UBERIZAÇÃO DO TRABALHO
Resumo
A uberização do trabalho representa uma profunda reconfiguração das relações laborais contemporâneas, marcada pela mediação algorítmica, pela fragmentação das tarefas e pelo discurso do “empreendedorismo” individual. Embora as plataformas defendam autonomia e flexibilidade, estudos mostram que os trabalhadores vivenciam formas sutis de subordinação: algoritmos regulam ritmos, avaliações de usuários condicionam comportamentos e os riscos financeiros recaem integralmente sobre motoristas e entregadores. Assim, a liberdade prometida revela-se limitada, transformando escolhas em miragens que ocultam insegurança econômica e desgaste físico e emocional. Nesse cenário, o trabalhador acredita ser “seu próprio chefe”, mas segue guiado por mecanismos invisíveis que definem ganhos, disponibilidade e reputação. A plataforma captura o lucro enquanto transfere custos e responsabilidades ao prestador de serviço, convertendo carros e mochilas em símbolos de um “empreendedorismo de fachada”. Desse modo, a uberização dissolve fronteiras entre tempo livre e trabalho e reforça padrões de exploração sob a aparência de modernidade. Torna-se evidente, portanto, a necessidade de novas formas de proteção e regulação capazes de enfrentar as desigualdades estruturalmente mantidas por esse modelo.
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