TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NO MANEJO DA ANSIEDADE EM ADOLESCENTES

Autores

  • Tainara Lira UNOESC
  • Franciele da Costa

Resumo

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento marcada por
transformações físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Embora a ansiedade
possa fazer parte das experiências cotidianas, quando se apresenta de
forma excessiva, persistente e associada a prejuízos no funcionamento, pode
assumir características presentes nos transtornos de ansiedade descritos no
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). O
manual diferencia o medo, geralmente relacionado a uma ameaça
imediata, da ansiedade, associada à antecipação de uma ameaça futura,
podendo ambas estar acompanhadas de comportamentos de esquiva
(AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2023). Nesse contexto, a Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC) apresenta um modelo fundamentado na
relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Beck (2022)
destaca a importância da conceitualização cognitiva e da identificação
dos pensamentos automáticos. Friedberg e McClure (2019) ressaltam a
necessidade de adaptar a terapia cognitiva às necessidades específicas de
crianças e adolescentes. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo
refletir sobre as manifestações da ansiedade na adolescência e discutir
possibilidades de manejo psicológico fundamentadas na TCC. Trata-se de
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uma revisão de literatura, de abordagem qualitativa, baseada em
produções científicas relacionadas à ansiedade na adolescência e ao
manejo psicológico pela Terapia Cognitivo-Comportamental. A ansiedade
pode apresentar manifestações emocionais, cognitivas, físicas e
comportamentais que podem interferir em diferentes áreas da vida do
adolescente. De acordo com o DSM-5-TR, os transtornos de ansiedade
apresentam como características comuns o medo e a ansiedade excessivos,
acompanhados de alterações comportamentais relacionadas a essas
experiências
(AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2023). Na
adolescência, essas manifestações podem aparecer em situações escolares,
sociais e familiares e interferir na participação do jovem em atividades
cotidianas. Na perspectiva da TCC, a maneira como o indivíduo interpreta
as situações influencia suas respostas emocionais e comportamentais. Beck
(2022) explica que a conceitualização cognitiva permite compreender a
relação entre situações, pensamentos automáticos, emoções e
comportamentos, contribuindo para o planejamento das intervenções.
Diante de situações percebidas como ameaçadoras, o adolescente pode
apresentar pensamentos e interpretações disfuncionais, que podem
contribuir
para o aumento da ansiedade e podem favorecer
comportamentos de esquiva. A identificação e a avaliação desses
pensamentos permitem examinar as evidências relacionadas à
interpretação e considerar interpretações alternativas. Moura et al. (2018)
ampliam essa compreensão ao destacarem que, na TCC, pensamentos,
sentimentos,
comportamentos, aspectos fisiológicos e ambiente
estabelecem relações recíprocas. Os autores apresentam três níveis de
cognições relevantes: pensamentos automáticos, pressupostos subjacentes e
crenças nucleares ou centrais. Os pensamentos automáticos podem surgir
de maneira rápida diante de situações internas ou externas e, quando
disfuncionais,
podem contribuir para respostas emocionais e
comportamentais pouco adaptativas. Moura et al. (2018) também apontam
que indivíduos ansiosos podem superestimar a probabilidade de
acontecimentos negativos e subestimar sua capacidade de lidar com
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determinadas situações. Nesse processo, a esquiva pode produzir alívio
imediato, mas contribuir para a manutenção da ansiedade ao reduzir
oportunidades de enfrentamento e reforçar a percepção de ameaça. Esse
aspecto também é relevante na adolescência, período em que situações
escolares e sociais podem estar associadas a
preocupações e
inseguranças, levando o adolescente a evitar ou se afastar de determinadas
experiências. A conceitualização cognitiva constitui, portanto, um recurso
importante para o planejamento do tratamento. Beck (2022) ressalta a
necessidade de compreender as dificuldades atuais, os pensamentos e
comportamentos relacionados ao problema e os fatores que contribuem
para sua manutenção. No trabalho com adolescentes, essa compreensão
deve considerar também os contextos familiar, escolar e social. Friedberg e
McClure (2019) destacam que a terapia cognitiva com crianças e
adolescentes deve ser adaptada ao nível de desenvolvimento e às
características individuais. Os autores ressaltam a importância da
conceitualização do caso, do empirismo colaborativo, da estruturação das
sessões e da utilização de técnicas cognitivas e comportamentais. O
empirismo colaborativo envolve a atuação conjunta entre terapeuta e
paciente na investigação das dificuldades, na formulação de hipóteses e na
avaliação das estratégias utilizadas. No trabalho com adolescentes,
linguagem acessível e recursos adequados ao desenvolvimento podem
facilitar a compreensão dos conceitos e favorecer a participação ativa. A
relação terapêutica, baseada em colaboração, compreensão e respeito,
também contribui para a construção conjunta das metas do tratamento
(BECK, 2022). A psicoeducação contribui para que o adolescente
reconheça as manifestações da ansiedade, compreenda os fatores
relacionados ao seu surgimento e manutenção e perceba a relação entre
pensamentos, emoções e comportamentos. O processo favorece a
identificação dos pensamentos automáticos e a análise das interpretações
associadas às situações nas quais ocorrem respostas ansiosas. Na
reestruturação cognitiva, podem ser utilizados o registro de pensamentos , o
questionamento socrático e a descatastrofização. Moura et al. (2018)
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descrevem o registro de pensamentos como recurso para identificar
cognições acionadas por determinadas situações e compreender sua
relação com emoções e comportamentos. A descoberta guiada e o
questionamento socrático auxiliam na investigação das interpretações,
enquanto a descatastrofização busca avaliar a probabilidade de resultados
negativos, as evidências disponíveis, a percepção de controle e possíveis
formas de enfrentamento. As estratégias comportamentais complementam
o trabalho cognitivo. Moura et al. (2018) descrevem técnicas de observação
e experimentação como recursos para modificar comportamentos e testar a
validade de determinadas ideias. A exposição gradual e planejada às
situações evitadas pode favorecer novas experiências de enfrentamento,
quando indicada. No contexto escolar, a ansiedade pode estar associada a
preocupações
com desempenho, avaliações, apresentações,
relacionamento com colegas e medo de cometer erros. No contexto social,
o receio de julgamento ou rejeição pode dificultar a interação e favorecer
comportamentos de esquiva ou afastamento. A TCC pode auxiliar na
identificação desses padrões e na construção de estratégias de
enfrentamento adequadas. Friedberg e McClure (2019) também ressaltam a
possibilidade de envolver pais ou responsáveis quando essa participação for
pertinente ao caso, favorecendo a aplicação das habilidades em diferentes
contextos, sem desconsiderar a individualidade do adolescente. Nesse
sentido, o manejo da ansiedade pela TCC não se limita à aplicação isolada
de técnicas. Envolve compreensão individualizada, conceitualização do
caso, relação terapêutica colaborativa, definição de objetivos e escolha de
estratégias compatíveis com as necessidades do adolescente. Moura et al.
(2018) reforçam a importância da interação entre cognições, emoções,
comportamentos, fisiologia e ambiente, enquanto Beck (2022) e Friedberg e
McClure (2019) contribuem para a organização do tratamento e sua
adaptação ao desenvolvimento. Quando persistente ou associada a
prejuízos no funcionamento a ansiedade na adolescência pode interferir em
aspectos emocionais, cognitivos, comportamentais, escolares e sociais. A
TCC oferece um modelo para compreender as relações entre cognições,
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emoções e comportamentos. A literatura utilizada destaca a importância da
conceitualização, do empirismo colaborativo e da adaptação das
intervenções ao desenvolvimento e aos contextos de vida do adolescente.
Estratégias como psicoeducação, identificação e reestruturação de
pensamentos, exposição gradual e habilidades de enfrentamento podem
ser utilizadas conforme as necessidades de cada caso, buscando diminuir a
ansiedade e desenvolver formas mais adaptativas de lidar com situações
desafiadoras.
REFERÊNCIAS
FRIEDBERG, Robert D.; McCLURE, Jessica M. A prática clínica da terapia
cognitiva com crianças e adolescentes. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
MOURA, Inara Moreno; ROCHA, Victor Hugo Coelho; BERGAMINI, Gésica
Borges; SAMUELSSON, Evelin; JONER, Cristielli; SCHNEIDER, Luiz Fernando;
MENZ, Pérsia Regina. A terapia cognitivo-comportamental no tratamento do
transtorno de ansiedade generalizada. Revista Científica da Faculdade de
Educação e Meio Ambiente, Ariquemes, v. 9, n. 1, p. 423-441, 2018. DOI:
10.31072/rcf.v9i1.557.
tainara7lira@hotmail.com
franciele.costa@unoesc.edu.br

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Publicado

2026-10-14

Como Citar

Lira, T., & da Costa, F. (2026). TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NO MANEJO DA ANSIEDADE EM ADOLESCENTES . Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc São Miguel Do Oeste, 11, e41493 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeusmo/article/view/41493

Edição

Seção

Área das Ciências da Vida e Saúde – Resumos expandidos