ESTÁGIO BÁSICO I: OBSERVAÇÃO DO FUNCIONAMENTO INTERDISCIPLINAR DA EQUIPE DO CRAS DE TREZE TÍLIAS E DA INTERAÇÃO ENTRE UM GRUPO DE CRIANÇAS DO LOCAL
Resumo
RESUMO
O estágio de observação foi realizado no Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS) de Treze Tílias, principal porta de entrada do
Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A experiência teve como objetivo
compreender o funcionamento interdisciplinar da equipe técnica e o papel
da Psicologia na proteção social básica. Durante o estágio, foram
acompanhadas atividades da equipe composta por psicóloga, assistente
social e outros profissionais, observando atendimentos individuais, visitas
domiciliares e ações com o grupo de convivência de crianças de 6 a 12
anos. A campanha do 18 de Maio, com atividades lúdicas e educativas
sobre o combate à exploração sexual infantil, também fez parte da vivência.
Além disso, destacou-se a articulação intersetorial por meio do projeto “Rede
em Ação”, que reúne CRAS, Saúde, Educação e Conselho Tutelar. A
experiência proporcionou reflexões sobre a importância da escuta
qualificada, da interdisciplinaridade e da atuação ética no fortalecimento
dos vínculos comunitários e enfrentamento das vulnerabilidades sociais.
Palavras-chave: Assistência Social; Psicologia Social; Observação.
1 INTRODUÇÃO
O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) constitui a principal
porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), sendo
responsável pela oferta de serviços, programas e benefícios voltados à
proteção social básica de indivíduos e famílias em situação de
vulnerabilidade. Nesse contexto, o estágio de observação realizado no CRAS
do município de Treze Tílias teve como propósito aproximar a formação
acadêmica da prática profissional interdisciplinar, permitindo compreender,
na prática, o funcionamento das políticas públicas e a atuação técnica da
psicologia enquanto componente essencial da rede de proteção social.
Durante o período de observação, foi possível conhecer a dinâmica interna
da instituição, bem como o papel exercido por diferentes profissionais que
compõem a equipe técnica, como a assistente social e a psicóloga,
percebendo a importância da articulação entre essas funções para o
atendimento integral às demandas da população. Além disso, a observação
de atendimentos individuais, visitas domiciliares e atividades em grupo
permitiu um olhar mais amplo sobre os desafios enfrentados no cotidiano da
assistência social em um município que não dispõe de equipamentos como
CAPS ou CREAS e depende de articulações intermunicipais para garantir o
atendimento psicossocial. De forma mais específica, a observação
acompanhou as ações desenvolvidas no grupo de convivência de crianças
de 6 a 12 anos, permitindo analisar as interações estabelecidas entre os
participantes, bem como os efeitos das ações psicossociais no
fortalecimento de vínculos, no estímulo à cidadania e no desenvolvimento
social. Essa vivência também proporcionou o contato direto com estratégias
como o “Rede em Ação”, encontros intersetoriais que envolvem CRAS,
Saúde, Educação e Conselho Tutelar na construção de respostas integradas
às vulnerabilidades locais. A partir dessa experiência, o presente relatório
busca apresentar reflexões fundamentadas sobre a prática do CRAS
enquanto equipamento de promoção de direitos, com ênfase na atuação
psicológica e na importância da interdisciplinaridade no enfrentamento das
desigualdades sociais.
2 DESENVOLVIMENTO
O espaço total do CRAS de Treze Tílias (Anexo 1) é composto por uma
pequena recepção, onde ficam duas cadeiras, uma parede que dá acesso
à sala, onde fica a auxiliar administrativa (Anexo 2). A parede possui dois
terços dela aberta, para comunicação. No lado direito está a sala onde fica
a assistente social e a psicóloga para atendimento da população (Anexo 3).
À frente, um corredor, o qual dá a porta de acesso à sala da auxiliar
administrativa, ao lado esquerdo. Para o lado direito, duas portas que dão
acesso à sala de convivência (Anexo 4), onde foi feita a observação das
crianças. Mais à frente, para o lado esquerdo, possui um banheiro para o
público geral e um banheiro para os funcionários. E do lado direito, a sala
onde são feitas as refeições (Anexo 5) e a cozinha onde são feitas as
merendas para os alunos. Durante o período de estágio de observação no
Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Treze Tílias, foi possível
acompanhar de forma direta e atenta as atividades desenvolvidas pela
equipe técnica, composta por psicóloga, assistente social, orientador social,
auxiliar administrativa, serviços gerais e o motorista do local (Anexo 6), junto à
comunidade atendida. As ações observadas integraram tanto a rotina
institucional quanto iniciativas voltadas à mobilização social, com destaque
para as atividades relacionadas à campanha do 18 de Maio, Dia Nacional
de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
No contexto da campanha, foi possível acompanhar momentos de
interação com crianças em situação de vulnerabilidade, nos quais foram
promovidas atividades lúdicas e educativas com o intuito de sensibilizar
sobre o direito à proteção e ao cuidado. As crianças participaram de
conversas conduzidas de forma leve e acessível, com dinâmicas que
abordavam o significado do 18 de Maio, utilizando recursos simbólicos como
desenhos, cores e a flor representativa da campanha. Além disso, foram
distribuídas lembrancinhas com mensagens de conscientização, reforçando
a importância do diálogo e da escuta ativa no enfrentamento das violências
contra a infância. Ao longo do estágio, foi possível acompanhar a atuação
da psicóloga e da assistente social no atendimento às demandas cotidianas
da unidade, observando desde a forma de acolhimento aos usuários até a
escuta técnica realizada com famílias e indivíduos em situação de
vulnerabilidade social. Foi possível perceber como o trabalho em equipe se
articula a partir dos princípios do SUAS (Sistema Único de Assistência Social),
considerando os contextos individuais e coletivos de cada caso. Além das
atividades internas, foi realizada uma visita externa à comunidade,
conduzida pela psicóloga e assistente social, com o objetivo de dar
continuidade ao acompanhamento de uma família atendida pelo serviço. A
estagiária acompanhou essa saída, observando de forma ética e respeitosa
a abordagem profissional realizada em campo, bem como o diálogo com os
sujeitos atendidos. Essa vivência proporcionou um olhar ampliado sobre a
realidade social das famílias e sobre os desafios enfrentados pelos
profissionais no cotidiano da política pública. A observação permitiu
compreender o papel do CRAS como um espaço de proteção social básica,
onde se constroem vínculos, redes de apoio e estratégias de enfrentamento
das vulnerabilidades. A experiência também revelou a importância da
escuta qualificada, do respeito à singularidade de cada sujeito e da
articulação entre os saberes profissionais no trabalho em equipe.
3 CONCLUSÃO
A vivência no CRAS como estagiária observadora foi uma experiência
significativa, tanto em termos acadêmicos quanto pessoais. A partir do
contato direto com as ações desenvolvidas no território, foi possível
compreender profundamente o papel da Psicologia no contexto das
políticas públicas de Assistência Social. Observando a atuação da equipe
técnica e a relação com a comunidade, percebe-se como o CRAS opera
como um importante instrumento de fortalecimento dos vínculos familiares e
comunitários, sendo um espaço de acolhimento, escuta e cuidado. A
proposta de ações preventivas, como a campanha do 18 de Maio,
evidencia o compromisso com a proteção social e a promoção da
dignidade humana. Por fim, o estágio se revelou uma oportunidade valiosa
para integrar teoria e prática, promovendo reflexões sobre a atuação
profissional comprometida com a transformação social, o cuidado ético e a
valorização da escuta como ferramenta central do trabalho em contextos
de vulnerabilidade. Essa vivência inicial contribui de forma significativa para
a formação acadêmica, despertando interesse, responsabilidade e senso
crítico diante dos desafios da realidade social.
REFERÊNCIAS
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06/2019 -
Orientações sobre elaboração de documentos psicológicos. Brasília, 2019.
DANNA, Marilda Fernandes, MATOS, Maria Amélia. Aprendendo a Observar.
Ed. Edicon, São Paulo, SP, 2006.
FERIANI, G. P.; MELO, C. V.; OLIVEIRA, W. A.; DELLAZZANA-ZANON, L. L. A
prática da observação sistemática para a formação do(a) psicólogo(a):
relato de experiência. Revista Psicologia em Pesquisa , 2021.
SANAR SAÚDE. Como elaborar documentos psicológicos segundo o
Conselho Federal de Psicologia. São Paulo, 2023. Disponível em:
https://blog.sanarsaude.com/portal/carreiras/artigos-noticias/colunista-psicol
ogia-saiba-como-elaborar-documentos-segundo-o-conselho. Acesso em: 07
jun. 2025.
Sobre o(s) autor(es): 1) Acadêmica da 3ª fase do Curso de Psicologia, da UNOESC
Campus de Videira. E-mail: flaviaahrenfeld018@gmail.com; (2) Pós-Doutorado em
Psicologia Socioambiental pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho
do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP.USP). Docente na
UNOESC Campus de Videira. E-mail: giancarlo.aguiar@unoesc.edu.br.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à Editora Unoesc o direito da publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
