paciente. O trabalho clínico busca favorecer a ampliação da consciência acerca dos modos de ser do sujeito, auxiliando-o a reconhecer suas possibilidades de escolha e responsabilidade diante da própria vida.
Na prática clínica, pacientes que apresentam sentimentos de vazio existencial podem ser conduzidos à reflexão sobre os sentidos atribuídos às experiências, relações e projetos de vida. O terapeuta não oferece respostas prontas, mas promove um espaço de acolhimento, diálogo e reflexão que favoreça a construção de novos significados. Além disso, a relação terapêutica é compreendida como um encontro autêntico entre terapeuta e paciente, baseado na empatia, na escuta e na abertura ao outro.
Conclui-se que a psicoterapia fenomenológico-existencial compreende o sujeito como protagonista de sua própria existência, articulando teoria e técnica por meio de uma prática clínica humanizada, fundamentada na escuta, na reflexão e na compreensão das possibilidades humanas. Dessa forma, a abordagem contribui para uma atuação psicológica que reconhece a singularidade, a liberdade e a responsabilidade de cada indivíduo.
Palavras-chave: Psicoterapia fenomenológico-existencial; Existencialismo; Liberdade; Subjetividade; Sartre.
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