CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO: DESAFIOS ÉTICOS E SOCIAIS NA ERA DA BIOTECNOLOGIA, CIDADES INTELIGENTES E COMPUTAÇÃO QUÂNTICA

Autores

  • Laura Fritzen Corrêa UNOESC
  • Roberta Marchetti UNOESC
  • João Gabriel Zago Alves
  • Nathalia Alves Barros

Resumo

Perante os avanços acelerados da ciência e da inovação, surgem não
apenas oportunidades significativas, mas também dilemas éticos, sociais e
regulatórios que desafiam a humanidade a equilibrar progresso e
responsabilidade. O desenvolvimento científico e tecnológico, segundo a
UNESCO (2005), precisa estar fundamentado em diretrizes éticas claras para
que benefícios sociais não venham acompanhados de violações de direitos,
desequilíbrios de poder ou novos riscos. Além disso, políticas públicas eficientes
e sistemas de governança adequados são essenciais para garantir que os
avanços tecnológicos contribuam para o bem coletivo e não aprofundem
desigualdades sociais (UNESCO, 2005). A partir da perspectiva da ética da
ciência e tecnologia, conforme Ivan Domingues (2004) que discute a
necessidade de reatar os juízos de valor e de fato no âmbito técnico
científico, percebe-se que a técnica e a investigação não podem se
desvincular dos efeitos sociais que geram. Paralelamente, no âmbito da
tecnologia urbana, a reflexão de Tatiana Tucunduva P. Cortese (2022) sobre
a “porta de entrada para a cidade inteligente” evidencia que a inclusão
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ANUÁRIO PESQUISA E EXTENSÃO UNOESC VIDEIRA - 2024
digital, os dispositivos e o domínio das ferramentas tecnológicas são
fundamentais para que a cidade não se torne exclusiva ou aumente a
marginalização de parcelas da população. No que tange à computação
emergente, uma análise recente do Instituto Nacional de Tecnologia da
Informação (2025) destaca que a Computação Quântica traz enormes
oportunidades, mas exige reflexão sobre infraestrutura, soberania tecnológica
e impactos na segurança digital — reforçando que inovação e regulação
precisam andar lado a lado.
Diante do exposto, o presente resumo destaca a necessidade de direcionar o
avanço científico e tecnológico por princípios de ética, justiça e inclusão,
para reduzir riscos, prevenir desigualdades e ampliar os benefícios sociais. A
questão central é: como a tecnologia tem evoluído ao longo do tempo e
quais são seus impactos na sociedade contemporânea? O objetivo desta
pesquisa é analisar a evolução tecnológica, identificando suas
transformações e impactos, especialmente para os profissionais da
contabilidade. Compreender esse processo é fundamental para refletir sobre
as contribuições, desafios e consequências da tecnologia em áreas como
educação, trabalho e comunicação. A pesquisa, de abordagem qualitativa,
descritiva e bibliográfica, utiliza fontes como livros, artigos científicos e
documentos oficiais de 2025, analisando dados e a aplicação da tecnologia
pelos usuários.
O avanço científico e tecnológico precisa estar fundamentado em diretrizes
éticas claras, conforme enfatiza a UNESCO (2021), para que seus benefícios
não sejam acompanhados de violações de direitos, desequilíbrios de poder e
novos riscos. A instituição defende que a Inteligência Artificial (IA) deve seguir
princípios universais de transparência, justiça e responsabilidade, orientando
políticas públicas, regulação e formação de capacidades humanas em todo
o ciclo de vida das tecnologias.
No contexto brasileiro, essa preocupação se reflete na Estratégia Brasileira de
Inteligência Artificial (EBIA), que busca orientar o uso ético e responsável da
IA, promovendo a inovação voltada ao bem-estar coletivo e à soberania
digital (MCTI, 2021). A revisão da EBIA, anunciada em 2023, reforçou a
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necessidade de consolidar competências nacionais e fortalecer a
governança tecnológica (MCTI, 2023). Em paralelo, o debate sobre o uso de
IA generativa e sua regulação vem ganhando destaque, especialmente com
a tramitação do Projeto de Lei nº 2338/2023, que propõe um marco legal para
classificar sistemas conforme o grau de risco, definir responsabilidades e
assegurar transparência (Transparência Brasil, 2024). Segundo Loures (2025), a
ausência de regras claras pode ampliar desigualdades, comprometer direitos
autorais e fragilizar a confiança pública diante do avanço de ferramentas
generativas.
Nas cidades brasileiras, a tecnologia também se manifesta em iniciativas de
cidades inteligentes, que integram sustentabilidade, governança digital e
inclusão. Curitiba e Fortaleza destacam-se em projetos-piloto reconhecidos
nacionalmente, voltados à mobilidade urbana, eficiência energética e
gestão de dados abertos, sempre com foco na inclusão social e transparência
(Prefeitura de Curitiba, 2023; CNN Brasil, 2024). Essas experiências demonstram
que o sucesso da inovação urbana depende de políticas públicas de
proteção de dados e da participação cidadã no processo decisório (Costa &
Almeida, 2024).
Entre as tecnologias emergentes com maior potencial de transformação está
a computação quântica, que promete revolucionar setores como a
economia, a ciência e a segurança digital. Em 2024, o Google anunciou o
chip Willow, capaz de executar em minutos cálculos que levariam milênios
para serem resolvidos por supercomputadores tradicionais (The Verge, 2024).
Já a IBM, em 2025, apresentou o projeto Starling, que busca desenvolver
computadores quânticos tolerantes a falhas e aplicáveis em larga escala (IBM,
2025). De acordo com Pereira (2024), esses avanços abrem novas
oportunidades, mas também aprofundam tensões éticas e geopolíticas
relacionadas à concentração de poder tecnológico e à proteção das
informações globais.
Por fim, conclui-se que o desenvolvimento científico e tecnológico depende
da colaboração entre o Estado, as empresas e a sociedade civil para
democratizar seus benefícios. O poder público deve regular e promover
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inclusão, as empresas inovar com responsabilidade, e a sociedade civil atuar
no controle social. Políticas públicas transparentes e mecanismos de
accountability são essenciais, e estão diretamente ligados à formação em
Ciências Contábeis, que desempenha papel crucial no monitoramento e
implementação dessas políticas. Propostas como educação digital, ética nas
inovações e democratização tecnológica são fundamentais para garantir um
progresso justo e acessível a todos.

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Publicado

10-12-2025

Como Citar

Fritzen Corrêa, L., Marchetti, R., Gabriel Zago Alves, J., & Alves Barros, N. (2025). CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO: DESAFIOS ÉTICOS E SOCIAIS NA ERA DA BIOTECNOLOGIA, CIDADES INTELIGENTES E COMPUTAÇÃO QUÂNTICA. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc Videira, 9, e39006. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeuv/article/view/39006

Edição

Seção

Área das Ciências Sociais – Resumos expandidos