Corpo e Psique em Reich: Uma Leitura Psicossomática na Perspectiva Psicanalítica

Autores

  • Aline Pittol UNOESC
  • Emanuely Mara Ferreira Dos Santos
  • Giancarlo de Aguiar

Resumo

A psicossomatização, compreendida como a expressão corporal de
conflitos psíquicos, constitui um campo de estudo importante na psicologia e
ganha aprofundamento significativo na psicanálise a partir das contribuições
de Wilhelm Reich. O autor propõe que o corpo funciona como um registro
vivo das experiências emocionais, somatizando fisicamente os conflitos
internos e configurando-se como parte integrante do psiquismo, estruturado
por tensões crônicas que Reich denominou de couraça muscular (ALMEIDA;
ALBERTINI, 2014). Essa couraça é composta por rigidezes, bloqueios
respiratórios, posturas fixas e padrões de tensão que se desenvolvem ao
longo da vida como respostas à repressão emocional, especialmente de
emoções como raiva, angústia, medo e desejo. A psicossomatização surge
quando esses conteúdos psíquicos não são elaborados de maneira
adequada e acabam convertidos em sintomas corporais. Dores crônicas,
fadiga persistente, distúrbios gastrointestinais e dificuldades respiratórias são
alguns exemplos de manifestações psicossomáticas associadas à
estagnação energética descrita por Reich. Para o autor, a energia orgânica,
entendida como a força biológica que movimenta as emoções e se
expressa no corpo, quando impedida de fluir devido à repressão emocional,
acumula-se no organismo e se manifesta em formas de adoecimento que
afetam a vida do indivíduo (PERONI, 2024).
O corpo, portanto, constitui-se como uma forma de expressão do
inconsciente tão relevante quanto a fala, e sua observação amplia de
maneira significativa o campo clínico. A leitura reichiana desse fenômeno
permite compreender o adoecimento não apenas como falha ou
desorganização, mas como uma tentativa do organismo de regular tensões
emocionais que não puderam ser manejadas de outra forma. Nesse sentido,
o sintoma corporal é entendido como uma forma de comunicação,
revelando aspectos inconscientes que o sujeito não consegue traduzir em
palavras.
A escuta clínica, portanto, deve incluir atenção às expressões corporais,
ao ritmo respiratório, ao tônus muscular, às posturas e aos movimentos sutis
que compõem o modo de ser do paciente. Essa perspectiva favorece
intervenções mais completas e profundas, ao reconhecer a
interdependência entre vivências emocionais e expressão somática. Assim, o
processo terapêutico orientado pela abordagem reichiana busca promover
a flexibilização da couraça muscular, a ampliação da respiração e a
integração emocional, elementos que possibilitam ao sujeito maior contato
consigo mesmo e a redução dos sintomas psicossomáticos.
Conclui-se que a psicossomatização, ao olhar da psicanálise reichiana,
revela a importância do corpo como depositário de experiências afetivas,
memórias traumáticas e mecanismos de defesa. O corpo constitui parte
essencial da subjetividade e desempenha papel ativo na produção e
manutenção dos sintomas. O legado de Reich permanece atual ao oferecer
fundamentos teóricos e clínicos capazes de ampliar a compreensão da
psicossomatização e enriquecer a prática do psicólogo diante dos desafios
contemporâneos.

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Publicado

26-11-2025

Como Citar

Pittol, A., Ferreira Dos Santos, E. M., & de Aguiar, G. (2025). Corpo e Psique em Reich: Uma Leitura Psicossomática na Perspectiva Psicanalítica. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc Videira, 10, e38909 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeuv/article/view/38909

Edição

Seção

Área das Ciências da Vida e Saúde – Resumos expandidos