RELATÓRIO ATIVIDADE PRÁTICA ANÁLISE DE DESEMPENHO E VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA ENTRE EMPRESAS LISTADAS NA B3, NO SEGUIMENTO DE ENERGETICO – 7° FASE

Autores

  • Elison Borsatto Universidade do Meio Oeste de Santa Catarina
  • Jessica de Andrade da Silva
  • Renan Rodrigues Alves

Resumo

O setor energético exerce papel fundamental na economia brasileira, sendo composto por empresas que operam em segmentos estratégicos, como distribuição de combustíveis, geração e transmissão de energia elétrica. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar o desempenho econômico-financeiro e a viabilidade de investimento em duas empresas listadas na B3: Vibra Energia S.A. (VBBR3) e Eletrobras S.A. (ELET3). A escolha dessas empresas justifica-se por sua representatividade no setor, além de sua relevância no mercado nacional e internacional. Ambas passaram recentemente por processos de reestruturação, sendo a Vibra fruto da privatização da antiga BR Distribuidora, e a Eletrobras uma companhia que também enfrentou recente processo de privatização. Este cenário cria um ambiente propício para avaliar o impacto dessas transformações na sustentabilidade financeira e no potencial de retorno para investidores.

Este trabalho tem como objetivo geral realizar uma análise comparativa do desempenho econômico-financeiro das empresas Vibra Energia S.A. e Eletrobras S.A., buscando compreender sua viabilidade de investimento no contexto atual do mercado.

Entre os objetivos específicos, destacam-se: avaliar os indicadores de liquidez, estrutura de capital, rentabilidade e ficiência operacional das empresas analisadas; analisar os indicadores de viabilidade econômico-financeira, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Payback; interpretar os resultados obtidos, relacionando-os ao contexto econômico do setor energético; oferecer subsídios para a tomada de decisão de investidores e gestores, com foco na sustentabilidade e retorno de longo prazo.   

A metodologia adotada é de caráter quantitativo, descritivo e comparativo, fundamentada na análise das demonstrações financeiras das empresas Vibra Energia S.A. e Eletrobras S.A., relativas aos anos de 2022, 2023 e 2024. As informações foram extraídas do site Investing.com e complementadas com o material didático da disciplina de Administração Financeira do curso de Ciências Contábeis da UNOESC – Campus Videira. Foram calculados indicadores de desempenho, como liquidez corrente, grau de endividamento, retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), margem líquida e giro do ativo, além dos indicadores de viabilidade econômica: VPL, TIR e Payback. A análise foi realizada de forma ética, utilizando apenas dados públicos, não sendo necessária a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, visto que não envolveu seres humanos.

A análise dos indicadores demonstra que a Vibra Energia apresentou, ao longo dos três anos avaliados, evolução consistente em seus resultados operacionais, com aumento da lucratividade, crescimento do EBITDA e melhora nos índices de rentabilidade e liquidez. Seu VPL foi positivo, no valor de R$ 83.410.267,86, indicando que o investimento na empresa gera valor acima do custo de capital. No entanto, os indicadores de TIR (-47%) e Payback (-14,09) revelam que, apesar da geração de valor no longo prazo, há uma dificuldade em obter retorno no curto prazo, o que pode estar relacionado às características do setor, sazonalidade ou projeções conservadoras.

A Eletrobras, por sua vez, também apresentou VPL positivo, de R$ 66.751.180,46, demonstrando viabilidade econômica. Seu desempenho operacional se mostrou robusto, com boa capacidade de geração de valor e uma estrutura de capital mais conservadora, evidenciada pelo menor grau de endividamento em relação à Vibra. Contudo, assim como a concorrente, os indicadores de TIR (-32%) e Payback (-7,11) apontam para um retorno financeiro mais demorado. Em termos de liquidez, ambas as empresas mantiveram boa capacidade de honrar seus compromissos de curto prazo, embora a Eletrobras tenha se destacado por sua menor dependência de capital de terceiros.

Os dados revelam que ambas as empresas possuem fundamentos sólidos para geração de valor no médio e longo prazo, sendo adequadas para investidores com perfil de menor aversão ao prazo de retorno. A Vibra Energia apresenta maior agressividade operacional, refletida em maiores receitas e lucros no período analisado, porém com maior dependência de capital de terceiros. Já a Eletrobras, mesmo com receita inferior, destaca-se pela solidez patrimonial e menor grau de endividamento.

A TIR negativa e o Payback desfavorável em ambas as empresas não indicam necessariamente inviabilidade, mas sim características comuns em setores de infraestrutura e energia, onde os projetos possuem ciclos longos de maturação e dependem de investimentos contínuos. Este cenário é amplamente discutido na literatura financeira, que aponta para a necessidade de analisar esses setores sob uma ótica de longo prazo. Quando comparado com outros estudos de empresas de energia, nota-se que esses indicadores seguem padrões semelhantes, evidenciando que o risco está mais relacionado ao tempo de retorno do que propriamente à inviabilidade econômica.

Outro fator relevante é que as recentes privatizações podem impactar significativamente a performance futura das empresas, tanto em termos de eficiência operacional quanto de geração de valor. Essa transformação estrutural pode gerar ganhos de produtividade, redução de custos e, consequentemente, melhoria nos indicadores financeiros ao longo dos próximos anos.

A análise realizada permite concluir que tanto a Vibra Energia quanto a Eletrobras são empresas financeiramente viáveis, segundo a ótica do Valor Presente Líquido positivo, demonstrando capacidade de gerar valor para seus acionistas. No entanto, os resultados também indicam que os retornos financeiros são mais consistentes no médio e longo prazo, dado que os indicadores de TIR e Payback refletem um horizonte de recuperação mais alongado.

A Vibra Energia se sobressai pela sua capacidade de geração de receita e lucratividade, porém apresenta maior exposição ao endividamento. Já a Eletrobras mantém uma estrutura de capital mais robusta e conservadora, oferecendo maior segurança financeira aos investidores. Ambas as empresas possuem boa liquidez, o que as torna aptas a enfrentar obrigações de curto prazo.

Portanto, os investidores devem estar atentos ao perfil de retorno esperado. Aqueles que buscam estabilidade, segurança e geração de valor no longo prazo encontram nessas empresas boas oportunidades, desde que estejam cientes de que os retornos não serão imediatos. O acompanhamento contínuo do desempenho operacional, dos movimentos de mercado e das variáveis macroeconômicas é essencial para mitigar riscos e tomar decisões mais assertivas.

O estudo reforça que, no setor energético, os investimentos são caracterizados por alta robustez de capital, longo prazo de maturação e dependência de fatores externos, como políticas governamentais e regulação setorial.

 

Referências

INVESTING.COM. Investing.com Brasil: cotações, gráficos e dados financeiros. Disponível em: https://www.investing.com/. Acesso em: 04 jun. 2025.

UNOESC – UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA. Material didático da disciplina de Administração Financeira. Prof.ª Márcia Regina Massignani. Curso de Ciências Contábeis – Campus Videira. 2025/1. (Não publicado).  

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Publicado

01-07-2025

Como Citar

Borsatto, E., de Andrade da Silva, J., & Rodrigues Alves, R. (2025). RELATÓRIO ATIVIDADE PRÁTICA ANÁLISE DE DESEMPENHO E VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA ENTRE EMPRESAS LISTADAS NA B3, NO SEGUIMENTO DE ENERGETICO – 7° FASE . Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc Videira, 10, e37356. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeuv/article/view/37356

Edição

Seção

Área das Ciências Sociais – Resumos expandidos