SERÁ QUE É BIRRA? UMA REFLEXÃO SOBRE A RECUSA INFANTIL E TRANSTORNOS DO NEURODESENVOLVIMENTO
Resumo
A prática clínica infantil frequentemente se depara com a recusa e a resistência das crianças diante de atividades propostas no contexto terapêutico. Embora o senso comum tenda a rotular tais comportamentos como birra, indisciplina ou teimosia, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) fundamenta que o comportamento infantil deve ser analisado considerando aspectos cognitivos, emocionais e contextuais. Em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a recusa pode decorrer de sobrecarga sensorial, inflexibilidade a mudanças ou dificuldades de compreensão. Já no Atraso Global do Desenvolvimento, o comportamento pode atuar como um mecanismo de esquiva ou defesa diante do receio do fracasso e de demandas incompatíveis com seu nível de desenvolvimento. Dessa forma, estratégias baseadas em exigências rígidas ou reforçamentos descontextualizados podem intensificar a frustração e o desamparo. Em consonância com o Código de Ética Profissional do Psicólogo, conclui-se que o papel do psicólogo exige compreender a função do comportamento, evitar intervenções coercitivas e adaptar as tarefas ao nível de desenvolvimento e aos interesses da criança, assegurando um ambiente terapêutico acolhedor, seguro e colaborativo.
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